Lima segue movida… March 29, 2008
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A terra tremeu aqui em Lima de novo. Primeiro nesta madrugada de sábado, com uma intensidade de 4.3 na escala Richter. Depois de novo esta manhã, com uma intensidade maior, de 5.8 Richter. Durou uns 15 segundos e o edifício onde moramos se mexeu todo, como uma geléia. Corremos para o corredor, perto dos elevadores, para esperar passar, porque a sensação foi bem forte, já que o tremor foi a uns 24 kms da costa de Lima. Um susto enorme, mas já passou (por enquanto). Aparentemente não houve maiores conseqüências, a não ser alguns deslizamentos de pedras.
Jogando gasolina no fogo islâmico March 28, 2008
Postado por tordesilhas em : Política , deixe teu comentárioUPDATE: O website LiveLeak tirou do ar o vídeo Fitna alegando sérias ameaças ao staff. No seu lugar, deixou uma declaração pública explicando as razões da retirada e dizendo que este é um “triste dia para a liberdade de opinião”. O filme ainda está no YouTube, aqui.
Ontem foi lançado na Holanda o documentário “Fitna”, uma inacreditável peça de propaganda anti-islâmica que promete causar tanta ou mais polêmica e protestos do que as famosas caricaturas do profeta Maomé. O diretor do comentário se chama Geert Wilders e é um membro ultra-conservador do parlamento holandês. Há semanas ele havia anunciado que o seu trabalho pretendia expor a “natureza fascistóide do Islã” e em uma entrevista ele chamou o Corão de “Mein Kampf islâmico”.
Como tudo isso, se pode ter uma idéia do conteúdo do documentário de 15 minutos, cujo titulo “Fitna” é a palavra em árabe de difícil tradução que, segundo a wikipedia, pode ao mesmo tempo significar cisma, secessão, convulsão e anarquia. É realmente uma peça anti-islâmica que demoniza todo uma cultura e sistema de valores pelo uso selecionado de imagens e declarações de líderes radicais. A idéia é mostrar que o islamismo é intrinsecamente anti-democrático, violento e incompatível com os valores ocidentais.
Para provar sua tese, Wilders seleciona imagens fortíssimas de ações terroristas do radicais islâmicos, como os ataques às Torres Gêmeas e às estações de trem em Madri, gays sendo enforcados, discursos bombásticos de líderes islâmicos, o assassinato do cineasta holandês Theo Van Gogh por um radical islâmico, vítimas de terroristas iraquianos tendo suas cabeças cortadas e por aí vai. Tudo isto entremeado pela leitura de suras selecionadas do Corão que aparentemente justificam o sangue derramado dos “infiéis”.
A mensagem final do vídeo não deixa margem a dúvidas. Diz claramente: “Em 1945, o Nazimo foi derrotado na Europa. Em 1989, o Comunismo foi derrotado na Europa. Agora é a vez de o islamismo ser derrotado”.
A Vogue e o King Kong March 24, 2008
Postado por tordesilhas em : Cultura , 29comentáriosUma polêmica das boas está chacoalhando o mundo da alta-moda nos Estados Unidos: a edição americana da revista Vogue está sendo acusada de reforçar velhos estereótipos raciais na capa deste mês, que trás o astro afro-americano de basquetebol LeBron James com o braço ao redor da cintura de Giselle Bünchen. Esta é a terceira vez na história da Vogue americana que um homem sai na sua capa (segundo a Time, nas vezes anteriores estiveram Richard Gere e George Clooney). Mas, como registra o Guardian, o que seria motivo de “comemoração” para a comunidade afro-americana está gerando protestos, já que a foto, tirada por Annie Leibovitz, lembra muito o cartaz clássico do filme King-Kong, de 1933.
Na capa da Vogue o astro do Cleveland Cavalliers aparece com uma pose agressiva, ao parecer entoando um grito de guerra, enquanto a super-modelo meio que flutua para fora de seus braços. Apesar do sorriso, como lembra o Guardian, a cara de Gisele Bunchen é a de alguém que “poderia estar em outro lugar”.
