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Tribos neonazistas e anti-fascistas em guerra no Chile July 10, 2006

Postado por tordesilhas em : Geral , trackback

A guerra entre tribos urbanas, típicas de grandes metrópoles, está ganhando um matiz especial em Santiago do Chile. Ali existiria, segundo especialistas, uma guerra não declarada, mas real, entre grupos neo-nazistas e anti-nazistas que provocou há pouco mais de uma semana a morte de um jovem de 30 anos. Mauricio Egaña, um militante neo-nazista, foi morto a facadas em um confronto com um grupo de skinheads anti-fascistas. Sua noiva disse à imprensa que “Deus e Hitler o estão esperando no céu”. Seus amigos já estão fazendo uma convocatória na internet a grupos com ideologia similar para vingar a morte do campanheiro.

Aparentemente a morte de Egaña foi uma resposta ao assassinato há mais de dois meses do skinhead anti-fascista Tomás Vilches. O fato de ambos grupos usarem a violência para impôr suas crenças está despertando a atenção de analistas e formadores de opinião, temerosos de que novos casos de combates e mortes acabem acontecendo, afetando a paz pública. Especialistas dizem que haveria entre 20 e 30 grupos neonazistas no Chile. Eles misturam uma sopa de ideologias políticas, racistas e religiosas bastante confusas, mas o que parece claro é que alguns destes grupos teriam vínculos com militares de direita da polícia e do exército. Não há dados sobre os grupos anti-fascistas.

A internet é o principal canal de comunicação entre estes grupos, fornecendo-lhes uma base virtual para trocar idéias dentro e fora do país, para a doutrinação e para a organização de encontros e ações públicas.

A última novidade é que a Câmara de Deputados chilena quer passar uma legislação para pôr os grupos neonazistas fora da lei. Isto demonstra que o tema começa realmente a preocupar as autoridades. Sem contar que tem gente que de maneira ainda velada defende o uso da força e violência para impedir que os neonazistas sigam propagando sua pseudo-ideologia.

O que deixa a situação confusa é que tanto neo-nazistas como os anti-fascistas têm uma estética e modo de agir muito parecidos. Normalmente são skinheads, usam roupas de aparência militar, andam em bandos, têm origem sócio-econômica similares, usam a internet para propagar suas agendas. Apesar disso, são como água e vinho e o simples contato entre ambos grupos gera confronto e violência na certa.

O jornal La Nacion fez uma reportagem bastante completa sobre a emergência destas novas tribos urbanas no Chile, que pode ser lida aqui.

Um trecho da reportagem:

A batalha contra os skinheads e grupos anti-fascistas era e é também clara: “Fuera punk, esta es mi tierra”. “No al comunismo, no al capitalismo, sí al nazismo”. “Ojo, rojo, que te cojo”, era posivel ler sobre as paredes de hormigón. Da outra trincheira os grafites antinazistas ou redskins contra os “cabezas huecas” eram também visíveis: “Pelea por tu pueblo, no por tu país”. “Tu patria sólo es un trapo tricolor”. “No banderas, no fronteras, no patriotas, no más nazis”. “Hardcore antinazi”. “Acción antifascista”. “Corre, bonehead (cabeza hueca)”.

Comments»

1. Denise Arcoverde - 11 July, 2006

Renato, essa história é impressionante! nunca imaginei que isso tudo estivesse acontecendo no Chile!

Mas, lembrei de um dos nossos coordenadores de projetos, responsável pelo contato com o Origem, de uma agencia de cooperação internacional. Ele era chileno, progressista, mas você sentia que ele tinha um orgulho enorme de ter uma esposa loura de olhos azuis e gringa. Claro, orgulho, todos nós temos dos nossos amores, mas com ele era estranho…

Não tenho muita informação sobre isso, mas tenho a sensação de que o povo lá do Sul da America do Sul Chile, Uruguai e Argentina é um pouco diferente do resto da America Latina, tem uma tendência a se achar “superior” aos bolivianos, peruanos, colombianos e isso é um tremendo risco pra o crescimento dessas “forças do mal”. Você acha que isso tem algo a ver, ou é viagem minha?

2. Renato Guimaraes - 11 July, 2006

Denise, no Chile, principalmente, se vende muito a idéia que o país é superior aos seus vizinhos do ponto de vista econômico e militar. Ganharam a guerra do Pacífico, contra o Peru e Bolivia, e tem uma economia mais organizada. Isso certamente se reflete em um certo ufanismo, que é natural. Daí a dizer que isto serviria de caldo de cultura para movimentos neo-nazistas eu nao saberia dizer. Certamente a sociedade segue muito dividida, desde os tempos de Pinochet, e existe uma direita que é orgânica, entranhada, na sociedade. Mas acho que esses grupos nao sao muito diferentes dos skinheads paulistas ou de outros centros urbanos. Um pessoal que nao tem expectativa clara de vida e futura que encontra na sua “tribo” um certo sentido de identidade. O problema é que em Santiago aparentemente eles estao se matando, o que deixa a coisa muito mais séria.

3. cesar - 24 October, 2006

Meu nome é cesar e sou do Chile. E verdade que dice renato sobre intoleranza no meu pais.
Existem agora algumos grupos organizados; mas, nao sao muitos. Ó televisao fala muito mal sobre meu pais e minha génte. Eu sou do Chile e acho que rascismo na america latina é muito chato tambem estúpido.
A génte se ve. Boa noite.
Cesar Diaz ,Valparaiso Do Chile.

4. Renato - 25 October, 2006

É verdade, Cesar, que racismo e intolerncia estao na moda na América Latina. No brasil volta e meia há casos lamentaveis de brigas entre tribos neo-nazistas contra punks em Sao Paulo, por exemplo. Como se nao fôssemos todos latino-a,ericanos de sangue misturado. O que, aliás, é o que de melhor nós temos.
Um abraco e volte sempre.
Renato

5. kelvin - 10 September, 2007

se um dia o chamarem de imperialista,pergunte a ele se ñ q ser um. se disser q ñ então nunca poderar ser pai,pq aquele q coloca o pão na boca de seu filho tambem é um imperalista.