Já tem o meu voto! January 17, 2007
Postado por tordesilhas em : Geral , trackback
Eu não tinha escutado falar de Barack Obama até a noite do dia 27 de julho de 2004. Foi quando ele deu o discurso principal da Convensão dos Democratas que lançava John Kerry e John Edwards à presidência dos Estados Unidos contra George Bush. Na verdade estava zapeando quando por coincidência passei pela CNN, que começava a transmitir o discurso ao vivo. Fiquei paralizado pelas palavras e pela capacidade de convencimento de Obama. E pelo que as câmeras mostravam, os centenas de simpatizantes democratas presentes no Fleet Center, de Boston, também estavam hipnotizados. Agora Barack Obama anunciou de maneira muito simples e objetiva que abriu um processo de consulta para testar o pulso de seus eleitores (e dos potenciais financiadores) com vistas a lançar sua candidatra à presidência em 10 de fevereiro. Será que depois de oito anos horríveis de governo Bush, os americanos estão prontos para uma mudança tão radical? Se eu fosse americano ele já teria meu voto e eu trabalharia no comitê dele de graça.
Barack Hussein Obama, 45 anos, tem um nome e uma origem étnica que em princípio jogam contra ele, apesar de que não impediram que fosse eleito para o senado há dois anos pelo estado de Illinois. Ele é brilhante ao falar em público e tem uma vida pessoal e política muito coerentes. Principalmente, apesar de ser negro, não tem um discurso especificamente racial. Ao contrário sempre procurou falar a “todos os americanos”. Esta foi, alías, a tônica principal de seu discurso na convenção democrata de 2004. Em um dos momentos mais brilhantes de seu brilhante discurso Osama predicou:
“Now even as we speak, there are those who are preparing to divide us — the spin masters, the negative ad peddlers who embrace the politics of “anything goes.” Well, I say to them tonight, there is not a liberal America and a conservative America — there is the United States of America. There is not a Black America and a White America and Latino America and Asian America — there’s the United States of America.”
Esta capacidade de ir ao ponto, de falar as coisas de maneira clara, de se fazer entender por todos é admirada até por muitos republicanos. Barack também foi contra a guerra do Iraque, ao menos da maneira como está sendo conduzida por Bush, desde o princípio e nunca mudou sua posição, mesmo quando isso era muito impopular (ao contrário de muitos de seus companheiros de partido).
Esta capacidade de falar para todos, de “governar para todos”, talvez seja o que os Estados Unidos estejam precisando neste momento. E dificilmente algum outro candidato democrata (ou republicano) se encaixe tão bem neste perfil, como Barack Obama. Filho de um imigrande queniano casado com uma americana branca quando ambos estudavam na Universidade do Havaí, o senador transita muito bem no complexo mundo das relações raciais nos Estados Unidos. Seus pais se divorciaram quando ele tinha apenas 2 anos. Seu pai foi para Harvard para conseguir um PhD e depois voltou para viver em Kenya, onde acabou morrendo em um acidente de carro. A mãe de Barack se casou de novo com um estudante indonésio e a família mudou-se para Jakarta, onde o atual senador viveu dos 6 aos 10 anos de idade, quando voltou para os Estados Unidos para viver com seus avós maternos.
Barack acabou crescendo em uma família de americanos brancos típicos de classe média. Em sua biografia, “Dreams from My Father”, ele descreve como era crescer em um ambiente WASP ao mesmo tempo em que tomava consciência de suas origens raciais e tentava se reconciliar con a memória e a herança de seu pai ausente. Ele reconhece que neste período de crescimento e auto-descoberta, como a maioria dos jovens, fumou maconha e experimentou cocaína. Ou seja, pelo menos, diferentemente de Bill Clinton e George Bush, já não precisa mentir sobre seus “desvios de conduta” juvenis. O futuro senador seguiu uma carreira estudantil de muito sucesso, graduando-se ”magna cum laude” pela Harvard Law Schooll. Trabalhou como professor de Direito Constitucional na Escola de Direito da Universidade de Chicago desde 1993 até ser eleito para o senado em 2004.
Ou seja, Barack é também de alguma maneira um representante da classe média americana, um afro-americano nascido e criado no seio de uma família WASP, com um nome que soa islâmico, e um discurso que é inclusivo. Um sonho para quem ainda acredita que os Estados Unidos podem ter uma posição de liderança positiva para o mundo.
Seus detratores esgrimem contra ele o fato de ser muito jovem e inexperiente. Mas mesmo isso pode cair no vazio se se lembra que Abraham Lincon, por exemplo, até ser eleito presidente havia sido apenas Deputado, e que John Kennedy estava apenas no meio de seus segundo mandato como Senador quando decidiu lançar-se à presidência (e ainda era católico em um país majoritariamente protestente).
Vamos ver se os americanos vão comprar a mensagem de esperança de Obama, sintetizada em outro trecho de seus discurso na convenção democrata de 2004:
I’m not talking about blind optimism here — the almost willful ignorance that thinks unemployment will go away if we just don’t think about it, or the health care crisis will solve itself if we just ignore it. That’s not what I’m talking about. I’m talking about something more substantial. It’s the hope of slaves sitting around a fire singing freedom songs; the hope of immigrants setting out for distant shores; the hope of a young naval lieutenant bravely patrolling the Mekong Delta; the hope of a millworker’s son who dares to defy the odds; the hope of a skinny kid with a funny name who believes that America has a place for him, too.
Aqui um link para o texto completo e o vídeo do discurso de Barack na Convenção dos Democratas de 2004.
O site oficial de Barack Obama pode ser visitado aqui.

Comments»
Também estou torcendo (desde a eleição passada) para ele ganhar em 2008.
Pois é, Leila, estas eleicoes vou acompanhar mais de perto ainda…
Um abracao,
Renato
tem meu voto também