El olvido que seremos… October 15, 2007
Postado por tordesilhas em : Cultura , trackback
Polêmicas literárias são sempre interessantes. Na Colômbia agora tem uma que envolve Jorge Luis Borges e um dos livros mais vendidos no país, que relata a história de vida e morte de um conhecido ativista dos direitos humanos. O mote da polêmica é o soneto “Epitáfio”, atribuído ao mestre argentino, que foi encontrado no bolso do conhecido sanitarista Héctor Abad Gómez no dia em que este foi assassinado, 20 anos atrás. Seu filho, o escritor Héctor Abad Faciolince, foi quem encontrou o poema manuscrito e o reproduziu no excelente e emocionante livro “El olvido que seremos”, no qual faz um relato pessoal de sua relação com o pai. O tal poema está reproduzido abaixo, mas o que interessa aqui é o fato de que na verdade ele não foi escrito por Borges e a sua autoria alimenta a polêmica a que me refiro.
Na verdade, o poema em questão aparentemente foi escrito pelo poeta colombiano Harold Alvarado Tenorio e publicado em 1993 na revista Números. O problema é que Héctor Abad Gomes morreu em 1987, portanto seis anos antes. Como poderia, então, o poema ter sido encontrado no seu bolso se só teria sido publicado anos depois? O escritor Hector Abad Faciolince até considerou a possibilidade de que a sua memória lhe estivesse pregando uma peça. Mas ele se lembrou que havia escrito um artigo para o suplemento dominical de um jornal de Medellin em novembro de 1987 sobre o pai no qual está a reprodução do soneto.
Até o editor William Ospina, um dos maiores especialistas na obra de Borges, entrou na polêmica. Ele diz que o tal soneto não está entre as obras conhecidas do mestre argentino, mas reconhece no poema todos os elementos borgianos. No fim, ele prefere uma explicação quase mística, na qual o soneto poderia, sim, ter sido escrito seis anos de ter sido escrito…. Mais borgiano, impossível.
Um resumo desta história pode ser lido aqui e aqui. O soneto esta aí embaixo.
Ya somos el olvido que seremos.
El polvo elemental que nos ignora
y que fue el rojo Adán y que es ahora
todos los hombres y que no veremos.
Ya somos en la tumba las dos fechas
del principio y el término, la caja,
la obscena corrupción y la mortaja,
los triunfos de la muerte y las endechas.
No soy el insensato que se aferra
al mágico sonido de su nombre;
pienso con esperanza en aquel hombre
que no sabrá que fui sobre la tierra.
Bajo el indiferente azul del cielo
esta meditación es un consuelo.

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