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Censura no Peru June 28, 2007

Postado por tordesilhas em : Política, Cultura , 1 comentário até agora

la_nacion_a_sus_heroes.jpgA comunidade artística e jornalistas limenhos estão revoltados com um caso de censura a uma exposição de caricaturas de um artista muito conhecido, chamado Piero Quijano. Ele foi obrigado a retirar três de seus trabalhos que faziam parte da exposição “Dibujos En Prensa / 1990-2007”,  exibida em uma galeria mantida pelo Instituto Nacional de Cultura. Aparentemente os militares peruanos não gostaram do cartaz da mostra, com uma das caricaturas que estavam expostas e que representa uma crítica direta às violações de direitos humanos perpetradas pelos milicos durante a luta contra a guerrilha de Sendero Luminoso nos anos 80 e 90.  Duas outras caricaturas foram obrigadas, também, a ser retiradas, “para não ferir suscetibilidades”: uma criticando a “privatização” de Machu Pichu, cujos altos custos para visitar efetivamente impedem a grande maioria dos peruanos de conhecê-la, e outro que critica o papel de Alan Garcia nas negociações do Tratado de Livre Comércio com os Estados Unidos. Olhos “mais atentos” julgaram ver uma referencia velada ao filho que o presidente teve fora do casamento e que foi obrigado a assumir publicamente faz alguns meses. O mais curioso é que todas as caricaturas já haviam sido publicadas antes na grande imprensa, o que aumentou ainda mais a indignação de artistas e jornalistas.

Piero Quijano decidiu retirar todas as caricaturas da mostra e levá-las para outro espaço, desta vez privado. O diretor da galeria mantida pelo INC pediu demissão. A diretora do Instituto negou que tenha acontecido censura e teve a cara de pau de dizer que na verdade o artista havia “se auto-censurado”. Mas todas as fontes consultadas pela imprensa reconheceram que a ordem de retirar as caricaturas veio diretamente do INC depois de receber pressões diretas do comandante geral das forcas armadas, que havia ficado indignado com o desenho retratado no cartaz da mostra.

Feridas longe de cicatrizar
machu_pictures.jpgEste caso mostra como o ambiente político peruano segue ainda extremamente dividido e que ainda falta muito para superar as feridas abertas pela guerra empreendida entre as forças do Estado contra os grupos guerrilheiros, principalmente o Sendero Luminoso. Logo depois do fim do governo Fujimori, quando a verdadeira extensão das atrocidades cometidas por cada lado começou a vir à tona com mais força, os militares foram muito questionados pela brutalidade de algumas de suas ações contra as populações civis nas zonas de confronto com os grupos guerrilheiros. Diversos massacres são atribuídos a grupos liderados ou compostos por membros do exército principalmente em comunidades isoladas da região andina.

Durante o governo Toledo foi divulgado o relatório final da Comissão de Verdade e Reconciliação, que traz um relato assombroso e bastante detalhado de como a população civil – basicamente os mais pobres moradores da região andina, ou seja, o último escalão da sociedade - foi a principal vítima desta guerra, na qual se estima que morreram cerca de 69 mil pessoas. O relatório mostra claramente o grau de responsabilidade dos grupos guerrilheiros, principalmente do Sendero Luminoso, mas não deixa de apontar a responsabilidade das forcas do Estado.

TLC_Y_TDG_1_BB.jpgAs reações não demoram e foram desde questionar os números reais de mortos, passando pelas “motivações políticas” da Comissão, até a acusação de que se estaria fazendo o jogo dos terroristas ao apontar as responsabilidades das forças armadas. A coisa foi chegando a um ponto que o simples fato de criticar as ações do exército equivale a questionar o Estado em si. É esta argumentação que foi usada para censurar a mostra de Piero Quijano.

Obviamente isto não explica a censura às outras duas caricaturas: de Machu Pichu e de Alan Garcia. Mas é compreensível no contexto atual peruano, com um presidente cujas tradições democráticas não são das melhores e que se move na base dos factóides para agradar a qualquer custo a opinião pública e ficar na boa com os setores de poder, principalmente os militares. Parece que houve “excesso de zelo” dos funcionários do INC, que aproveitaram a deixa para tratar de evitar qualquer polêmica envolvendo Machu Pichu, a jóia da coroa do turismo peruano, e com o próprio presidente, que nunca engoliu a revelação feita por uma importante revista limenha da existência de seu filho concebido fora do casamento.

