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Tecnobrega e Perreo January 16, 2008

Postado por tordesilhas em : Cultura , trackback

A cada vez que volto ao Brasil aproveito para comprar duas das que considero as melhores revistas do país ultimamente: Rolling Stones e Piauí. Cada uma no seu estilo, acho que representam o que há de mais interessante e diverso no no jornalismo brasileiro atual. A Rolling Stone de janeiro está particularmente interessante, com um conjunto de análises sobre os cinco anos de Lula no poder, um texto sobre minas terrestres na América Latina e uma reportagem excelente, assinada por Vladimir Cunha, sobre o tecnobrega, “versão rasteira e eletrônica da música brega dos anos 70 e 80, envenenada com loops de bateria e efeitos sonoros”. Até jogos eletrônicos, como Mortal Kombat, entram na jogada.

Segundo a revista, o tecnobrega é sucesso absoluto entre os jovens pobres nas periferias paraenses e alimenta toda uma indústria invisível de produtores e DJs de fundo de quintal, CDs piratas e shows movidos a luz potente, efeitos especiais, som no limite da insanidade a uma disputa acirrada entre as equipes musicais. Um dos clássicos absolutos do tecnobrega é a música “Chupa Paula”, escrita por Marlon Branco (!!), cuja inacreditável letra  tem os seguintes versos singelos no seu refrão: “Chupa chupa paula / Mete o pau e mete a máquina / Chupa safadinha e vem pra cá vem dançar”. A letra completa está aqui. E a música pode ser escutada aí embaixo.

 Dj Rubensâ„¢ - Chupa Paula

Este movimento musical do Pará me lembra muito outro ritmo que alucina os bailes de periferia de grande parte das cidades em vários países latino-americanos. É o “perreo”, uma variante do “reggaeton”, que lota os salões com jovens dançando de forma sensual (e sexual), deixando os críticos, pais de família e religiosos de cabelo em pé. Assim como o funk carioca, o perreo já deixou a periferia e é dançado até em festas de classe média branca. O nome da dança se refere ao fato de que os dançarinos imitam a posição sexual do cachorros (perros, em espanhol) com a mulher inclinando o corpo até ficar de quatro e esfregando-se no parceiro.

Em outra semelhança com o funk e o tecnobrega, o reggaeton/perreo mobiliza uma enorme indústria invisível de CDs piratas, shows lotados por milhares de jovens de ´periferia, artistas que despontam para o anonimato na mesma velocidade em que seus sucessos nascem, são escutados, dançados e esquecidos na estação seguinte.

Para dar um saber do perreo a quem não o conhece, escutem abaixo um clássico de K Mill chamado Mételo Perreo:

 K Mill - Métele Perreo

No YouTube tem vários vídeos mostrando o um baile típico de perreo. Vejam um abaixo. É isso mesmo que vocês vão ver. Já vi gente dançando mais ou menos asim (mas menos radical) até em festa de empresa.

Comments»

1. maray - 18 January, 2008

uau! Tem que fazer campanha rápido pro uso de camisinha nessas danças…
Só não entendi a tua observação sobre festa de empresa…já vi cada uma que vou te contar!
abração