Momento Professor Pasquale August 6, 2007
Postado por tordesilhas em : Geral , trackbackEra uma das minhas primeiras reuniões de trabalho, logo depois de nos mudarmos para Lima, e em um dado momento a pessoa que estava liderando a discussão propôs, candidamente, que fizéssemos uma análise FODA para tratar de definir melhor os termos do projeto que estávamos desenvolvendo. “Uma quê?” Na hora fiquei com vontade de rir e foi difícil continuar prestando atenção. Ainda mais porque era um tal de FODA para um lado, FODA para o outro, e eu ali tratando de dar significado à palavra – que eu desconfiava não ter relação com sua congênere em português. Estava certo: era mais uma das pegadinhas geradas pela proximidade entre português e espanhol. Trata-se de uma sigla para a análise de “Fortaleza, Oportunidades, Debilidades e Amenazas”, básico para qualquer marco lógico de projetos.
O interessante é que no espanhol o equivalente ao nosso verbo “foder”, o verbo “joder” e suas conjugações, como jodido (lembrem-se de que a letra jota tem som de erre), não são palavrões. Aliás, são tão comuns que até já vi chamadas de primeira página de jornal sério usando uma destas duas palavras.
Outro momento de saia curta que passei com estas semelhanças entre espanhol e português aconteceu em uma viagem à Colômbia. Era a minha primeira viagem para um país latino-americano e estávamos em um grupo de oito brasileiros. Quando chegamos na área de desembarque do aeroporto internacional de Bogotá precisávamos seguir até a área de embarque nacional, para viajar para outra cidade. Não sabíamos como fazer porque as duas áreas não são próximas. Fomos perguntar à atendente da empresa aérea e ela nos explicou que simplesmente tínhamos de pegar “la buseta roja”…
Pausa! Olhamos uns para os outros e caímos na gargalhada. “Como assim, la buseta roja?” Ficamos nos olhando uns para os outros, meio sem entender e já imaginando que havia alguma pegadinha ali. De repente a mulher aponta para um ônibus vermelho que estava em frente à saída do aeroporto. Automaticamente todo mundo entendeu: ônibus = bus = buseta, que é a maneira como na Colômbia e em alguns outros países latino-americanos chamam os ônibus.
O problema é que não conseguíamos tirar a “buseta roja” da cabeça todo o resto da viagem. Imagina que cada vez que íamos pegar um ônibus, principalmente se fosse vermelho (e há muitos), era uma saraivada de piadas de duplo sentido. E quando explicamos a história para os nossos colegas colombianos até eles passaram a entrar na brincadeira. Ou seja, quando viajar para algum país latino-americano e te mandarem pegar “la buseta” (lembre-se: é som s, mas tem o som de c) não se espante (ou fique animado), é só o ônibus mesmo e provavelmente bem caidinho.
No Peru o equivalente à denominação popular do órgão sexual feminino é “concha”, por razões óbvias (use a imaginação). Para ofender seriamente a alguém o costume é fazer uma referência à “concha de la mama”, usando ao mesmo tempo um gesto com as mãos imitando uma concha.

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Lembro que tive uma amiga uruguaia que veio pra são paulo e adorava pizza. Só que ela pronunciava como eles pronunciam : piça, que aqui é outra coisa. Ela me matava de vergonha em tudo quanto é pizzaria que íamos. Até eu explicar. Aí ela é que ficou envergonhada. Passou a pedir pasta, daí em diante. Essas coisas na hora a gente fica passado mas depois é divertido!
Agora esse lance de FODA e o que quer dizer em castelhano é sensacional! Fortaleza, oportunidades, debilidades e ameaças! Em uma sigla só toda uma alegoria das relações humanas…vou passar a usar a palavra dessa forma…:)
Ihh… Renato, também já fiz muita análise de “Fortaleza, Oportunidades, Debilidades e Amenazas”… hehehehe… sempre rende boas risadas…
Realmente, é preciso estar sempre atento para os falsos cognatos e demais armadilhas existentes entre o portugues e espanhol.