Terremoto no Peru - Tentando despertar do pesadelo August 22, 2007
Postado por tordesilhas em : Geral , 1 comentário até agoraNatividad Huayra Herrera, 37 anos, não despertou do pesadelo ainda. Na noite do forte terremoto que atingiu o Peru ela pensou que a terra se abriria para tragá-la junto com a sua filha de 10 anos de idade. Elas vivem em um “pueblo joven” (como são chamadas as áreas de invasão nas periferias das cidades) que está em um morro na municipalidade de Chorrillos, em Lima. Ela se lembra de ter começado a correr, gritando, chorando e pedindo a Deus que acalmasse a fúria da natureza.
Sua filha, Cassandra, é uma menina com um sorriso cativante. Mas desde o terremoto ela está sorrindo menos, como Natividad percebeu. “Naquela noite horrível, minha menina começou a correr e gritar e não conseguiu mais relaxar por causa das réplicas do terremoto. Fiquei acordada a noite inteira cuidando dela, temendo um novo terremoto e pensando nos nossos parentes que vivem em Ica e em Pisco, as áreas mais afetadas.”
Agora Cassandra já sabe que seu pai, que vive na cidade de Pisco, está seguro, embora tenha perdido sua casa e a maioria de seus pertences. Infelizmente, Natividad está vivendo ainda em um pesadelo, porque não teve nenhuma notícia de sua família até agora. São mais de 20 pessoas, entre tios, tias, primos e seus filhos, todos vivendo na periferia da cidade de Ica em casas feitas de adobe. Exatamente o tipo de construção que desmoronou mais facilmente com o terremoto.
“Tenho tentado falar com eles, mas não consigo me comunicar com o único celular que eles têm . Estou muitíssimo triste. Não somente por eles, mas por todas as pessoas que estão agora nas ruas, sem alimento, água, ou um teto e uma cama para descansar. Tantas pessoas pobres que não têm agora nada para viver. Gostaria tanto de ir lá para descobrir o que aconteceu com a minha família, mas não posso. Preciso trabalhar para sustentar minha filha e a mim mesma. Estou com medo de um novo terremoto e sei que é perigoso ir agora para Ica. Tenho de viver com esta aflição profunda que está machucando o meu coração.”
Seus pais vivem na região andina, em Abancay, e Natividad também não ouviu falar deles ainda. “Mas acredito que estejam bem, porque de acordo com as notícias, a região onde vivem não foi muito afetada. Não existe nenhuma linha telefônica na comunidade deles. Por isso, não dá para saber como estão.”
Natividad viveu em Ica até a adolescência, quando se mudou para Lima para tentar uma vida melhor como doméstica. Ela deixou não apenas parentes, mas também amigos de infância. “Não sei se eles se lembram de mim, mas eu penso neles todos os dias. Espero que estejam bem. Queria ter os recursos para lhes ajudar, mas não tenho”.
“Estou muito aliviada de saber que a ajuda está chegando a Ica, mas tenho ouvido muita gente dizer que preferem levar suas doações diretamente à cidade. Temem que suas doações não cheguem às pessoas que realmente precisam. Todos os jornais na televisão estão dizendo que a ajuda está sendo distribuída principalmente na área urbana, no centro de cidade. Mas os mais pobres, como meus parentes, vivem na periferia ou na área rural.”
“Mas digo às pessoas que devemos confiar em que ajuda chegará para aqueles que mais precisam.”
Nos próximos dias e semanas a Oxfam vai desenvolver uma ação de emergência imediata provendo abrigo, água potável e serviços sanitários a 2.000 famílias em algumas das áreas mais remotas atingidas pelo terremoto. Natividad pode confiar em que a ajuda chegará àqueles que mais a necessitam. Quem desejar fazer uma doação para apoiar o trabalho da Oxfam em Pisco é só teclar aqui.
Terremoto no Peru - Chegando até aqueles que mais precisam August 20, 2007
Postado por tordesilhas em : Geral , 3comentáriosEram umas 3:15 da tarde, hora de Lima de um domingo cinzento. Eu estava começando a escrever um novo texto para o website da Oxfam, quando o monitor do computador começou a tremer. Uma outra réplica estava chegando. Segui as instruções de segurança e permaneci calmo. Fiquei olhando para a minha mesa enquanto esperava o tremor parar. Mas, como na última quarta-feira, em vez de terminar rapidamente, comecei a ouvir um ruído que era difícil de descrever. Era como um som de tambores sendo batidos firmemente, mas bem baixinho. O movimento aumentou mais ainda e eu já podia sentir o edifício inteiro se agitando, delicadamente, mas se agitando. Então, assim como começou, o tremor, que alcançou 5.7 de intensidade, acabou, deixando o meu coração batendo furiosamente .
