Bobeei, dancei… July 7, 2007
Postado por tordesilhas em : Geral , trackbackHoje fui vítima pela segunda vez das mãos mágicas dos punguistas de Lima. São profissionais que têm uma capacidade incrível de te furtar sem você perceber absolutamente nada. O lance foi bem prosaico: estávamos Vanessa, Mateus e eu andando em uma calcada movimentada de Miraflores quando chegou perto uma mulher com jeito de bêbada pedindo para que eu a ajudasse comprando umas balas. Ficou balançando o saco de balas na minha cara enquanto eu tentava me esquivar. Eu me livrei dela , seguimos caminhando e paramos em uma lanchonete para fazer uma boquinha. Aí percebi que estava sem o meu celular. Voltamos para o carro com a esperança de que tivesse esquecido o aparelho lá. Vã esperança. Tinha sido “limpado” na maior, como em um passe de mágica.
Não foi a primeira vez que fui vítima destes artistas. Uma outra vez estava almoçando com o meu chefe e na hora em que eu ia pagar a conta, já com a minha carteira na mão, entrou uma mulher aparentando estar bêbada e fazendo um escândalo. O segurança do restaurante chegou junto para retirá-la, houve aquele tumulto, ela ficou perto da minha mesa, foi arrastada para fora e junto levou a minha carteira. Uma ação tipo mandrake. Tudo não durou nem um minuto, a carteira estava ali na minha frente e de repente tinha sumido. Na minha cara. Não posso deixar de admirar a perícia desse pessoal. São artistas mesmo.
Claro, isso não impede que eu fico muito puto comigo mesmo por me deixar furtar tão facilmente. Fico me sentindo um imbecil. Imagino a cara do ladrão rindo da minha estupidez e ainda fazendo uma graninha mole com o meu celular. Depois fico pensando que pelo menos não houve violência. Por menos do que isso, às vezes por um par de tênis velhos, se mata no Rio de Janeiro. Em Lima existe uma violência urbana, como qualquer grande metrópole, mas ainda não se compara à do Brasil. Agora é aturar o prejuízo, engolir o orgulho ferido, comprar um celular novo, e ficar mais esperto.

Comments»
Recomendo enfaticamente o filme Pick Pocket, de Robert Bresson. No meio de uma história levemente inspirada em Crime e Castigo, há algumas cenas deliciosamente irreais, um verdadeiro balé de mãos, retratando a atividade dos punguistas.
Liga, não, Renato!

Não dá para perceber na hora, só depois.
Fica a historinha para ser contada…
Em ônibus, no Rio e na ilha capixaba, já me aconteceu também. Empurra para cá e para lá, e… lá se foi a carteira!
Acontece, uai!
Que nem vírus da internet.
Você jura que nunca vai lhe acontecer.
Quando acontece, e pega também todos os seus amigos, você sente que não está só.
Já ouvi falar, Marcus, mas nunca vi este filme. Vou procurar. Realmente os punguistas de Lima sao uns artistas. Têm a minha admiraçao. Só nao é agradável ser a vítima, é claro.
Cássia, tem de dar uma de Poliana e pensar que pelo menos nao rolou violência fisica.