Sin tetas no hay paraiso November 14, 2006
Postado por tordesilhas em : Cultura, Mídia , trackback
A Colômbia não deixa de surpreender. O mais recente sucesso de televisão local foi uma minissérie chamada “Sin tetas no hay paraíso”. O título é provocativo mesmo e reproduz o título do livro, escrito por Gustavo Bolívar, no qual o autor documenta o submundo das mulheres de Pereira (mas poderia ser Cali ou Medellin) que fazem qualquer coisa para turbinar seus corpos, principalmente implantando silicone nos seios, como uma maneira de subir na vida.
O mais comum, segundo o autor (que também assina o roteiro da minissérie), é que elas se envolvam com traficantes, chamados de “traquetos”, para conseguir suas tão sonhadas “tetas” siliconadas. É a história de duas destas mulheres que ele conta em seu livro, que acabou sendo levado às telinhas colombianas no melhor estilo “TV-verdade”.
A série de TV abusou de imagens cruas, tanto das operações feitas por qualquer aprendiz de cirurgião, até nas cenas de sexo e orgias regadas a muita droga, bebida e violência entre os traficantes e suas candidatas a “bombom”, como são chamadas as mulheres com corpos turbinados.
Segundo Gustavo Bolívar a idéia do livro surgiu quando ele entrevistou duas mulheres da região colombiana de Pereira que lhe contaram detalhadamente suas sagas pessoais para conseguir os recursos para botar o silicone. O caso é que ter o corpo perfeito era – e é – praticamente o único caminho para as mulheres, sobretudo as mais pobres, de subir na vida. Então elas passam praticamente 24 horas por dia pensando em como conseguir o dinheiro necessário. O caminho mais curto acaba sendo o de envolver-se com os narcotraficantes que, como se pode imaginar, têm uma predileção especial por este tipo de mulher.
“Sin tetas no hay paraíso” era cheia de tramas e subtramas, como um bom dramalhão noveleiro, mas tem também bastante ação, sexo, drogas e rockenrol. Talvez por isso tenha estreado já com picos de audiência, apesar do horário em que foi exibida (depois das 22hs).
Tentar resumir a trama é difícil, mas vou tentar. A personagem principal, Catalina, é bonita, mas pobre. Ela alimenta sonhos de subir na vida e sabe que a maneira mais rápida é arrumando um namorado traficante. O problema é que ela, apesar de bonita, tem os seios de tamanho normal, ou seja, fora dos padrões estéticos vigentes.
Ela não tem grana para bancar uma operação e “entrega a virgindade” a um médico para que ele lhe ponha o tão sonhado silicone. A partir daí finalmente consegue conquistar a atenção de um conhecido narcotraficante com quem acaba se casando. Ela entra na roda viva de luxo e opulência que o trafico oferece, mas nunca se esquece de seu antigo namorado, que mantém agora um caso com a mãe dela.
Complicado? Pois o autor garante que conheceu a verdadeira Catalina e que todas as histórias que conta ele ouviu durante as investigações para o livro que originou a série de televisão. Não duvido, ainda mais conhecendo a Colômbia, onde a beleza física montada e moldada em uma mesa de operação é hiper valorizada.
Aliás, me disseram que em Cali a situação chegou a tal ponto de mortes e mutilações por operações mal feitas por pseudo-cirurgiões que a prefeitura teve de criar um serviço especial nos hospitais públicos para oferecer operações plásticas, principalmente enxerto de silicone nos seios, a baixo custo. Virou um caso de saúde pública já que é mais barato botar silicone do que cobrir os custos com as conseqüências de operações mal feitas.
O sucesso de “Sin tetas no hay paraiso” foi tanto que a novela já está sendo exportada para vários países da América Latina. Será que o Silvio Santos vai comprar?

Comments»
Não sei se não vamos pelo mesmo caminho. Lembra quando aqui as mulheres só tinham bunda(de nascença)e peito pequeno? Era o padrão brasileiro: baixinha, cadeiruda e peito pequeno. Hoje você não reconhece esse padrão nas ruas, principalmente em shoppings. É silicone nos peitos, botox na boca, e umas garotas tão altas que parecem que tomaram mamadeiras com fermento. E tem gente que compra sua plástica a prestação, como quem compra um dvd ou microondas. Ninguém diz, nas entrevistas de TV, que quer cursar faculdade. Dizem querer siliconar, turbinar, ou qualquer outro verbo da moda. E os neuroninhos, ó, daquele tamenhinho…
Mas deixa pra lá…devo estar ficando ranzinza com o tempo
Mas é verdade mesmo que o “culto” ao corpo já está tomando proporções um pouco exageradas. Operação plástica virou, como você fala, artigo de consumo, como se fosse a coisa mais simples do mundo. Nesta onda, o mercado negro de falsos médicos segue prosparando. aqui no Peru a toda hora os jornais falam de casos que pessoas que porrem vítimas de charlatoes que oferecem milagres a baixo preço…
Ah!!! Maray…… Pois é, sou alta, tenho seios grandes (46) e bumbum pequeno! completamente ao contrário do padrão brazuca.
Well, to mais para americana (norte).
xx