Esta tem sido a nossa rotina nos últimos cinco dias. Mais de 400 réplicas seguiram o terremoto, a maioria delas demasiado fracas para ser percebidas. Mas diariamente acontecem ao redor de três a quatro que são sentidas. Isto aumenta a quantidade de estresse que as pessoas têm de enfrentar todos os dias.
Vanessa e Mateus voaram para o Brasil no sábado de noite e vão ficar por lá pelo menos por uma semana. Mateus, com seus 5 anos, ainda está traumatizado. Não pára de falar sobre o terremoto, fica nervoso com cada movimento ou som diferente, não está se alimentando bem e a todo momento quer sair do nosso apartamento. Conversamos com os pais de seus colegas na escola e todos disseram que suas crianças estão tendo o mesmo comportamento.
Naturalmente nosso estresse não é quase nada comparado ao que as pessoas afetadas no sul de Peru estão sofrendo agora. A ajuda está chegando de diferentes fontes, dos governos nacional e internacionais, das organizações multilaterais, das agências humanitárias e das pessoas comuns no Peru. A tragédia mobilizou o espírito do solidariedade dos peruanos. Há postos para recolher doações em todo o país.
Mas ainda há problemas de coordenação da distribuição da ajuda no nível local e quem vive na periferia das cidades e nas zonas rurais tem dificuldades para receber as doações. Esta é uma das razões que levaram a Oxfam a concentrar nossa resposta humanitária nestas áreas.
Umas poucas horas depois do terremoto nossa equipe humanitária já estava em Pisco, a cidade mais afetada, para avaliar a situação e tomar uma decisão sobre como fazer o melhor uso dos nossos recursos. Muito rapidamente fomos capazes de mobilizar uma equipe dos especialistas para avaliar a situação. Ao mesmo tempo levantamos o dinheiro inicial de diferentes fontes para fornecer imediatamente abrigo, água e saneamento a 2.000 famílias nos arredores de Pisco e nas áreas rurais.
Nossa equipe de funcionários humanitários que está em campo precisa lutar contra o estresse das réplicas, que são sentidas muito mais fortes lá do que em Lima, as condições difíceis de trabalho, já que toda a infra-estrutura da região foi destruída, e a incomunicabilidade de algumas zonas para garantir que a ajuda da Oxfam fará uma diferença e alcançará as pessoas que mais estão precisando.
É a certeza da diferença que nós podemos fazer para as pessoas e comunidades que estão sofrendo tanto que me ajuda a relaxar depois de cada réplica, a suportar a saudade da minha família e a escrever estas linhas ao mesmo tempo em que presto atenção a cada movimento do monitor do computador.
Terremoto no Peru - Update 2 August 19, 2007
Postado por tordesilhas em : Geral , 3comentáriosHoje a imprensa aqui em Lima tratou de esclarecer dois fenômenos que ainda não haviam sido claramente explicados até agora. O primeiro foram os dois fortes relâmpagos vistos por milhares de pessoas em diferentes partes da cidade no exato momento em que estava acontecendo o terremoto, na última quarta-feira. O que deixou muita gente cismada foi a coincidência dos dois eventos e o fato de que as condições atmosféricas em Lima não eram propícias à formação de relâmpagos. Evidentemente começaram a aparecer diversas interpretações, boa parte dela de fundo religioso. A explicação que parece estar se consolidando é a de que as luzes na verdade corresponderiam a um fenômeno raro chamado Triboluminiscencia, que é a capacidade de se produzir luz ao friccionar dois objetos em condições específicas. No caso do terremoto do Peru, a encontro entre as placas tectônicas de Nazca e da América do Sul foi tão poderoso que a energia gerada teria reagido com o nitrogênio da atmosfera, provocando o fenômeno luminoso. Para mim, a explicação é tão incrível como qualquer outra, mas não duvido, porque realmente o terremoto foi muito forte.
O segundo fenômeno foi a histeria coletiva que tomou a noite e a madrugada da última sexta-feira para sábado, sobretudo em Chincha. Todos os programas de TV aqui em Lima descreviam como turbas de delinqüentes estariam soltas pelas ruas da cidade destruída, armadas de pistolas e tochas, invadindo casas e assaltando quem passasse pela frente. Eu assisti quando uma repórter entrevistava desde o estúdio um voluntário que havia levado doações a Chincha e estava trancado em um quarto chorando enquanto se ouvia tiros do lado de fora. Ele pedia desesperado que a polícia enviasse reforços porque a cidade estava entregue aos demônios. O comandante geral da polícia teve de entrar no ar ao vivo dizendo que estava mandando 20 viaturas para a área.
