jump to navigation

Dicas de leitura March 7, 2007

Postado por tordesilhas em : Cultura , 3comentários

Estive no Brasil por duas semanas e descuidei da manutenção do Tordesilhas. Mas agora que estou de volta tentarei tomar vergonha na cara e cuidar mais do blog. Para marcar o retorno queria dar uma dica de leitura. Na verdade, três dicas. Na viagem comprei três livros que estou lendo agora ao mesmo tempo: O Volume 1 da “Antologia do Pasquim”, “Rondon”, de Todd A. Diacon, e “Morte”, de Neil Gaiman e ilustrado por uma equipe de craques incluindo o brilhante Dave McKean.

A Antologia do Pasquim quase nem precisa ser apresentada. Cobre uma seleção do melhor que foi publicado entre os anos de 1969 a 1971 em 351 páginas. Tem textos e entrevistas de gente como Jaguar, Tarso de Castro, Henfil, Paulo Francis, Ruben Fonseca, Ibrahim Sued, Fernanda Montenegro, Marques Rabelo, Dorival Caymmi, Otto Maria Carpaux, Flávio Rangel e muitos outros e outras… Ufa! A nata da inteligentsia brasileira da época. Tudo isso cozinhado e ilustrado com os Fradinhos do Henfil, o ratinho sem-verginha Sigmund do Jaguar e cartoons do Miguel Paiva, Millor Fernandes e Ziraldo. Uma publicação do tipo que não pode faltar na estante, ou na mesa de centro, de ninguém. A Antologia foi lançada pela Editora Desiderata. 

O segundo livro, sobre o Marechal Rondon, alimenta uma curiosidade antiga que tenho sobre este personagem que é quase onipresente durante uma fase da vida escolar, aí pela 5a. ou 6a. séries, e depois meio que desaparece. A imagem que ficou foi a de um velho magrinho e meio maluquete que se internava pela floresta amazônica para “pacificar” os índios e implantar telégrafos. É claro que Rondon foi muito mais do que isso para o bem e para o mal. Como mostra Todd Diacon, em seu livro muito bem escrito e documentado, Rondon tinha fixado em sua mente o ideal positivista de implantar um projeto de nação a partir da inclusão de todos os elementos da nacionalidade, especialmente os mais isolados, como os indígenas, e do uso dos instrumentos da modernidade, como o telégrafo. O livro, lançado pela Companhia das Letras, foi publicado originalmente nos Estados Unidos com o título “Stringing Together a Nation: Candido Mariano da Silva Rondon and the Construction of a Modern Brazil, 1906-193”. Leitura recomendadíssima.

Finalmente, o mais novo lançamento no Brasil de Neil Gaiman, o mestre inglês das histórias em quadrinhos. É a Graphic Novel (ainda se usa este termo?) “Morte”, escrita pelo autor da extraordinária série Sandman, que virou de cabeça para baixo o mundo das histórias em quadrinhos para adultos, quando foi lançada nos Estados Unidos em 1988. Nas 200 páginas do gibizão de luxo, o mestre Gaiman traz três histórias completas com a Morte como personagem principal. Uma explicação para os neófitos: a Morte neste caso assume a forma corpórea de uma bela jovem com look dark e uma personalidade extremamente simpática. Afinal, como ela diz em um dos diálogos, ela gosta de todo mundo, “de todo mundo”.

A Morte é um dos membros da família dos Sete Perpétuos, que na mitologia de Neil Gaiman, acompanham a humanidade desde sempre. Além dela, fazem parte da família: Delírio, Desejo, Destino, Desespero, Destruição e o Sonho (ou Sandman, cuja série própria composta por 75 números é imperdível). O interessante é que originalmente a Morte era um personagem secundário nas histórias de Sandman, mas o seu visual e a sua personalidade cool eram tão fortes que a tornaram um enorme sucesso entre os fãs da sério. Ao ponto em que Nel Gaiman teve de escrever alguns trabalhos dedicados exclusivamente a ela. O livro traz algumas destas histórias. As ilustrações do livro Morte são um capítulo a parte, pela sua altíssima qualidade (para mim, verdadeiras obras de arte). Enfim, vale cada centavo gasto para comprá-lo.