Libertação de Ingrid Betancourt pode ter sido comprada… July 4, 2008
Postado por tordesilhas em : Política , 3comentáriosÉ o que defende a Radio Suisse-Romande (RSR), uma das principais de língua francesa, em uma reportagem que foi ao ar umas horas antes da chegada de Ingrid Betancourt em Paris. A Rádio teria informação de uma fonte secreta segundo a qual os 15 seqüestrados teriam sido liberados mediante o pagamento de algo em torno de US$ 20 milhões. A “ação militar” não teria passado então de uma encenação para a mídia com o objetivo de fortalecer a imagem de Álvaro Uribe e sua política de “mano dura” contra a guerrilha.
As negociações teriam começado quando a mulher de Geraldo Aguillar, o líder do grupo que mantinha os reféns, foi capturada. Ela teria aberto um canal direto de negociações com o marido para que ele mudasse de lado. Esta negociação teria sido “azeitada” pelos Estados Unidos, interessados em libertar os três americanos detidos pelas FARC seriam agentes do FBI emprestados à DEA (Agencia Federal de Combate às Drogas).
A reportagem da Rádio chama a atenção para dois pontos da ação de libertação dos reféns que têm gerado muita controvérsia: não houve nenhum tipo de complicação militar durante a operação e ate agora não foi apresentada nenhuma imagem da ação de resgate. Normalmente este tipo de ação é filmado por um dos membros do comando que a realiza. A RSR pergunta: se a ação foi um sucesso, por que não divulgar suas imagens?
Até agora o governo colombiano não se pronunciou sobre esta história. Se for verdadeira, será um grande mico para o presidente Uribe, que passa por um momento político delicado. Na semana passada a votação do Congresso colombiano que lhe permitiu se candidatar a um segundo mandato foi questionada pela Corte Suprema do país. Teoria de conspiração, ou não, o fato é que a libertação de Ingrid Betancourt e dos outros 14 reféns veio mais do que a calhar para Uribe, como destaca a RSR no fim da sua reportagem. (more…)
Os biocombustíveis e a crise de preços dos alimentos July 4, 2008
Postado por tordesilhas em : Política , deixe teu comentário
O Guardian publicou no seu website uma reportagem sobre um relatório do Banco Mundial com o que seria o mais completo estudo feito até o momento sobre o impacto dos biocombustíveis na crise de preço dos alimentos. Segundo o relatório confidencial - não foi publicado oficialmente ainda pelo Banco Mundial - a contribuição dos biocombustíveis para o aumento global no preço dos alimentos chegaria a 75%, muito mais do que os meros 3% apontados pelo governo americano.
O Guardian teve acesso ao relatório, que foi finalizado em abril último, por uma “fonte secreta” insatisfeita com o fato de o Banco Mundial estar “cozinhando” o documento devido ao seu alto impacto político às vésperas da reunião do G8 no Japão, na qual um dos temas quentes será justamente o dos biocombustíveis. O Banco também estaria evitando bater de frente com o governo americano, que defende com unhas e dentes seu programa de biocombustíveis baseado no milho.
O relatório do Banco Mundial defende que a produção de biocombustíveis distorceu o mercado de alimentos de três maneiras. Em primeiro lugar, desviou os grãos usados na produção de alimentos, com mais de um terço do milho americano agora sendo usado para produzir etanol e cerca de metade dos óleos vegetais na União Européia indo para a produção de biodiesel. Em segundo lugar, os agricultores foram incentivados a reservar suas terras para a produção de biocombustível. Em terceiro lugar, deu origem à especulação financeira do preço dos grãos, resultando no aumento generalizado dos preços.
O documento do Banco Mundial vem à tona um pouco antes também do lançamento do relatório britânico sobre biocombustíveis (chamado Relatório Gallagher). Segundo o mesmo Guardian, este documento indicará que o uso de combustíveis baseados em vegetais contribuiu “de maneira significativa” para o aumento recorde nos preços dos alimentos. O relatório Gallagher deveria ter sido lançado há alguns dias, mas até agora não foi divulgado oficialmente.
O documento do Banco Mundial certamente será recebido com alegria pelo governo brasileiro, porque livra a cara do biocombustível produzido a partir da cana de açúcar, o qual, segundo o economista Don Mitchell, autor do relatório, não teve um “impacto dramático” no aumento dos preços dos alimentos.
O Assessor de Políticas de Oxfam Robert Bailey comentou o tema para a reportagem do Guardian: “Os líderes políticos parecem tentar reprimir e ignorar os fortes indícios de que os biocombustíveis são um fator importante nos últimos aumentos nos preços dos produtos alimentícios. É imperativo que tenhamos o quadro completo. Enquanto os políticos tratam de deixar felizes os lobistas das indústrias, as pessoas nos países pobres não são capazes de cobrir os custos da sua alimentação.”
O artigo do Guardian pode ser lido aqui.