Aqui, o link para o blog peruano Arte Nuevo, sobre arte e cultura, que trás uma cobertura muito completa sobre o caso.

O relatório completo da Comissão de Verdade e Conciliação pode ser visto aqui.

“Querido, cheguei!” June 16, 2007

Postado por tordesilhas em : Geral , 7comentários

As inundações no centro e norte da Inglaterra trouxeram para o noticiário inglês imagens de desespero de gente que perdeu todos os seus pertences e que me lembraram reportagens parecidas que estamos acostumados a ver no Brasil todos os anos. Mas o que me chamou mesmo a atenção na edição de sábado do Guardian, entre várias outras reportagens neste que na minha opinião é o melhor jornal da Inglaterra e um dos melhores do mundo, foi um artigo sobre o crescente número de homens que se dedicam a “cuidar da casa e dos filhos”, enquanto suas companheiras São as que trabalham em empregos remunerados e sustentam financeiramente o lar. Não é mais um fenômeno isolado, já que pelas estatísticas há pelo menos 200 mil homens na Inglaterra nesta situação, o dobro do que havia em 1993, quando começam as contagens. Neste mesmo período o número de “donas-de-casa” caiu de 2,7 milhões para 2,1 milhões, o que comprovaria a tendência.

A reportagem conversou com vários destes novos “donos-de-casa” para entender suas motivacoes, dificuldades e alegrias. Em primeiro lugar algo que fica claro é o que não se trata de homens que decidiram “dedicar mais tempo” à casa, dividindo responsabilidades com suas esposas. Na verdade, eles abandonaram suas carreiras e qualquer trabalho remunerado fora de casa para se dedicar 100% do tempo à casa e aos filhos em um acordo conjugal no qual fica claramente estabelecido que a responsabilidade por sustentar financeiramente o lar passa para o lado feminino do casal.

As razões dadas são várias. Para alguns a carreira da mulher tinha muito mais possibilidades que a do homem e portanto era lógico que fosse ele a estar em casa. Para outros, foi por uma questão de “temperamento”, quando estava claro que o homem tinha mais paciência para as tarefas de criação de filhos e manutenção da casa do que a mulher. Há em alguns casos uma decisão ideológica – ou idealista – ou uma decisão pensada de que entre ter um emprego estressante e estar em casa para acompanhar o crescimento dos filhos a segunda opção era melhor. Em todos os casos havia uma unanimidade que era fundamental dar às crianças a possibilidade de crescer tendo um dos pais perto, em vez de ser criadas por babby-sitters ou pulando de um jardim de infância para outro.

Novos paradigmas, novas questões
Evidentemente uma mudança de paradigmas como esta não acontece sem complicações, mas todos os entrevistados dizem que não sofrem um preconceito específico de seus amigos ou parentes. Claro que têm de escutar piadas e até olhares um pouco suspeitos quando têm de participar de clubes de mães (do tipo: estão atrás de mulheres ou são meio “esquisitos). Para estes novos pais/donos-de-casa o tema de divórcio se torna um complicador a mais.

Na Inglaterra, como em muitos países ocidentais, a mulheres têm a preferência para ficar com a guarda das crianças, mas até mesmo este paradigma começa a ser desafiado porque obviamente os homens que se dedicaram 24 horas de seus dias a cuidar dos filhos do casal exigem para si o direito de continuar cuidando deles quando o casal se separa - e a respectiva pensão, é claro.

Nick Cavender, um dos entrevistados, fica puto quando lhe perguntam se quando sua filha de 4 anos começar a ir para escola ele vai “voltar a trabalhar”. Primeiro porque a pergunta implica que o que ele tem feito nos últimos oito anos, quando deixou de ter um emprego remunerado para cuidar da primeira filha do casal, não conta como um “trabalho”. Segundo porque desconsidera que as crianças saem da escola às 15:30, existem os feriados escolares e os momentos em que as crianças estão doentes. Tudo isso implica ter um dos pais em casa para cuidar delas e dificilmente ele conseguiria um emprego que lhe desse oportunidade para cobrir estes períodos. Bem vindos à difícil vida das “donas-de-casa” e “mães de família”!