Hoje os jornais trazem uma longa entrevista com os chefes da polícia na qual eles dizem que tudo não passou de uma espécie de “psicose coletiva”, produzida pelo profundo stress causado pelo terremoto e suas conseqüências, associado às notícias de que duas prisões haviam sido destruídas e de que havia centenas de ex-prisioneiros soltos pelas ruas. Como conseqüência, as pessoas que tentavam proteger seus últimos bens passaram a tratar qualquer estranho com desconfiança.
De repente, no começo da noite de sexta, não se sabe ainda a razão, a rádio local de Chincha começou a receber centenas de chamadas denunciando casos de assaltos e pilhagens em diferentes partes da cidade. Os moradores que tinham armas em casa passaram a atirar para o alto para afastar possíveis intrusos. Os grupos de vigilância cidadã, que estavam patrulhando as ruas, passaram a ser confundidos com grupos de bandidos e, pronto, estourou um processo de medo – ou histeria – coletivo que transformou a madrugada de sábado em Chincha em um inferno adicional para seus moradores.
No final, a polícia diz que nem 10% das denúncias de roubos foram comprovadas. Os policiais chegavam nos locais e não havia nada. Só o medo que, naquela madrugada, botou todos os demônios para fora.
Terremoto no Peru - Update 1 August 17, 2007
Postado por tordesilhas em : Geral , 5comentáriosA situação em Pisco está cada vez mais complicada, porque os diversos níveis do governo estão completamente desorganizados. Com isso os alimentos e a água não estão chegando até as pessoas e já houve vários casos de saques, inclusive aos caminhões de víveres que tentam chegar na cidade. Nosso pessoal em campo diz que o tema de segurança neste contexto é bem delicado.
A situação está feia e pode piorar na medida em que chegam relatos de como foi o impacto do terremoto na zona mais longe das cidades afetadas, já subindo pelos Andes. Um dos diretores da Oxfam lembrou que no terremoto de 1974 demorou 4 dias para as pessoas se darem conta de que uma cidade inteira, com mais de 20.000 habitantes, havia sito soterrada por gelo e lama na região andina, perto de Huaraz.
Dessa vez ninguém espera que uma coisa assim tenha acontecido, mas tudo é possível. Como as atenções estão concentradas em Pisco e a maioria da imprensa está por lá, por enquanto pouca atenção está sendo dada às áreas mais distantes dos centros urbanos, onde está sendo concentrada a população mais pobre. É nesta zona que a Oxfam está concentrando as atenções para ver como está a situação.
Em uma nota separada, mas que acrescenta mais um dado emotivo a todo o impacto do terremoto, uma região linda chamada Paracas, que é um dos maiores parques naturais do Peru, foi bastante afetada pelo terremoto. Uma das principais atrações turísticas do local é uma formação rochosa conhecida como “A Catedral”, que levou séculos sendo esculpida pelo vento e ondas. Tudo isto ruiu com o terremoto… Vanessa, Mateus e eu visitamos o local faz um ano e na verdade me dá uma dor no coração saber que já não existe mais. Ou seja, o terremoto vai deixando dor atrás de dor.
Terremoto no Peru August 17, 2007
Postado por tordesilhas em : Geral , 2comentáriosPouco menos de 24 horas depois do terremoto que afetou a todo o Peru e arrasou as cidades de Ica, Pico e Chincha, ainda estamos tratando de nos recuperar do susto pavoroso que vivemos na noite da quarta-feira. Só posso dizer que foi a experiência mais espantosa da minha vida. O terremoto aconteceu justamente na hora em que estávamos nos preparando para jantar. Quando começou corremos para a cozinha, para ficar embaixo do batente da porta, e nos abraçamos, Vanessa, Mateus e eu. Houve um momento em que pensei que algo muito ruim iria acontecer de verdade. Isto porque todo o edifício tremia como se fosse gelatina e o terremoto durou um pouco mais de dois minutos, ou seja, uma eternidade…
No fim descemos e ficamos mais de uma hora na rua, porque houve várias réplicas de menor intensidade. Aliás, as réplicas continuaram pela noite adentro e durante todo o dia de hoje. Já foram registradas nada menos do que 368 réplicas. Cada pequena réplica poderia ser o prenúncio de um novo terremoto e isso não deixa a gente dormir direito.
