Terremoto no Peru - Update 2 August 19, 2007
Postado por tordesilhas em : Geral , trackbackHoje a imprensa aqui em Lima tratou de esclarecer dois fenômenos que ainda não haviam sido claramente explicados até agora. O primeiro foram os dois fortes relâmpagos vistos por milhares de pessoas em diferentes partes da cidade no exato momento em que estava acontecendo o terremoto, na última quarta-feira. O que deixou muita gente cismada foi a coincidência dos dois eventos e o fato de que as condições atmosféricas em Lima não eram propícias à formação de relâmpagos. Evidentemente começaram a aparecer diversas interpretações, boa parte dela de fundo religioso. A explicação que parece estar se consolidando é a de que as luzes na verdade corresponderiam a um fenômeno raro chamado Triboluminiscencia, que é a capacidade de se produzir luz ao friccionar dois objetos em condições específicas. No caso do terremoto do Peru, a encontro entre as placas tectônicas de Nazca e da América do Sul foi tão poderoso que a energia gerada teria reagido com o nitrogênio da atmosfera, provocando o fenômeno luminoso. Para mim, a explicação é tão incrível como qualquer outra, mas não duvido, porque realmente o terremoto foi muito forte.
O segundo fenômeno foi a histeria coletiva que tomou a noite e a madrugada da última sexta-feira para sábado, sobretudo em Chincha. Todos os programas de TV aqui em Lima descreviam como turbas de delinqüentes estariam soltas pelas ruas da cidade destruída, armadas de pistolas e tochas, invadindo casas e assaltando quem passasse pela frente. Eu assisti quando uma repórter entrevistava desde o estúdio um voluntário que havia levado doações a Chincha e estava trancado em um quarto chorando enquanto se ouvia tiros do lado de fora. Ele pedia desesperado que a polícia enviasse reforços porque a cidade estava entregue aos demônios. O comandante geral da polícia teve de entrar no ar ao vivo dizendo que estava mandando 20 viaturas para a área.
Hoje os jornais trazem uma longa entrevista com os chefes da polícia na qual eles dizem que tudo não passou de uma espécie de “psicose coletiva”, produzida pelo profundo stress causado pelo terremoto e suas conseqüências, associado às notícias de que duas prisões haviam sido destruídas e de que havia centenas de ex-prisioneiros soltos pelas ruas. Como conseqüência, as pessoas que tentavam proteger seus últimos bens passaram a tratar qualquer estranho com desconfiança.
De repente, no começo da noite de sexta, não se sabe ainda a razão, a rádio local de Chincha começou a receber centenas de chamadas denunciando casos de assaltos e pilhagens em diferentes partes da cidade. Os moradores que tinham armas em casa passaram a atirar para o alto para afastar possíveis intrusos. Os grupos de vigilância cidadã, que estavam patrulhando as ruas, passaram a ser confundidos com grupos de bandidos e, pronto, estourou um processo de medo – ou histeria – coletivo que transformou a madrugada de sábado em Chincha em um inferno adicional para seus moradores.
No final, a polícia diz que nem 10% das denúncias de roubos foram comprovadas. Os policiais chegavam nos locais e não havia nada. Só o medo que, naquela madrugada, botou todos os demônios para fora.

Comments»
Oi, Renato.
Fico aliviado de saber que você e sua família estão bem. A imprensa brasileira está dando informes razoavelmente atualizados sobre o Peru, mas é claro que podemos apenas imaginar a situação de medo por aí.
Abraços
Oi Renato!
Tomara que depois desse baita susto todos os demônios e medos tenham sido banidos definitivamente e as pessoas possam reconstruir o que for possível.
Fico feliz por saber que você, Vanessa e Mateus estão bem mas por outro lado, as imagens que nos chegam, da destruição, do sofrimento do povo, da dificuldade em se conseguir água e comida, dão a verdadeira extensão da enormidade do problema, da nossa insignificância frente as forças da natureza e aquele outro sentimento, de impotência.
Continuo rezando por vocês, um beijo enorme e fiquem com Deus.
LEGAL D+++++++++++++++++++++