Compartilhando experiências
Os homens entrevistados são muito claros ao dizer que não se vêem como “desbravadores”, “pioneiros” ou algo pelo estilo. Eles tomaram decisões muito conscientes e nenhum se mostra arrependido. Ao contrário, ressaltam que a decisão tem muito de auto-satisfação e interesse próprio. Isto fica claro em declaracões como: “Cada sorriso, todos os maneirismos e cada palavra é uma recompensa” ou “Conheci pessoas com quem nunca socializaria normalmente”.

A autora da reportagem se lembra, então, de um poema de Philipp Larkin quando o poeta olha para um grupo de jovens mães e diz para si mesmo: “Something is pushing them / to the sides of their own lives”. Ou seja, uma visão profundamente negativa e pessimista da maternidade como uma exclusão do lado produtivo e dinâmico da vida. A autora mostra como em vez de se sentir marginalizados os “homedads” têm palavras positivas para descrever suas experiências de vida.

Na medida em que mais e mais casais optam por este novo tipo de acordo conjugal, se poderia esperar que a própria visão sobre “maternidade” e “paternidade” passará a ser cada vez mais questionada e o papel social do ato de “cuidar da casa e das crianças” vai sofrer uma reavaliação profunda no futuro não muito distante. Ao menos na Inglaterra.

A  autora da reportagem chama a atenção para o fato de que embora liberados da realidade de estar em um escritórios a maioria dos novos “pais-de-casa” entrevistados não podem viver sem seus computadores e a possibilidade de interagir com o mundo que a internet abre. Vários mantêm blogs e sites para compartilhar suas experiências. Aí vai um alista que merece a visita:

Acho que ficou faltando escutar mais a opinião das próprias mulheres e das esposas e como elas vêem esta mudança de paradigmas. Ainda assim a reportagem do The Guardian é muito interessante e pode ser lida aqui.

Crimes de honra June 13, 2007

Postado por tordesilhas em : Política , 4comentários

Um caso recente de violência de gênero tem mobilizado a imprensa na Inglaterra esta semana. E o caso de Banaz Mahmod, uma jovem refugiada curda de 20 anos, que foi assassinada de maneira brutal por seu pai, Mahmod Mahmod, e seu tio, Ari Mahmod, para “lavar a honra” da familia, que teria sido maculada pelo envolvimento sentimental com Rahmat Selemani, também imigrante curdo, mas de uma tribo diferente e, pior, um musulmano não muito estrito. O crime foi cometido em 24 de janeiro de 2006 e voltou a chamar a atenção esta semana porque ambos assassinos foram considerados culpados, junto com outros cumplices, no processo que se seguiu a descoberta do corpo da jovem.

O caso trouxe à tona uma discussão sobre os limites que o respeito a cultura diversas deve ter quando estão em risco as liberdades individuais e os direitos humanos. Na esteira desta discussão, os policias que atenderam por quatro vezes a vitima e seu namorado, quando eles tentaram denunciar os parentes dela, também estão sendo questionados. O fato e que eles não tomaram em sério quando Banaz Mahmod acusou seus parentes de tentar matá-la. Um comitê de disciplina da policia metropolitana investigará os policias envolvidos e um apresentador de um programa de TV chegou a dizer que se a denunciante fosse uma mulher branca as providências teriam sido tomadas no ato.

A morte de Banaz Mahmod expõe de maneira crua os desafios que países com grandes colônias de outras nacionalidades têm de enfrentar para por um lado respeitar os aspectos culturais intrínsecos de cada comunidade e ao mesmo tempo fazer respeitar as leis e os costumes do pais. Banaz Mahmod foi morta segundo uma prática comum entre as tribos curdas que dão direito aos parentes da mulher de matá-la caso ela se torne motivo de desonra para o clã de origem.

Seus pais já havia arranjado o seu casamento com um tipo que, segundo ela já havia denunciado antes de ser morta, a maltratava e violentava. Ela então conheceu Rahmat Selemani e comecaram a namorar as escondidas. O problema e que a comunidade curda na Inglaterra é muito fechada e o segredo não pôde ser mantido por muito tempo. Em conseqüência Banaz começou a ser ameaçada pelos parentes de que se não terminasse a relação ela e o namorado seriam mortos.

