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Terremoto no Peru - Chegando até aqueles que mais precisam August 20, 2007

Postado por tordesilhas em : Geral , 4comentários

Eram umas 3:15 da tarde, hora de Lima de um domingo cinzento. Eu estava começando a escrever um novo texto para o website da Oxfam, quando o monitor do computador começou a tremer. Uma outra réplica estava chegando. Segui as instruções de segurança e permaneci calmo. Fiquei olhando para a minha mesa enquanto esperava o tremor parar. Mas, como na última quarta-feira, em vez de terminar rapidamente, comecei a ouvir um ruído que era difícil de descrever. Era como um som de tambores sendo batidos firmemente, mas bem baixinho. O movimento aumentou mais ainda e eu já podia sentir o edifício inteiro se agitando, delicadamente, mas se agitando. Então, assim como começou, o tremor, que alcançou 5.7 de intensidade, acabou, deixando o meu coração batendo furiosamente . 

Esta tem sido a nossa rotina nos últimos cinco dias. Mais de 400 réplicas seguiram o terremoto, a maioria delas demasiado fracas para ser percebidas. Mas diariamente acontecem ao redor de três a quatro que são sentidas. Isto aumenta a quantidade de estresse que as pessoas têm de enfrentar todos os dias.

donations_lima01a.jpgVanessa e Mateus voaram para o Brasil no sábado de noite e vão ficar por lá pelo menos por uma semana. Mateus, com seus 5 anos, ainda está traumatizado. Não pára de falar sobre o terremoto, fica nervoso com cada movimento ou som diferente, não está se alimentando bem e a todo momento quer sair do nosso apartamento. Conversamos com os pais de seus colegas na escola e todos disseram que suas crianças estão tendo o mesmo comportamento.

Naturalmente nosso estresse não é quase nada comparado ao que as pessoas afetadas no sul de Peru estão sofrendo agora. A ajuda está chegando de diferentes fontes, dos governos nacional e internacionais, das organizações multilaterais, das agências humanitárias e das pessoas comuns no Peru. A tragédia mobilizou o espírito do solidariedade dos peruanos. Há postos para recolher doações em todo o país. 

Mas ainda há problemas de coordenação da distribuição da ajuda no nível local e quem vive na periferia das cidades e nas zonas rurais tem dificuldades para receber as doações. Esta é uma das razões que levaram a Oxfam a concentrar nossa resposta humanitária nestas áreas.

DSCN1398a.jpgUmas poucas horas depois do terremoto nossa equipe humanitária já estava em Pisco, a cidade mais afetada, para avaliar a situação e tomar uma decisão sobre como fazer o melhor uso dos nossos recursos. Muito rapidamente fomos capazes de mobilizar uma equipe dos especialistas para avaliar a situação. Ao mesmo tempo levantamos o dinheiro inicial de  diferentes fontes para fornecer imediatamente abrigo, água e saneamento a 2.000 famílias nos arredores de Pisco e nas áreas rurais.

Nossa equipe de funcionários humanitários que está em campo precisa lutar contra o estresse das réplicas, que são sentidas muito mais fortes lá do que em Lima, as condições difíceis de trabalho, já que toda a infra-estrutura da região foi destruída, e a incomunicabilidade de algumas zonas para garantir que a ajuda da Oxfam fará uma diferença e alcançará as pessoas que mais estão precisando.

É a certeza da diferença que nós podemos fazer para as pessoas e comunidades que estão sofrendo tanto que me ajuda a relaxar depois de cada réplica, a suportar a saudade da minha família e a escrever estas linhas ao mesmo tempo em que presto atenção a cada movimento do monitor do computador.