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Populismo criminoso June 18, 2008

Postado por tordesilhas em : Política , trackback

Esta história do assassinato dos três jovens do Morro da Providência, entregues pelo exército a traficantes rivais do Morro da Mineira está toda errada por onde quer que se olhe. O aspecto do crime em si parece que está encaminhado, com uma investigação sendo feita, culpados aparentemente encontrados e as promessas de praxe das autoridades de que não ficará impune. Mas o lado político é o mais esquisito, como muito bem comentou a Lúcia Hipólito no UOL.

Desde o começo me pareceu estranha esta história de se usar soldados e oficias do exército para basicamente atuar como pedreiros, pintores e marceneiros já que eles estão atuando na reforma de fechadas e tetos de casas da Providência. O Batalhão de Engenharia do Exército é reconhecido por sua competência para fazer obras mais estratégicas, como pontes e estradas, ou até atuar em emergências humanitárias, apoiando populações afetadas por enchentes, por exemplo. Mas nunca tinha ouvido falar que eles atuassem em tarefas mais comezinhas e que de estratégicas não têm nada, aparentemente.

A Lúcia Hipólito põe o dedo na ferida quando diz textualmente que o exército foi “privatizado” para atender aos interesses eleitoreiros do Senador Marcelo Crivella, candidato à prefeitura do Rio. Ele é o “pai” do projeto “Cimento Social”, cujo título, por si só, cheira à naftalina das ações paternalistas, clientelistas, populistas, eleitoreiras e sem-vergonha que pululam desde sempre nas favelas e periferias do Brasil. Pelo projeto, 782 casas da Providência serão reformadas, ou melhor dizendo, receberão uma “garibada”.

O que ninguém sabia, pelo que registra uma reportagem do jornal O Globo, é que a tal reforma seria coordenada por homens do exército, que também seria responsável pela segurança dos trabalhadores. Os problemas começaram desde aí, porque os moradores que já haviam se cadastrado para receber a tal reforma começaram a recuar quando se deram conta de que teriam suas casas associadas ao exército, em uma favela dominada pelo tráfico.

Segundo a Lúcia Hipólito o Comando Militar do Leste já havia dado um parecer contrário à participação do exército na empreitada. Mas os interesses políticos falaram mais alto e o Ministério das Cidades, que encampou a iniciativa de Marcelo Crivella, assinou um convênio com o Ministério da Defesa para levar o projeto adiante. Pesou muitíssimo o fato de Crivella ser do mesmo partido do vice-presidente José Alencar e um apoiador fidelíssimo do Presidente Lula.

Ou seja, o mesmo joguinho político de sempre. Só que dessa vez o Exército acabou caindo, aparentemente contra a vontade, na arapuca. Na mesma reportagem do Globo o parente de um dos militares que atuam no Morro da Providência diz que existe mesmo um acordo entre os militares e os traficantes locais para que as equipes sigam atuando no local.

Este “acordo” ficou claro na ação criminosa que culminou na entrega dos três jovens aos traficantes da Favela da Mineira. Como diz Lucia Hipólito o aspecto criminal aparente se resolverá de alguma maneira. Mas a responsabilidade política ficará com quem?

Comments»

1. Mi - 24 June, 2008

otimo resumo dos acontecimentos. Eu peguei a historia ja andando e tb nao tinha entendido pq diabos o exercito estava no morro da providencia. Agora as coisas vao ficando mais claras. Agora o que eu me pergunto, é se o exercito realmente “caiu na arapuca” como vc disse. Pra mim de bobo o exercito nao tem nada. O que eles estarao ganhando com isso a gente nao sabe. bjs!

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