A primeira tentativa de matá-la aconteceu no dia 31 de dezembro de 2005. Seu pai tentou embebedá-la e mandou que ela esperasse em um quarto. Ela desconfiou e fugiu jogando-se pela janela de vidro para chamar a atenção da polícia. No hospital onde foi atendida para cuidar dos ferimentos e cortes no corpo, seu namorado chegou a gravar pelo celular um testemunho dela descrevendo o ataque e pedindo ajuda. Estas imagens foram repetidas sem parar pelas TVs da Inglaterra. Depois deste primeiro ataque, sua mãe a convenceu a voltar para casa com a promessa de que nada mais aconteceria. Na verdade, seu pai e seu tio estavam organizando melhor o assassinato.
No dia 24 de janeiro de 2006 o pai de Banaz Mahmod saiu de casa cedo deixando o caminho livre para que Ari Mahmod entrasse com um ou mais comparsas, a seqüestrasse e desaparece com ela. O corpo foi encontrado três meses depois parcialmente nu dentro de uma mala de viagem enterrada no jardim de uma casa em Birminham.

Mudando os paradigmas
Sua morte poderia ter sido evitado, caso a polícia tivesse levado a sério suas denúncias. Em entrevista publicada pelo jornal The Guardian, Jasvinder Sanghera, diretora da ONG Karma Nirvana, que protége mulheres refugiadas, explica bem a situação:

“em termos de resposta da policia, isto não é incomum, infelizmente. As mulheres que chegam até nós pedindo ajuda sempre dizem o mesmo: “fomos para a policia e eles não entenderam o que acontece e estão nos mandando de volta (para casa).” O que a policia parece não entender é que eles estao mandando estas mulheres de volta para seus violentadores. No seu esquema mental, a policia não gosta de pensar que um pai ou uma mãe poderia causar dano a alguém na maneira como estas mulheres descrevem. Crimes baseados na honra são muito mais complexos que uma violência doméstica tipica e a policia nao esta treinada para este tipo de complexidade.

O The Guardian destaca que os crimes de honra incluem suquestro, encerramento involuntário, abuso fisico e emocional, abortos forçados e abuso sexual, além de assassinato. A maioria dos casos na Inglaterra acontecem em comunidades originárias da Asia, mas também incluem Nigeria, Turquia, Argélia e, como no caso da familia de Banaz Mahmod, familias curdas.

Uma nova lei que deve ser aprovada nas proximas semanas vai aplicar novas medidas para porteger as mulheres em situações como a de Banaz Mahmod. Entre outros passos, dará direito a mulheres – e homens – de recorrer aos tribunais para impedir um casamento forçado.

A co-autora da lei é Hannana Siddiquit, coordenadora da ONG Southall Black Sisters (SBS) que dá apoio a mulheres asiáticas e afrocaribenhas vítimas de violência doméstica. Ela explica o seu ponto-de-vista:

A lei dará uma forte mensagem de que o casamento forçado é inaceitável e chamará a atenção das possiveis vitimas de que elas têm mais recursos para lutar. As comunidades devem ser responsabilizadas pelos crimes de honra, do contrário eles nunca acabarão. O problema é que a policia frequentemente adota uma posição historica de que isto é parte de uma minoria cultural e de que, portanto, não devem se meter. Eles deixam para as comunidades a responsabilidade de se auto-policiar – e essas comunidades são dominadas por forças machistas. As comunidades têm de enfrentar seus problemas, mas elas foram deixadas para enfrentá-los por sua propria conta e isto significou que as mulheres ficaram desprotegidas. E claro que queremos ver educação, mudanças na atitude e empoderamento das mulheres, mas enquanto não alcançamos isto, as mulheres precisam de ajuda imediata. Precisamos de melhor respostas e mais financiamernto e suporte especializado. Uma vez que tenhamos conseguido reais soluções práticas para as vitimas, podemos fazer campanha para uma mudança de longo prazo.

O interessante artigo do The Guardiam está aqui.

