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Criminosos em pele de cordeiro May 29, 2008

Postado por tordesilhas em : Geral, Política , 6comentários
“Eu e meus amigos estávamos caminhando ao lado do Palácio Nacional uma noite quando nos deparamos com dois trabalhadores humanitários. Os homens nos chamaram e mostraram seus pênis para nós. Eles nos ofereceram 100 gourdes haitianos (R$ 4,70) e um pouco de chocolate se os chupávamos. Eu disse que não, mas algumas das meninas os chuparam e ganharam o dinheiro”.

savethechildren.jpgEste impressionante testemunho de uma menina haitiana de 15 anos de idade é um entre vários registrados no corajoso relatório “No one to turn to” (algo como “Ninguém a quem recorrer”), lançado esta semana pela ONG britânica Save the children. O documento revela como crianças e adolescentes, principalmente meninas, vivendo em países e regiões afetadas por conflitos ou desastres naturais têm sido objeto sistemático de abusos sexuais de todo tipo, incluindo estupros, perpetrados por quem deveria protegê-las, ou seja, por funcionários de agências humanitárias.

A acusação não é nova. Em dezembro de 2006 a ONU organizou uma conferência de alto nível para reafirmar o compromisso das agências ligadas às Nações Unidas e ONGs humanitárias de desenvolver ações sérias para atacar o problema. Mas o novo relatório mostra que além de os abusos persistirem, há um verdadeiro muro de silêncio, tanto por parte das vítimas como por parte das mesmas agências internacionais que estariam falhando na sua missão de evitar estes casos.

Abusos de todo tipo
Para o documento foram organizados 38 focus groups com crianças, familiares e funcionários de agências humanitárias. Os pesquisadores também fizeram visita de campo a três regiões particularmente afetadas por casos de abuso sexual: Costa do Marfim, Haiti e o sul do Sudão.

A investigação mostra que se cometem os mais diversos tipos de abuso sexual contra as crianças e adolescentes. Isto inclui sexo forçado ou “consentido” em troca de comida ou presentes, abuso verbal, prostituição infantil, escravização sexual e até tráfico de crianças para exploração sexual. O relatório lembra que todas as formas de contato sexual com crianças são ilegais, mesmo que elas tenham dado seu consentimento, mas seus autores trataram de distinguir o sexo feito à força daquele feito pelas crianças e adolescentes por falta de opções de sobrevivência ou por ignorância dos seus direitos. (more…)