A morte dos glaciais andinos May 25, 2008
Postado por tordesilhas em : Geral, Viagens , 3comentáriosJá faz algum tempo os principais jornais peruanos vêm publicando notícias sobre o desaparecimento cada vez mais rápido dos nevados que dominam os picos mais altos da Cordilheira dos Andes. Cerca de 70% de todos os nevados existentes na região andina estão concentrados no país e o seu contínuo desaparecimento é o sinal mais evidente do aquecimento global. Hoje a primeira página do jornal El Comercio trouxe uma reportagem assustadora e triste sobre o grau de degelo do nevado Pastoruri, o mais visitado da belíssima “Cordilheira Branca”, na região central do país. A notícia dá conta de que em menos de 10 anos o famoso nevado, localizado a mais de 5.200 metros de altitude, deixará de existir, deixando para trás um pico cinza e estéril.
Este será um elemento mais em uma seqüência aparentemente irreversível que poderá resultar, em um prazo de poucas dezenas de anos, no fim de todos os nevados localizados em região tropical. Segundo a reportagem, nos últimos 23 anos cerca de 30% dos glaciais existentes no Peru já derreteram. Entre os nevados que já deixaram de existir estão os da Cordilheira do Barroso (no departamento de Tacna) e o glacial Broggi, localizado em Áncash.
O Pastoruri está perdendo 23 metros da capa de gelo por ano. Em 1995 o gelo cobria uma superfície de 1,8km2. Em 2007, já havia retrocedido para 1,1 km2. O impacto imediato será sentido pela população das comunidades próximas ao nevado, principalmente da cidade de Huaraz, que vive do turismo. Anualmente cerca de 160 mil pessoas visitam a região. As imagens captadas pela equipe do jornal El Comercio mostram como ao redor da capa de gelo remanescente se formam pequenos lagos que acumulam a água do degelo e de onde saem pequenos riachos. (more…)
Dia de São Valentim February 15, 2007
Postado por tordesilhas em : Viagens , 7comentáriosOntem, 14 de fevereiro, foi o Dia dos Namorados aqui no Peru. É o Dia de São Valentim que é comemorado em quase todos os países do continente, com exceção do Brasil. Vanessa, Mateus e eu fomos passear no Larcomar, possivelmente o shopping mais legal de Lima, com sua vista de 180 graus do Oceano Pacífico que permite aos seus visitantes admirar um pôr-de-sol que deixa os do Arpoador no chinelo. Larcomar estava lotado, com centenas de casais e crianças circulando nos seus três níveis a céu aberto (o que não é nenhum problema, já que em Lima não chove nunca). Paramos para tomar um lanche, admirar o pôr-do-sol e celebrar o “Dia do Amor e da Amizade” (como é chamado aqui o
Dia dos Namorados) em família. Quer coisa melhor do que isso? Tirei uma foto do horizonte com o sol se pondo sobre o mar e alguns casais namorando em primeiro plano. A foto, postada aí ao lado, está em negativo e “photoshopada” para dar uma bossa a uma tarde deliciosa.
Cidades June 26, 2006
Postado por tordesilhas em : Viagens , 5comentáriosPois é, já estou de volta a Lima, “La Horrible” nas palavras do ensaísta Salazar Bondy. A viagem de regresso já foi por si só uma aventura, porque até o último momento não sabia se o vôo da Varig do Rio para Lima iria realmente sair do solo. Saiu, e pontual, mas com um elemento surpresa: depois da parada em São Paulo, em vez de seguir direto para capital peruana, me dou com a surpresa de pousar em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia. O pit stop inesperado e não avisado deve ter sido feito para atender às necessidades de remanejamento de vôos da empresa. Mas tudo bem, a essa altura do campeonato o importante era chegar em casa.
E lá chegando, os primeiros contatos com alguns dos aspectos mais desagradáveis de Lima: o clima horrível nesta época do ano, quando o sol desaparece por meses e o céu fica permanentemente cinza, coberto por uma capa de neblina que envolve toda a cidade, e com a tradicional “viveza” limenha, como chamam aqui o hábito de se tentar dar uma de esperto e levar vantagem até nas pequenas coisas do cotidiano, ou seja, a nossa “Lei de Gérson”. Desta vez já na fila do passaporte um peruano (tenho certeza de que era limenho) pulou espertamente do seu lugar na fila para entrar na minha frente e ser atendido de imediato pelo oficial de migração. O lance foi rápido e eu até poderia ter armado um barraco reclamando da atitude, mas estava cansado e achei que simplesmente não valia à pena.
Para quem não mora há tanto tempo como eu em Lima pode parecer uma reclamação chauvinista e preconceituosa, mas é só conversar com qualquer limenho e tenho certeza de que 10 entre 10 deles vão falar a mesma coisa. A “viveza” é disseminada e fica particularmente visível no trânsito de Lima, talvez um dos mais caóticos da América do Sul.
Mas imediatamente lembrei-me, já saindo do aeroporto em direção a minha casa, da sensação que tive quando, vindo de Brasília, cheguei ao Rio para visitar a minha mãe e irmãos. Eu realmente sou um carioca meio sui-generis porque a cada vez que regresso ao Rio de Janeiro mais aumenta meu estranhamento. Ë a cidade mais linda do mundo, onde vivem meus parentes mais próximos e os meus amigos de infância, e ainda assim não penso em voltar a morar lá. Hoje em dia até os provincianismos típicos de quem vive em uma cidade abençoada pela natureza me deixam irritado. Sem contar o clima quase irrespirável de violência a consome.
Por exemplo, entrei em um ônibus que estava cheio de lugares vazios. De repente entra um passageiro, um moleque de uns 20 anos com uma bolsa de plástico no colo, e vem se sentar justamente ao meu lado. O alarme começou a soar alto e a paranóia chegou a tal ponto que me levantei duas paradas depois, apertei a campainha e desci do ônibus. Exagero? Preconceito puro e simples? Pode ser, mas não posso negar que na “Horrível” Lima nunca tive esta sensação, e olha que já andei muito de ”micro” (as vãs ou peruas do transporte público que ajudam a aumentar o caos do transito limenho) por aqui.
Enfim, em definitivo nossa cidade é onde está nossa família. E estou muito feliz de estar de volta a casa.