A “semelhança” entre a foto e o cartaz do filme King Kong vem provocando cada vez mais indignação na comunidade afro-americana. Um blogueiro citado pelo Guardian toca direto no ponto: “LeBron está justo ali perpetuando o estereótipo que ajudou a escravizar, linchar e matar a milhares dos nossos homens negros durante séculos…” A revista obviamente nega qualquer intenção racista em sua capa. Um porta-voz até lembrou que atualmente não há ningupen mais “fashion” na indústria da moda que LeBron e Bünchen.
Mas o fato concreto, como lembra a reportagem do Guardian, é que nas únicas vezes anteriores em que um homem apareceu na capa da Vogue, eles foram retratados de maneira muito deferente de LeBron: Gere e Clooney aparecem respectivamente em 1992 e 2000. Ambos posaram ao lado de super-modelos: o primeiro com Cindy Crowford e o segundo com a mesma Gisele Bünchen. Aí morrem as semelhanças com LeBron, já que em ambos casos os atores foram mostrados em posição “sexy” e “estilosa” ao lado de suas companheiras de foto.
Pode ser que realmente a equipe da Vogue não tenha tido nenhum intenção racista. Afinal seria natural retratar um esportista em uma posição que lembre o seu trabalho, daí que um grito de guerra na boca de um jogador de basquete não é tão fora do contexto assim. Mas não há dúvida de que deveriam ter tido mais sensibilidade ao preparar a foto. E eu acho, sim, que mesmo de forma não intencional, a imagem reflete os estereótipos racistas que estão no inconsciente dos editores da revista (e de boa parte de seus/suas leitoras também.
Um discurso histórico March 18, 2008
Postado por tordesilhas em : Política , 4comentáriosUPDATE: A Izabella, do blog Inside, deu a dica para a tradução para o português do discurso do Obama. Está aqui.
Barack Obama deu hoje um discurso em Filadélfia que deverá entrar para a história. Em “A more perfect Union”, como o discurso foi batizado, o tema de fundo foram as relações raciais nos Estados Unidos. Pela primeira vez em sua campanha ele tocou no tema com a profundidade devida, e não deixou praticamente nada de fora. Falou sobre o ressentimento histórico entre brancos e negros e enfrentou de frente a controvérsia causada pelo reverendo Jeremiah Wright, pastor da sua congregação e amigo pessoal de longa data, cujas explosivas declarações contra o racismo nos Estados Unidos foram divulgadas esta semana no Youtube. O candidato revisitou sua própria herança pessoal, representada pela multi-culturalidade da sua família, para mostrar que “em nenhum outro país do mundo sua história seria possível”.
Uma peça de oratória tão elaborada, verdadeira e sofisticada, embora de simples compreensão, que por si só posiciona a Barack Obama como um dos maiores oradores americanos de todos os tempos, sem exagero. Se será um bom presidente, caso eleito, é outra história. Mas sem dúvida ele passa um grau de convicção extraordinário. A transcrição do discurso pode ser lida aqui. É interessante lê-la enquanto se assiste o discurso (veja abaixo).
A seguir dois trechos que resumem as idéias gerais do candidato:
For the African-American community, that path means embracing the burdens of our past without becoming victims of our past. It means continuing to insist on a full measure of justice in every aspect of American life. But it also means binding our particular grievances – for better health care, and better schools, and better jobs - to the larger aspirations of all Americans — the white woman struggling to break the glass ceiling, the white man whose been laid off, the immigrant trying to feed his family. And it means taking full responsibility for own lives – by demanding more from our fathers, and spending more time with our children, and reading to them, and teaching them that while they may face challenges and discrimination in their own lives, they must never succumb to despair or cynicism; they must always believe that they can write their own destiny.
