jump to navigation

Tesón por bulas… August 7, 2006

Postado por tordesilhas em : Geral , trackback

Todo mundo tem as suas manias. Uma das minhas é a de ler dicionário, enciclopédia, bula de remédio ou folheto técnico de qualquer coisa, até mesmo de aspirador de pó. Sério, cai um remédio na minha mão e a primeira coisa que faço é abrir a caixa atrás da bula. Se for daquelas bulas bem longas, com muitos termos técnicos e diagramas de combinações químicas, melhor ainda. Alias leio até a caixa do remédio em busca de informações como o nome do laboratório, o endereço, se é importado etc. e tal.

Ler dicionário e enciclopédia é outro grande barato. Vejam bem, não estou falando de consultar, mas de ler mesmo. De vez em quando pego um dicionário, vamos dizer o “Dicionario de la Lengua Española de la Real Academia Española” e começo a folhear, lendo páginas inteiras de verbetes. Assim, aprendo que as “águedas” são as mulheres que, vestindo trajes típicos e de acordo com o folclore castelhano e leonês, tomam simbolicamente o mando dos povoados onde vivem todo dia 3 de fevereiro, durante a tradicional festa de São Blás.

A importância concreta de saber isso? Provavelmente nenhuma. Mas o importante para mim é que eu li e acrescentei algo novo ao meu dicionário pessoal. Sem contar que nos concursos de trívia aumentam as minhas chances de ganhar algum prêmio.

Não sei bem de onde vem essa minha compulsão de ler coisas aparentemente sem importância ou do cotidiano. Acho que uma explicação pode ser o fato de que a minha mãe sempre me estimulava a ler jornal quando eu estava na fase de alfabetização. Não apenas jornais, mas qualquer coisa que pudesse ser lida, tipo placas na rua.

Uma lembrança que tenho bem antiga é a de estar caminhando na rua, de mãos dadas com a minha mãe, e ela me pedindo para ler as placa de sinalização de um hospital público que fica na esquina da rua onde morávamos. Eu lia “Pare”, “Atenção”, “Silencio”, “Vire à esquerda”, “Cuidado, ambulância” e via como ela ficava satisfeita.

Depois, quando já podia ler coisas mais complexas, ela começou a comprar diariamente jornais. Isso era um sacrifício porque na época não tinha sistema de entrega por assinatura no subúrbio onde morávamos e o dinheiro para comprar jornais todos os dias era limitado. Mesmo assim, durante a semana sempre tinha um exemplar de “O Dia” e no domingo melhorava um pouco e tínhamos “O Globo”. Eu lia tudo, até classificados.

De repente o meu gosto pelo jornalismo vem daí. Quando estava aí pela 5a. série, a nossa professora de português dividiu a turma em grupos e cada um tinha de desenvolver uma espécie de telejornal. A brincadeira era a seguinte: os grupos liam os jornais do fim de semana, reescreviam as notícias em formato “televisivo” e as apresentavam para o restante da turma como se fosse um telejornal. Era o maior barato.

A nossa turma fazia parte de uma promoção que o Globo organizava na época para estimular a leitura de jornais nas escolas. Fomos visitar a gráfica deles e ganhamos, cada aluno, uma assinatura por um mês. Além de estimular a leitura, essa jogada de marketing deve ter lá o seu fundamento porque admito que até hoje gosto de ler o Globo.

Com o tempo, os meus hábitos de leitura melhoraram um pouco. Por exemplo, acrescentei outros jornais à lista dos meus preferidos. E também livros, poesia etc. Mas as enciclopédias continuam com seu lugar. Aliás, sabem o que é “tesón”? Em espanhol significa firmeza, constancia, inflexibilidade de caráter. Está lá no volume 19 da “La Enciclopedia”, distribuída semanalmente pelo jornal limenho El Comercio.

Comments»

1. Vanessa - 7 August, 2006

Adorei o “águeda”. Acho importante saber isso! ;-) Tive uma vizinha que se chamava Águida e o nome sempre me intrigou. Agora, descobri de onde vem. Pena que ela morreu talvez sem sequer imaginar o que poderia significar o seu nome…

Adorei este post!

2. Alline - 8 August, 2006

Adorei o post e aproveito para confessar que eu tb sou maníaca com bulas e rótulos de produtos em geral. Fico vendo a composição química, tentando fazer as cadeias de carbono e hidrogênio…hehehe.
E gosto de ler dicionário também. Pego, abro em uma página ao acaso e aprendo sempre uma coisa nova!

3. Marcia Kawabe - 8 August, 2006

Renato eu também adoro bulas e atlas. Nas bulas eu vou correndo ver os efeitos colateriais e depois de algumas horas que tomei o remédio posso jurar que estou sentindo tudo que estava escrito lá, hehehe!

4. Renato - 8 August, 2006

Esse lance das bulas merece um estudo específico, se é que já não há. Sempre que leio uma fico pensando em quem a terá escrito. Um jornalista? Um médico? Haverá algum curso especial para escrever bulas? E se algum laboratório mais moderno resolvesse contratar cronistas ou escritores para escrever as bulas? E se elas passassem a ter fotografias, além dos esqueminhas das composições químicas? Acho que ia ter gente comprando remédios só por causa das bulas…

5. maray - 8 August, 2006

Também gosto de ler dicionários. Às vezes gosto de abrir numa página a esmo e buscar idéia pra escrever alguma coisa. Palavras são coisas fascinantes. São as melhores coisas do mundo. Pra mim melhor até do que imagens. Porque palavras trazem uma história por trás, de onde vieram, a qual cultura fazem menção. É como um fio que te arrasta pelo labirinto do mundo. Agora bulas não dá. Só de pensar em bula já fico doente…:)

6. Renato - 8 August, 2006

Pois é, Maray, e esse lance de ler bula de remédio vem desde a infancia. Era eu que lia para a minha mae. Nunca me influenciou o suficiente para ser um farmaceutico, mas sigo com o costume - ou mania - até hoje…

7. Nilton - 14 August, 2006

Muito bom esse post. Não sou chegado numa bula, mas sou fascinado por dicionários. Adoro um Larousse ilustrado!
Nilton

8. Renato Guimaraes - 15 August, 2006

POis é, Nilton,
Dicionários sao o meu forte tambem…
Cada louco com a sua mania…:-)
Um abraçao,
Renato