Jogando gasolina no fogo islâmico March 28, 2008
Postado por tordesilhas em : Política , trackbackUPDATE: O website LiveLeak tirou do ar o vídeo Fitna alegando sérias ameaças ao staff. No seu lugar, deixou uma declaração pública explicando as razões da retirada e dizendo que este é um “triste dia para a liberdade de opinião”. O filme ainda está no YouTube, aqui.
Ontem foi lançado na Holanda o documentário “Fitna”, uma inacreditável peça de propaganda anti-islâmica que promete causar tanta ou mais polêmica e protestos do que as famosas caricaturas do profeta Maomé. O diretor do comentário se chama Geert Wilders e é um membro ultra-conservador do parlamento holandês. Há semanas ele havia anunciado que o seu trabalho pretendia expor a “natureza fascistóide do Islã” e em uma entrevista ele chamou o Corão de “Mein Kampf islâmico”.
Como tudo isso, se pode ter uma idéia do conteúdo do documentário de 15 minutos, cujo titulo “Fitna” é a palavra em árabe de difícil tradução que, segundo a wikipedia, pode ao mesmo tempo significar cisma, secessão, convulsão e anarquia. É realmente uma peça anti-islâmica que demoniza todo uma cultura e sistema de valores pelo uso selecionado de imagens e declarações de líderes radicais. A idéia é mostrar que o islamismo é intrinsecamente anti-democrático, violento e incompatível com os valores ocidentais.
Para provar sua tese, Wilders seleciona imagens fortíssimas de ações terroristas do radicais islâmicos, como os ataques às Torres Gêmeas e às estações de trem em Madri, gays sendo enforcados, discursos bombásticos de líderes islâmicos, o assassinato do cineasta holandês Theo Van Gogh por um radical islâmico, vítimas de terroristas iraquianos tendo suas cabeças cortadas e por aí vai. Tudo isto entremeado pela leitura de suras selecionadas do Corão que aparentemente justificam o sangue derramado dos “infiéis”.
A mensagem final do vídeo não deixa margem a dúvidas. Diz claramente: “Em 1945, o Nazimo foi derrotado na Europa. Em 1989, o Comunismo foi derrotado na Europa. Agora é a vez de o islamismo ser derrotado”.
Evidentemente o governo holandês está preparado para possíveis ondas de protestos contra esta peça de estímulo ao ódio. Geert Wilders claramente que jogar gasolina na fogueira, possivelmente como parte de uma estratégia do “quanto pior, melhor”. Todas as cidades com grande população islâmica têm preparados dispositivos para enfrentar possíveis distúrbios e as autoridades locais foram estimuladas a dialogar com os líderes islâmicos locais para tentar evitar possíveis manifestações violentas. O mesmo vale para as embaixadas holandesas nos países islâmicos e até planos de evacuação de cidadãos holandeses já estão preparados.
O fato é que até o momento as reações ao documentário tem sido relativamente tímidas e limitadas a protestos formais de líderes islâmicos de diferentes países. Na Indonésia, o país com maior população islâmica no mundo, o ministério das relações exteriores declarou que o filme “é enganoso e racista”, que “Wilders havia abusado de sua liberdade de expressão” e que “seu filme deixa ainda mais difícil o diálogo entre as religiões”.
As declarações de outros líderes islâmicos vão na mesma linha, até agora. Mas não será surpresa se o clima esquentar ainda mais nas próximas semanas na medida em que o vídeo seja mais visto (já está na web) e que líderes radicais o usem para estimular sua retórica anti-ocidental. Reações radicais como esta cairão como uma luva para reforçar a visão política de Geert Wilders que meses atrás tentou propôs uma lei no parlamento holandês para simplesmente banir o Corão pelas suas “tendências fascistóides”. Sua retórica encontram algum eco na Holanda, já que o partido que ele criou em 2004, depois de sair do Partido Liberal, conseguiu nove cadeiras no parlamento (que tem 150, no total).
Para quem estiver interessado, o vídeo pode ser visto neste link.

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