México e Bolívia pós-eleições July 7, 2006
Postado por tordesilhas em : Política , trackbackNo fim das contas o candidato do governo, o conservador Felipe Calderón, levou a presidência do México por apenas 0.58% de vantagem sobre seu principal oponente, o representante da esquerda López Obrador, quem já disse que vai pedir a impugnação das eleições ou pelo menos a recontagem dos votos um a um. A legislação restringe a adoção de qualquer destas possibilidades e, portanto, se esperam tempos conturbados adiante. Na Bolívia, por sua vez, também finalmente está praticamente concluída a apuração dos votos para a Assembléia Constituinte, com alguns resultados bem interessantes.
O partido do governo boliviano, o MAS (Movimiento al Socialismo), obteve 50,7% dos votos, o que significa 139 cadeiras na Assembléia. Isto somado às cadeiras obtidas pelos partidos aliados (12 mais) resulta em um total de 151 lugares na Assembléia. Faltariam portanto 19 votos para se conseguir os dois terços necessários para a maioria absoluta na Assembléia Constituinte. Não chega a ser o resultado idealizado por Evo Morales, quem gostaria que o MAS tivesse alcançado esta maioria absoluta, mas não chega a ser um cenário tão ruim.
O interessante foi o fato de o MAS ter sido o partido mais votado em dois departamentos que tradicionalmente são liderados pela oposição: Santa Cruz e Tarija. Por um lado, ambos departamentos votaram maciçamente a favor do “Sim” no referendo sobre autonomia departamental. Mas em Santa Cruz, por exemplo, principal bastião do partido Poder Democrático y Social (Podemos), de forte oposição ao governo, o MAS teve o maior número de votos para a Assembléia (26,3%). Podemos, por seu lado, ficou com 24,8%.
Em geral, a presença do MAS cresceu em toda a região oriental da Bolívia, justamente onde está localizada a mais aguerrida oposição ao governo e onde o voto em favor da autonomia foi unânime. Diferentes membros do governo reconhecem que devem prestrae atenção a esta dupla mensagem que saiu das eleições: por um lado um forte apoio à autonomia e, ao mesmo tempo, um crescimento no apoio ao partido do governo. Ou seja, não será possível para Evo ignorar esta demanda, mas ao mesmo tempo aparentemente terá espaço para conduzir o processo dentro de regras e tempos que estajam de acordo com seu projeto político.

Comments»
E vêm aí as eleições aqui no Brasil… que, ao que tudo indica, não deverão trazer supresa alguma. Seria uma vitória da esquerda… se Lula ainda fosse o Lula! Qt à Bolívia, acho que a preocupação populista do Morales vai atrapalhar os resultados do governo dele, em médio prazo…
Será que tenho razões para me preocuopar com o Populismo crescente na Améria Latina? Quando será que seremos capazes de votar com qualidade?