Pai e filho June 8, 2007

Postado por tordesilhas em : Cultura , 6comentários

Tem muita coisa legal em ter filhos. Portanto, para quem está pensando em tê-los, recomendo que não percam tempo. Como diria o Vinícius: “Filhos? Filhos? Melhor não tê-los, mas se não os temos, como sabê-los?” Enfim, estava pensando nisso um dia desses quando estava ajudando a colocar o uniforme no Mateus para ir à escola e fiquei vendo o desenho que ele estava assistindo. Além do prazer de compartilhar o momento com ele, tive a oportunidade de conhecer mais um desenho do Cartoon Network: “Mansão Foster para Amigos Imaginários”. Pensei: “que interessante, um desenho que fala de amigos imaginários e que é muito engraçado e inteligente.” E é verdade, porque tanto os canais Jetix como o próprio Cartoon têm lançado uma safra de desenhos que são simplesmente sensacionais. Botam no chinelo o velho Ultraseven da minha infância e só se comparam aos desenhos da época de ouro da Hanna-Barbera dos anos 60.

foster_a.jpgAtualmente A Mansão Foster o os Padrinhos Mágicos são os meus preferidos. Quando começa um dos dois o Mateus ma chama para assistir juntos. São desenhos que servem para todas as idades. Normalmente têm um texto brilhante com o qual tanto a molecada como os adultos se identificam rápido e podem ver juntos, cada qual dando a sua própria interpretação às piadas e tiradas infames e/ou de alto conteúdo político dos desenhos.

No caso da Mansão Foster, o personagem principal é um moleque de 8 anos chamado Mac que é obrigado a se separar de seu amigo imaginário, Blu, porque sua mãe acha que ele já está muito grandinho.  A solução é encontrar um lugar para ele em uma mansão que abriga somente amigos imaginários “mutcho locos”. Para se ter idéia tem o “Minguado”, que é altíssimo e perdeu um olho e o braço esquerdo em um jogo de basquete. E tem é claro a própria Madame Foster, a velhinha maluquete de 83 anos que é dona do pedaço. Enfim, dito assim pode até parecer meio bobo, mas o fato é que o desenho é realmente muito inteligente e consegue ser politicamente correto, sem ser chato.

fairly_oddparents.jpgOs Padrinhos Mágicos são hours concurs.  Na minha opinião é o melhor desejo atualmente da televisão. A história é simples: Timmy Turner é um moleque de 9 anos “normal”, ou seja, sofre bullying na escola, tem uma babá “do mal” que inferniza a sua vida e pais totalmente desajustados e auto-centrados. Quando tudo parecia ir de mal a pior, Timmy Turner ganha dois “padrinhos mágicos”, o casal hilário “Cosmo e Wanda”, cuja missão é satisfazer os seus desejos e tornar a sua vida mais fácil. Ledo engano, na maioria das vezes eles só fazem piorar tudo.

As histórias são muito inteligentes e a música de abertura, no melhor estilo “desenho dos anos 60”, já é um clássico. As crianças podem assistir numa boa e os adultos não se desapontam. Outra maneira inteligente e bastante sofisticada de abordar de maneira politicamente correta e ao mesmo crítica as relações entre pais e filhos. Um episódio que vi um dia desses dá uma idéia do complexo que é o desenho: Timmy Turner tem uma paixão pela menina mais linda e inacessível da turma. Para saber que presente deveria lhe dar em seu aniversário, pede aos padrinhos mágicos para virar uma menina e saber o que a garota gostaria de ganhar. De quebra obriga a casal de padrinhos a trocar de sexo entre si. O episódio inteiro é sensacional, sofisticado e ao mesmo tempo facilmente inteligível pelas crianças. Imperdível.

Ou seja, tenha filhos e, entre outras coisas, poderá compartilhar os padrinhos mágicos da vida com eles.

Abaixo, para quem tem paciência para o YouTube, um episódio completo dos Padrinhos Mágicos em português. É muito bom (apesar de que eu acho que a tradução e a dublagem para o espanhol são muito superiores).

