Terremoto no Peru - Update 1 August 17, 2007
Postado por tordesilhas em : Geral , 8comentáriosA situação em Pisco está cada vez mais complicada, porque os diversos níveis do governo estão completamente desorganizados. Com isso os alimentos e a água não estão chegando até as pessoas e já houve vários casos de saques, inclusive aos caminhões de víveres que tentam chegar na cidade. Nosso pessoal em campo diz que o tema de segurança neste contexto é bem delicado.
A situação está feia e pode piorar na medida em que chegam relatos de como foi o impacto do terremoto na zona mais longe das cidades afetadas, já subindo pelos Andes. Um dos diretores da Oxfam lembrou que no terremoto de 1974 demorou 4 dias para as pessoas se darem conta de que uma cidade inteira, com mais de 20.000 habitantes, havia sito soterrada por gelo e lama na região andina, perto de Huaraz.
Dessa vez ninguém espera que uma coisa assim tenha acontecido, mas tudo é possível. Como as atenções estão concentradas em Pisco e a maioria da imprensa está por lá, por enquanto pouca atenção está sendo dada às áreas mais distantes dos centros urbanos, onde está sendo concentrada a população mais pobre. É nesta zona que a Oxfam está concentrando as atenções para ver como está a situação.
Em uma nota separada, mas que acrescenta mais um dado emotivo a todo o impacto do terremoto, uma região linda chamada Paracas, que é um dos maiores parques naturais do Peru, foi bastante afetada pelo terremoto. Uma das principais atrações turísticas do local é uma formação rochosa conhecida como “A Catedral”, que levou séculos sendo esculpida pelo vento e ondas. Tudo isto ruiu com o terremoto… Vanessa, Mateus e eu visitamos o local faz um ano e na verdade me dá uma dor no coração saber que já não existe mais. Ou seja, o terremoto vai deixando dor atrás de dor.
Terremoto no Peru August 17, 2007
Postado por tordesilhas em : Geral , 2comentáriosPouco menos de 24 horas depois do terremoto que afetou a todo o Peru e arrasou as cidades de Ica, Pico e Chincha, ainda estamos tratando de nos recuperar do susto pavoroso que vivemos na noite da quarta-feira. Só posso dizer que foi a experiência mais espantosa da minha vida. O terremoto aconteceu justamente na hora em que estávamos nos preparando para jantar. Quando começou corremos para a cozinha, para ficar embaixo do batente da porta, e nos abraçamos, Vanessa, Mateus e eu. Houve um momento em que pensei que algo muito ruim iria acontecer de verdade. Isto porque todo o edifício tremia como se fosse gelatina e o terremoto durou um pouco mais de dois minutos, ou seja, uma eternidade…
No fim descemos e ficamos mais de uma hora na rua, porque houve várias réplicas de menor intensidade. Aliás, as réplicas continuaram pela noite adentro e durante todo o dia de hoje. Já foram registradas nada menos do que 368 réplicas. Cada pequena réplica poderia ser o prenúncio de um novo terremoto e isso não deixa a gente dormir direito.
Estamos tensos, obviamente, e atentos para correr para uma área aberta a qualquer momento. Enfim, uma experiência que não desejo para ninguém.
De imediato pensei justamente na população mais pobre, que vive em condições muito precárias em casa feitas de adobe. Foi justamente este tipo de construção que mais sofreu em Pisco, Ica e Chincha. As cenas mostradas pela TV são impressionantes, de blocos inteiros de casas desmoronadas. A cidade de Pisco, com seus 120 mil habitantes foi destruída e se calcula que entre 50 e 70% das construções foram destruídas. A imagem mais terrível é a da Igreja de São Clemente que no momento do terremoto estava cheia de fieis rezando a missa. A igreja desabou e os bombeiros estão com dificuldades para recuperar os corpos.
A Oxfam está com uma equipe humanitária no local fazendo um levantamento dos estragos para definir que tipo de ajuda vai dar. Nosso funcionário humanitário nos contou que a situação em Pisco é caótica, com corpos amontoados nas esquinas porque falta lugar para armazená-los. É difícil chegar até o local porque a Panamericana Sul, principal rodovia peruana, que corta o país de Norte a Sul, está interrompida logo antes de chegar Pisco. Falta tudo para os sobreviventes: barracas para os desalojados, que são muitos, água potável, comida, roupa de frio, medicamentos. Pouco a pouco a ajuda vai chegando, mas a situação é muito crítica.
O número de mortos e desabrigados aumenta minuto a minuto, na medida em que as equipes de resgate conseguem chegar ao local, principalmente aos mais afastados. No momento estão contabilizados 510 mortos, a maioria na região de Pisco, Ica e Chincha. Já são mais de 1.600 feridos e pelo menos 80.000 afetados de alguma maneira pelo terremoto. Ou seja, um desastre de grandes proporções, cuja cara real ainda está sendo revelada a cada escombro que é revirado.