Estamos tensos, obviamente, e atentos para correr para uma área aberta a qualquer momento. Enfim, uma experiência que não desejo para ninguém.
De imediato pensei justamente na população mais pobre, que vive em condições muito precárias em casa feitas de adobe. Foi justamente este tipo de construção que mais sofreu em Pisco, Ica e Chincha. As cenas mostradas pela TV são impressionantes, de blocos inteiros de casas desmoronadas. A cidade de Pisco, com seus 120 mil habitantes foi destruída e se calcula que entre 50 e 70% das construções foram destruídas. A imagem mais terrível é a da Igreja de São Clemente que no momento do terremoto estava cheia de fieis rezando a missa. A igreja desabou e os bombeiros estão com dificuldades para recuperar os corpos.
A Oxfam está com uma equipe humanitária no local fazendo um levantamento dos estragos para definir que tipo de ajuda vai dar. Nosso funcionário humanitário nos contou que a situação em Pisco é caótica, com corpos amontoados nas esquinas porque falta lugar para armazená-los. É difícil chegar até o local porque a Panamericana Sul, principal rodovia peruana, que corta o país de Norte a Sul, está interrompida logo antes de chegar Pisco. Falta tudo para os sobreviventes: barracas para os desalojados, que são muitos, água potável, comida, roupa de frio, medicamentos. Pouco a pouco a ajuda vai chegando, mas a situação é muito crítica.
O número de mortos e desabrigados aumenta minuto a minuto, na medida em que as equipes de resgate conseguem chegar ao local, principalmente aos mais afastados. No momento estão contabilizados 510 mortos, a maioria na região de Pisco, Ica e Chincha. Já são mais de 1.600 feridos e pelo menos 80.000 afetados de alguma maneira pelo terremoto. Ou seja, um desastre de grandes proporções, cuja cara real ainda está sendo revelada a cada escombro que é revirado.
Clássicos do cinema mundial August 15, 2007
Postado por tordesilhas em : Cultura , 5comentáriosEm um dos mercados populares de Lima, chamado “Polvos Azules” (tipo um grande camelódromo, só que mais organizado), existe uma banca especializada em vender DVDs de filmes clássicos. Parece que é só chegar com o nome do filme, de qualquer época ou país, e se o vendedor não tiver na hora, se compromete a conseguir para outro dia a combinar. Faz tempo que estou querendo ir lá para comprar alguns clássicos que quero ter na minha “DVDteca”. A minha lista de 15 clássicos do cinema imperdíveis está abaixo. Alguma sugestão?
- A marca da maldade, do Orson Welles – só a cena de abertura já vale todo o filme.
- Cidadão Kane, do acima mencionado
- A doce vida, do Felini.
- Amarcord, também do Felini.
- Blowup, do Antonioni.
- Metrópolis, do Fritz Lang
- Encouraçado Potenkim, do Eisenstein
- Roma, Cidade Aberta, do Roberto Rossellini
- Os incompreendidos, do Truffaut
- Psicose, do Hitchcock
- Luzes da Cidade, do Chaplin
- Scarface, do Howard Hawks
- Rocco e seus Irmãos, do Visconti
- Os Sete Samurais, do Kurosawa
- O Discreto Charme da Burguesia, do Buñuel
Images do e desde o MAC Niterói August 7, 2007
Postado por tordesilhas em : Cultura , 5comentáriosAí embaixo eu havia escrito um post sobre o Museu de Arte Contemporânea de Niterói. Eu havia tirado algumas fotos do MAC, que estou incluindo neste post.
Momento Professor Pasquale August 6, 2007
Postado por tordesilhas em : Geral , 3comentáriosEra uma das minhas primeiras reuniões de trabalho, logo depois de nos mudarmos para Lima, e em um dado momento a pessoa que estava liderando a discussão propôs, candidamente, que fizéssemos uma análise FODA para tratar de definir melhor os termos do projeto que estávamos desenvolvendo. “Uma quê?” Na hora fiquei com vontade de rir e foi difícil continuar prestando atenção. Ainda mais porque era um tal de FODA para um lado, FODA para o outro, e eu ali tratando de dar significado à palavra – que eu desconfiava não ter relação com sua congênere em português. Estava certo: era mais uma das pegadinhas geradas pela proximidade entre português e espanhol. Trata-se de uma sigla para a análise de “Fortaleza, Oportunidades, Debilidades e Amenazas”, básico para qualquer marco lógico de projetos.
