Carnaval no Peru February 2, 2008
Postado por tordesilhas em : Cultura , trackback
O carnaval chegou e aqui em Lima, não fosse pela Globo Internacional transmitir os desfiles, a gente nem ia sentir. Fica parecendo que não existe carnaval no Peru, o que está longe da verdade. É um fato que em Lima não tem bloco, desfile de rua, nem gente fantasiada. O máximo é a molecada molhando com água, ou outros líquidos menos nobres, os transeuntes inadvertidos. Geralmente enchem um saco ou um balão de inflar com o líquido e jogam na pessoa. Isso muitas vezes acaba gerando confusão e brigas, lembrando muito os “entrudos” do Rio de Janeiro colonial. Mas, como ia dizendo, o Peru tem uma rica e interessante tradição carnavalesca, muito diferente da nossa, e que vale a pena conhecer. A seguir um pouco de três principais tradições: de Cajamarca, Ayacucho e da região amazônica.
Carnaval em Ayacucho
A cidade de Ayacucho fica no sul do Peru, na região andina, a 2.700 metros de altitude, e fica no departamento de mesmo nome que é o mais pobre do país e o que mais sofreu nos anos de atuação da guerrilha do Sendero Luminoso. A mistura de tradições trazidas pelos colonizadores espanhóis com as herdadas dos habitantes originais (incluindo as provenientes do império inca) criou um clima de celebração, música e danças que são praticamente desconhecidas no Brasil. As celebrações ayacuchanas têm muita cor e começam na quinta-feira anterior ao carnaval, com os ensaios das bandas de música e grupos de dança (chamados de “comparsas”).
No sábado de carnaval é celebrada na praça principal da cidade a “velación de los santos”, com os participantes oferecendo aos santos guirlandas enfeitadas com flores, frutas, balões, serpentinas etc. No domingo começa a festa propriamente dita, com os desfiles das “comparsas”, cada uma vestindo seus trajes típicos. As mulheres normalmente tocam um tambor pequeno chamado “tinya” ao mesmo tempo em que declamam poemas satíricos. Os homens, por sua vez, tocam um tipo de flauta típica, chamada “quena”, violões e apitos. Junto com os desfiles as pessoas se divertem de diversas maneiras, jogando água, talco, serpentinas, urtigas e até frutas uns nos outros.
Outra característica interessante em algumas regiões de Ayacucho é a prática de competições de força e resistência. Por exemplo, o “sequllunakuy”, com os homens dando chicotadas nas batatas da perna e depois jogando álcool em cima. Algo mais lírico é o “sacha kuchuy”, ou “corta árbol”, no qual os participantes dançam ao redor de uma árvore, bebem e cantam músicas satíricas. Um dos pratos tradicionais do carnaval ayacuchano é a “puka picante”, um picadinho de carne de porco acompanhado de batata cozida em um molho feito de amendoim, pimenta vermelha e outros condimentos, tudo servido com arroz, ovo cozido e salsinha picada sobre o prato.
A festa em Cajamarca
A cidade de Cajamarca está localizada na região andina no norte do Peru, a 2.500 metros de altitude, e é considerada a capital do carnaval peruano. As celebrações começam com umas duas semanas de antecipação; oito dias antes do domingo de carnaval os organizadores e autoridades municipais anunciam a chegada do Rei Momo (também chamado de “Ño Carnavalón”). Diferentemente do Brasil, o Rei Momo não é representado por uma pessoa, mas sim por um boneco gigante que vem na frente de um grande desfile, no qual as pessoas dançam, cantam e jogam água e talco umas nas outras.
No domingo de carnaval dois diferentes tipos de grupos desfilam pelas ruas da cidade: as “patrullas” e as “comparsas”. As primeiras são formadas geralmente por jovens fantasiados de animais, palhaços, borboletas etc… As “comparsas”, por sua vez, têm de seguir um tema específico. Todas as atividades, incluindo concursos de danças, de beleza, bailes de fantasia, são presididas pelo Rei Momo.
Na segunda de carnaval, que é feriado em Cajamarca, acontece um grande desfile, juntando as comparsas, patrullas e população em geral. A festa segue pelo dia e só termina na manhã da terça. Neste dia o Rei Momo “morre” repentinamente e é “velado” durante a tarde e a noite. Na manhã da quarta-feira de cinzas o Rei Momo é “enterrado”. Durante o seu enterro é lido um “testamento” no qual são expostos publicamente os podres das autoridades e pessoas conhecidas da cidade. Com isso termina o carnaval em Cajamarca e a população já pode se preparar para a quaresma. Na zona rural a festa é mais tranqüila. Como coincide com o período de florescimento de frutas e plantas, as celebrações são muito associadas à fertilidade e é nesta época que muitos casais resolvem se casar.
Na selva…
O carnaval na selva peruana varia bastante de cidade para cidade. Uma tradição muito interessante é a de Rioja, no departamento de San Martín, onde o “Ño Carnavalón” é representado por um homem com uma fantasia bem chamativa que passeia pela cidade a cavalo, seguido por um séqüito fantasiado de “diabos”. Quando ele “morre”, na noite da terça-feira de carnaval, suas “viúvas” (homens vestidos de mulher) disputam sua herança. Na verdade, tudo não passa de uma desculpa para ler o seu “testamento”, no qual senta o pau nas autoridades e pessoas importantes da cidade. O “enterro”, que acontece na manhã da quarta-feira de cinzas, é seguido de um desfile.
E aqui em Lima… Bom, como falei no começo do texto, a cidade não é conhecida precisamente pelo seu carnaval ou sua alegria. O jeito vai ser tentar escapar dos banhos de água no caminho de ida e volta para o trabalho (já que não tem feriado aqui) e acompanhar os desfiles das escolas de samba pela Globo.
Aí embaixo um vídeo do Youtube com imagens do carnaval em Rioja. É o desfile dos “diablos”, com suas máscaras características, e das “viúvas” tirando um sarro dos espectadores.

Comments»
Peru pais lindo!So de pensar na beleza que tem o Brasil e America Latina!Peru amigo do Brasil,cultura indigena belissima!A floresta brasileira vai dentro do Peru e logo se torna uma so.Toda cultura tem seu valor entao respeitem a cultura indigena.Nunca tive no Peru mas leio sobre diferentes culturas e estou cada vez mas conciente que sem respeito pela nossa cultura nunca chegaremos a uma melhor qualidade de vida.E dever de todo cidadao exigir democracia em seu pais de origem.Politico bom fica o que nao e bom sai.Brasileiros abram os olhos o Brasil nao tem defeitos so foi mal administrado ao longo dos anos por politicos incompetentes.Eu Penso que agora esta melhor e espero que melhore muito mas,afinal temos um politico do povo que se chama o senhor Luis Inacio da Silva.Espero que toda latina America os politicos sejam do povo para o povo.Isso e democracia e nao politicos para so uma classe de privilegiados,chega de conversa fiada.De Cristina Izabel Seabra (Pernambucana da cana caiana)
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