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O presidente globalizado November 5, 2008

Postado por tordesilhas em : Política , trackback

obama_08_1_a.jpgA globalização finalmente encontrou a sua cara, a sua personificação, e seu nome é Barack Obama. O presidente dos Estados Unidos, a nação mais globalizada do mundo, mulato, filhos de pais negros e brancos, com um pé literalmente na África, mas com uma infância na Indonésia, uma adolescência e juventude no Havaí, a vida adulta em Chicago, e um conhecimento profundo e genuíno do mundo pós-internet e das implicações desta nova era digital na construção de novos modelos de relacionamento e comunicação.

Barack Obama é também um predestinado, como devem ser todos os líderes que surgem para fazer história. Ele tem o background correto, a idade adequada, está no momento certo parta personificar o desejo de mudança que tomou conta da sociedade americana (e mundial) depois de oito anos desastrosos de Bush. Até a crise econômico-financeira mundial o beneficiou de alguma maneira.

Um presidente globalizado e predestinado que enfrentará nestes próximos quatro anos um desafio proporcional às suas ambições e ao momento que está inaugurando. De certa forma Barack Obama segue sendo um desconhecido, já que tem uma carreira política muito recente. Mas o que muitos de seus críticos apontam como uma desvantagem é talvez o seu maior capital. Se Obama juntar ao seu redor a gente correta e competente, como demostrou ser capaz de fazer, a parte da “concretização” estará relativamente bem resolvida, já que aí não existe muita margem para grandes invenções.

Mas o povo americano precisava agora de alguem capaz de catalisar seus sonhos, suas esperanças, em um momento de profunda desconfiança da classe política tradicional.  E isso não é para qualquer um. Não era para McCain, não era para Hilary Clinton. Era para Barack Obama, o homem certo, na hora certa.

Se houvesse eleição para presidente do planeta Terra ele já contaria com o meu voto. E pelo que vi das manifestações de jubilo mundo afora, desconfio que ele ganharia de lavada na maioria dos países.

Comments»

1. Ana - 5 November, 2008

Belo post Renato ! a unica ressalva que faço é o fato de você designar ele como mulato. Ele é afro-americano, black, mulato é uma categoria que se usa no Brasil pra dizer que a pessoa é metade branca, metade negra, mas nos EUA, o que vale é a one-drop, e mais do que isso é assim que ele se identifica como African American. Beijocas.

2. Renato Guimaraes - 5 November, 2008

Olá, Ana, obrigado. Realmente quando escrevi o texto pensei se usava mulato ou negro, mas voce está certa quando lembra que para os americanos nao têm conversa, ou como diz Caetano, “negro é negro, branco é branco, e a mulata nao é a tal”.
Um abraco,
Renato

3. Ana - 5 November, 2008

Tem uma discussao sobre o assunto lah no Alex Castro, aqui eu sei que vc usou de boa fé, mas tem povo lah dizendo que Obama nem negro é e essas coisas deploraveis. E parabéns pra nos, a vitoria foi linda e foi lindo ver a alegria e o orgulho das pessoas na rua hoje, principalmente dos mais velhos. A vitoria teve alguma repercussao entre os Afro-Peruanos ? Beijocas.

4. leila - 5 November, 2008

Também gostei bastante da sua análise.

5. Pinkareta - 11 November, 2008

Caro Renato,
Concordo que o Obama é o cara certo, no lugar certo, na hora exata! Acho que ser predestinado é isso mesmo. Na estória da humanidade, grandes homens são aqueles que saber reunir colaboradores em torno de um propósito. Não precisam ser super-homens, ninguém precisa.
um abraço

6. Gi - 14 November, 2008

Porque o Caê já canta “para americanos bicha é bicha, macho é macho, mulher é mulher, dinheiro é dinheiro e a mulata não é a tal”. Ainda acredito nisso. Eu acho que funciona bem no Brasil, mas como diz a música… lá não dá, porque eles são tão pragmáticos que com eles não há meio termo pra nada, né? Morro de vontade de conhecer os EUA, mas acho que não aguentaria morar lá. Uff. Parabéns ao Obama e ao seu ótimo texto, Renato.

7. Gi - 14 November, 2008

Ai, ai, nem vi tua resposta aí em cima. Bem, valeu repetir a música!