In the white community, the path to a more perfect union means acknowledging that what ails the African-American community does not just exist in the minds of black people; that the legacy of discrimination - and current incidents of discrimination, while less overt than in the past - are real and must be addressed. Not just with words, but with deeds – by investing in our schools and our communities; by enforcing our civil rights laws and ensuring fairness in our criminal justice system; by providing this generation with ladders of opportunity that were unavailable for previous generations. It requires all Americans to realize that your dreams do not have to come at the expense of my dreams; that investing in the health, welfare, and education of black and brown and white children will ultimately help all of America prosper.
Gente de Ouricuri March 13, 2008
Postado por tordesilhas em : Cultura, Brasil , deixe teu comentárioComo falei no post anterior, estive na semana passada em Ouricuri, no agreste pernambucano, distante uns 620 quilômetros de Recife, visitando os programas da ONG Caatinga, parceira da Oxfam na região. Em outro post falo mais sobre o trabalho deles. Neste texto queria me concentrar em apresentar alguns personagens que eu conheci nesta visita. Basta clicar na foto para ver uma versão maior.
São Paulo ainda vai parar! March 11, 2008
Postado por tordesilhas em : Brasil , 1 comentário até agora
Já estou de volta ao Peru depois de um périplo de duas semanas pelo nordeste brasileiro, que rendeu boas fotos e histórias, os quais logo vou postar aqui no blog. Por agora, apenas um retrato cabal da loucura em que está se transformando o trânsito de São Paulo, de onde peguei o avião para Lima. Eu passei por Sampa apenas dois dias, na volta de Recife, e para facilitar a vida tinha deixado a minha mala no serviço de Malex do aeroporto de Guarulhos.
Todos os dias eu via nos telejornais reportagens sobre os cada vez mais longos engarrafamentos da cidade. Por isso mesmo decidi sair da casa do meu cunhado, na Mooca, onde estava ficando, para o aeroporto de Guarulhos, com mais de 3 horas de antecipação (e isso que eu já havia feito o checkin online). Pois bem, claro que não adiantou nada. Fiquei retido num desses engarrafamentos-monstro, que fazem a delícia dos repórteres aéreos das TVs.
O trânsito simplesmente não andava, ou melhor, andava a passa de tartaruga. Eu via os minutos passando com um crescente desespero. Olhava para frente e a fila de veículos era interminável. As minhas três horas se passavam e eu já antecipava que iria perder o vôo. Acabei chegando exatamente às 19:00, quando devia estar na sala de embarque às 19:20.
Para não perder o vôo, simplesmente resolvi deixar a minha mala no serviço de Malex; não teria tempo de ir recolhê-la. Esta tarefa vai sobrar para o cunhadão (que, afinal, é parente!). Viajei apenas com a bagagem de mão, mas cheguei.
A minha mala, com toda a minha roupa, sapatos, materiais de leitura e até o presente do Mateus? Essa, só da próxima vez que voltar para o Brasil. Dessa vez, serei mais cuidadoso e sairei para o aeroporto com 5 horas de antecipação! Isso é São Paulo.
Móveis Coloniais de Acaju March 2, 2008
Postado por tordesilhas em : Cultura , deixe teu comentárioAnotem o nome: Móveis Coloniais de Acaju. Não se trata de uma de uma loja de artigos de mobília, como poderia sugerir. Trata-se de um grupo de representantes da mais nova safra de bandas geradas em Brasília e que seguem botando o planalto central na linha de frente das novidades musicais. A primeira vez que ouvi falar deles foi quando se apresentaram em um dos especiais da Globo do ano passado, neste caso em homenagem ao Raul Seixas. Na minha opinião foi o melhor da série de programas e a rapaziada do Móveis Coloniais fez a diferença. O grupo existe desde 1998 e já lançou dois discos, os ótimos “Idem” e “EP”. É difícil definir o tipo de som que fazem, uma mistura de Los Hermanos com Chico Science e pitadas de rock Brasil. Enfim, tem de escutar. O site deles tem músicas, vídeos e mais informação. Abaixo tem uma amostra grátis: a faixa “Copacabana”.