Mais uma da FIFA June 3, 2007

Postado por tordesilhas em : Esportes , 5comentários

evo_glaciar1.jpgA decisão da FIFA de proibir jogos internacionais em estádios localizados a mais de 2.500 metros sobre o nível do mar está causando um furor sem precedentes nos países diretamente afetados pela medida. Os protestos são capitaneados pela Bolívia, cujo presidente Evo Morales tomou a questão como um caso de lesa-pátria e, para chamar atenção do mundo, jogou uma pelada improvisada nas alturas da estação de esqui de Chacaltaya, a quase 5.300 metros de altura. Pelo menos quatro cidades bolivianos serão prejudicadas pela decisão: La Paz (3.577 metros), Cochabamba (2.558), Sucr4e (2.790), Oruro (3.702) e Potosi (3.976). Outras cidades sul-americanas serão diretamente afetadas, entre elas Bogotá (Colômbia), Quito (Equador) e Cuzco (Peru). Por isso, a Comunidade Andina de Nações está apoiando os protestos da Bolívia.

A FIFA alega que quer proteger a saúde dos jogadores ao proibir os jogos em grandes altitudes. O Brasil e a Argentina são dois países que sempre protestaram contra os jogos nestas condições. Recentemente o Flamengo jogou uma partida pela Libertados da América em Potosi (Bolívia) depois de conseguir um empate de 2X2 fez um protesto formal a Conmebol dizendo que seus jogadores tinham sofrido de “problemas físicos” depois do jogo. O problema é que se a decisão da FIFA for levada ao pé da letra isto significará, na prática, que, além das eliminatórias da Copa do Mundo, os times locais não poderão jogar em seus estádios sequer os jogos da Libertadores e do Campeonato Sul-americano.

Estranhei muito quando soube desta medida da FIFA, que me pareceu muito arbitrária e sem sentido. Ninguém me convence que não existe alguma armação política por trás disso. Se for para levar a sério esta história de “proteger a saúde dos jogadores”, também seria preciso proibir partidas em vários países africanos, jogadas sob um sol de mais de 40 graus, ou na Europa, no frio intenso do inverno, ou então sob o risco de tempestades de areia, como em países do Oriente Médio. Outra medida importante seria tratar de diminuir a quantidade abusiva de partidas que os jogadores têm de disputar ao longo do ano, algumas vezes passando dos 100 jogos.

A pelada jogada por Evo Morales em Chacaltaya é o inicio de uma campanha internacional para forçar a FIFA a reverter sua decisão. Na próxima reunião anual da Confederação Sul-americana de Futebol, em junho no Paraguai, a decisão será certamente o prato principal. Na semana passada o ministro boliviano da Presidência, Juan Ramón Quintana, esteve na Suíça para fazer lobby junto ao presidente da FIFA com Joseph Blatter. A argumentação do governo boliviano é que a decisão do órgão máximo do futebol mundial seria incoerente com os mandatos da entidade segundo os quais o futebol “é uma prática esportiva universal, não discriminatória e não excludente, além de saudável”. Em diversas entrevistas Juan Quintana lembrou que a decisão afetaria o “principio da universalidade” no momento que se busca reconhecer os direitos indígenas. E arremata: com a decisão 20 milhões de pessoas “teriam negado um direito universal”.

Ou seja, a FIFA se meteu em um imbróglio político que ainda vai esquentar muito nas próximas semanas. O pato está sobrando para o Brasil, país que, segundo grande da imprensa da região, estaria por trás das pressões sobre a FIFA para que a entidade tomasse a controvertida decisão. Tem analista defendendo que Brasil e Argentina teriam pressionado em favor da interdição depois que o Peru ventilou que nas eliminatórias para a Copa do Mundo de 2010 as partidas seriam jogadas em Cuzco e não mais em Lima. Isto representaria uma dificuldade adicional a que representa jogar em La Paz, Quito e Bogotá.

Teorias de conspiração à parte, o fato é que todo mundo sabe que a FIFA funciona movida a dinheiro e interesses políticos. Esta história de proteção à saúde dos jogadores não dá para levar a sério. É como diz o ministro boliviano Juan Quintana:”todos os dias milhões de bolivianos praticam seu futebol acima dos 2.500 metros e não se tem noticia de que alguém tenha morrido por isto”. Vamos ver como a FIFA vai sair desta confusão.