O próximo papa, por favor… May 9, 2007
Postado por tordesilhas em : Política , 5comentáriosEu sou um católico tardio. Acabei me “convertendo” aos 17 anos, depois de passar a freqüentar um grupo de jovens em uma paróquia perto de casa para acompanhar os amigos. Gostei tanto que virei até coordenador de crisma. Aliás, fiz a primeira comunhão e
o crisma ao mesmo tempo, junto a outros jovens, todos “atrasados” com relação aos sacramentos. Logo depois me juntei a um grupo vinculado aos jesuítas, que procurava trazer os exercícios espirituais de Santo Inácio de Loyola para a realidade das pessoas. O legal é que era – e segue sendo – um grupo mais progressista, com uma visão menos bitolada do papel da Igreja no mundo. Acabei me afastando bastante de tudo isso, principalmente depois que me mudei para o Peru. A Igreja aqui me dá nojo, simplesmente, por seu alto grau de conservadorismo, prepotência e distanciamento da realidade de um país pobre, com grande divisão social e um racismo entranhado em cada aspecto da vida cotidiana. Aliás, nada muito diferente do Brasil, para ser honesto. Quando Ratzinger foi eleito para Papa, fiquei mais desanimado ainda. Vi que qualquer possibilidade de a Igreja se sintonizar com a realidade do mundo e dos fiéis ia demorar mais um pouco. A visita de Bento XVI ao Brasil só reforça esta minha percepção. É a primeira vez que ele vai ao país e todo o seu discurso e as mensagens que está passando são de confronto, duras, professorais. Mesmo os poucos sinais de simpatia são passados como prelúdio de uma reprimenda pelos ”maus hábitos” de se insistir em temas como aborto, sexo antes do casamento, pesquisa com células tronco e coisas do tipo. O inquisidor Ratzinger emerge em cada aspecto da personalidade de Bento XVI. O papa não é capaz de pôr o ser humano sobre a ortodoxia; não conseguiu até agora, e suspeito que nem vai conseguir, atuar como um pastor pronto a receber amorosamente a ovelha desgarrada. Afinal, foi ele quem disse que prefere uma Igreja forte, ainda que com menos fiéis. É uma opção, e é isso que ele terá em doses maiores: uma Igreja cada vez mais irrelevante e falando uma língua que a maioria dos fiéis fingem que escutam, mas não praticam. Da minha parte, vou ter de continuar seguindo a minha Igreja pessoal, já que a representada por Roma, ao menos neste momento, não me diz nada de bom, nada de amoroso, nada de realmente cristão.