O interessante é que no espanhol o equivalente ao nosso verbo “foder”, o verbo “joder” e suas conjugações, como jodido (lembrem-se de que a letra jota tem som de erre), não são palavrões. Aliás, são tão comuns que até já vi chamadas de primeira página de jornal sério usando uma destas duas palavras.
Outro momento de saia curta que passei com estas semelhanças entre espanhol e português aconteceu em uma viagem à Colômbia. Era a minha primeira viagem para um país latino-americano e estávamos em um grupo de oito brasileiros. Quando chegamos na área de desembarque do aeroporto internacional de Bogotá precisávamos seguir até a área de embarque nacional, para viajar para outra cidade. Não sabíamos como fazer porque as duas áreas não são próximas. Fomos perguntar à atendente da empresa aérea e ela nos explicou que simplesmente tínhamos de pegar “la buseta roja”…
Pausa! Olhamos uns para os outros e caímos na gargalhada. “Como assim, la buseta roja?” Ficamos nos olhando uns para os outros, meio sem entender e já imaginando que havia alguma pegadinha ali. De repente a mulher aponta para um ônibus vermelho que estava em frente à saída do aeroporto. Automaticamente todo mundo entendeu: ônibus = bus = buseta, que é a maneira como na Colômbia e em alguns outros países latino-americanos chamam os ônibus.
O problema é que não conseguíamos tirar a “buseta roja” da cabeça todo o resto da viagem. Imagina que cada vez que íamos pegar um ônibus, principalmente se fosse vermelho (e há muitos), era uma saraivada de piadas de duplo sentido. E quando explicamos a história para os nossos colegas colombianos até eles passaram a entrar na brincadeira. Ou seja, quando viajar para algum país latino-americano e te mandarem pegar “la buseta” (lembre-se: é som s, mas tem o som de c) não se espante (ou fique animado), é só o ônibus mesmo e provavelmente bem caidinho.
No Peru o equivalente à denominação popular do órgão sexual feminino é “concha”, por razões óbvias (use a imaginação). Para ofender seriamente a alguém o costume é fazer uma referência à “concha de la mama”, usando ao mesmo tempo um gesto com as mãos imitando uma concha.
Uma bela surpresa August 2, 2007
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Pois é, aos que me visitam até parece que o Tordesilhas está abandonado. Mas a falta de update apenas reflete o meu atual estado de espírito: estou de férias no Brasil com a família e realmente não tenho acessado a internet com regularidade. Ficamos oito dias no Rio de Janeiro e já estamos em Sampa nos preparando para regressar para Lima. Mas deu para matar um pouco da saudade da cidade maravilhosa e ao mesmo tempo curtir a paz que o Pan trouxe para os cariocas. O único problema foi a ausência absoluta de sol e céu azul. Fomos presenteados todos os dias por chuva e frio. Não nego que fiquei de mau humor várias vezes. Mas tudo foi compensado por programas fantásticos que normalmente não damos atenção: bons lugares para comer, dançar e visitar. A Vanessa fala disso lá no Inconfidência Mineira. O melhor foi que aproveitei para finalmente visitar o Museu de Arte Contemporânea de Niterói.
O MAC é mais conhecido pela sua forma de disco voador, desenhada por Oscar Niemeyer (quem mais?), que se debruça sobre o Mirante da Boa Viagem, o que o deixa frente a umas das mais impressionantes visões que já tive: a baia de Guanabara e ao fundo o pão de açúcar e Corcovado lado-a-lado.
Em minha opinião, o Museu poderia até dispensar qualquer exposição, uma vez que o edifício, seu entorno e a vista são por si mesmos um espetáculo. Mas no dia em que o visitamos, o MAC estava com a ótima mostra “Da matéria nasce a forma”, que acompanha a trajetória do artista neoconcreto Paulo Riberto Leal, prematuramente morto em 1991 aos 45 anos.
A visita fica completa com um almoço ou apenas um vinho ou um cafezinho no Bistrô MAC, o restaurante do museu, com seu clima casual-chic, sua boa comida, a simpatia dos atendentes e a visão da Baia de Guanabara. O restaurante não dispensa nem uma área para as crianças ficarem se divertindo.
Um programa tão bom que foi capaz de transformar um frustrante dia de chuva e frio no Rio de Janeiro em um dos programas mais agradáveis destas férias. Quando estiver no Rio não deixe de visitar o MAC. Não vai se arrepender.
