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Pelin, Biden e filmes de ação October 3, 2008

Postado por tordesilhas em : Política, Cultura , trackback

palin_biden.jpgEstava revendo no Youtube o debate entre os candidatos a vice-presidência dos Estados Unidos. Estou de acordo com a reflexão geral de que Sarah Palin não cometeu nenhuma das grandes gafes que se esperava dela, e isso por si só já é uma vitória. Também sem nenhuma dúvida Joe Biden foi melhor no geral, o que também já se esperava. Uma espécie de empate com a gangorra pendendo mais para o candidato democrata.

Agora, é impressionante a sensação que fica de que Palin é incapaz de falar por si mesma, de que se não fossem os famosos “talking points”, que ela repete até a exaustão, ela não seria capaz de juntar a com b para criar uma frase que tenha sentido e lógica. Ela fala numa espécie de linguagem de vídeo-game, no qual as palavras e frases vêm e vão sem muita coerência, de tal forma que deixa o ouvinte confuso e se perguntando exatamente o que ela quer dizer.

Neste contexto, a repetição que Palin faz de “idéias-força” se torna um recurso muito eficaz, porque para o ouvinte médio, ou ao menos para aqueles que se identificam com Palin, são o que sobra da confusão de suas frases. Por isso ela insistiu tantas vezes em usar a palavra “maverick” (independente) associada a MacCain, dando a entender que ele tem sua própria agenda, diferente da de Bush.

Biden várias vezes contra-argumentou de maneira clara que isto é simplesmente uma mentira, mas da tagarelice de Palin (perdão, mas não encontro uma maneira melhor de descrever sua maneira de falar) é essa idéia-força que acaba ficando, já que todo o resto é em geral incompreensível.

Filmes de ação
Isto me lembra muito a produção mais recente de filmes de ação de Hollywood. Normalmente um fio de história lhes dá algum sentido, reforçado por algumas “idéias força”, mas o que dá a “carne” são longas seqüências de imagens de ação, reforçadas por efeitos especiais, que deixam pouco, ou nenhum espaço, para a reflexão. A refilmagem do Speed Racer ou até mesmo a trilogia do Matrix (principalmente os filmes 2 e 3) são bons exemplos. A gente sai do cinema com os olhos cansados – e às vezes até maravilhados - pelas seqüências espetaculares, com a cabeça cheia de imagens, mas se pedir para explicar exatamente qual era o roteiro do filme, é muito difícil encontrar uma resposta. Esta é Palin.

Já Biden é definitivamente da “velha escola”, de políticos que construíram sua vida e reputação no calor dos debates parlamentares do dia-a-dia do Congresso. Ele mesmo repetiu várias vezes que tem 35 anos de trajetória e que ela fala por seu caráter e sua experiência. Sua maneira de falar durante o debate foi muito clara. Pôs a emoção quando era necessário, como quando mencionou a morte da primeira esposa e da filha. Os “talking points” para ele claramente eram uma base de apoio, não a essência de sua fala. Uma diferencia abismal com Palin.

Para continuar com a metáfora cinematográfica, Biden estaria mais para aqueles filmes de ação dos anos 60 e começo dos 70, que não abriam mão de cenas quentíssimas de ação, mas que não descuidavam do contexto em que aconteciam e traziam uma trama elaborada, em roteiros muitas vezes complexos, mas bem fáceis de entender pela platéia que se dispusesse a pensar um pouco mais.

Imediatamente vem à minha cabeça como exemplo o clássico “Operação França”, estrelado pelo Jene Hackman. Um filme violento, pesado, realista, cheio de cenas de ação e perseguição pelo ruas, mas que em termos de sofisticação intelectual está a anos-luz de qualquer refilmagem do Speed Racer Ou do Miami Vice. Ou se você prefere algo maias sofisticado, pode optar por “The Thomas Crown Affair”, o original, de 1969, com Steve McQueen e Faye Dunaway.

Enfim, pelas pesquisas feitas depois do debate, parece que o público deu mais crédito ao Biden, apesar de que Palin segue tendo muitíssimos fãs. A avant-premiere será daqui a algumas semanas, mas eu particularmente sigo na fila para comprar o bilhete para a super-produção Obama-Biden.

Comments»

1. Patricia - 5 October, 2008

É impressionante, mas tive a mesma impressão. E a imagem do cinema foi ótima. Desenhou direitinho as sensações que temos. Mas vi o debate revezando com o debate dos candidatos à prefeitura de Belo Horizonte e fiquei meio confusa. Achei a dinâmica da tv americana bem melhor que a nossa. O máximo de tempo que um candidato aqui tem para expôr suas idéias são dois minutos. Ninguém fala nada de série nesse tempo. Daí já mudam para outro tema e assim vai, até atingir o non sense absoluto. Lá, eles pelo menos tiveram mais tempo para discorrer sobre algumas idéias. Aqui é uma bobagem danada. As tvs brasileiras, tão criativas, poderiam já ter desenvolvido novas técnicas para conduzir o embate de idéias e não de frases, né?
abs