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Faroeste caboclo na Amazônia June 12, 2006

Postado por tordesilhas em : Geral , trackback

No Fantástico deste domingo, uma reportagem muito boa sobre o ataque sofrido por ativistas do Greenpeace quando protestavam contra a destruição da Amazônia perpretada pela expansão da fronteira agrícola floresta adentro para o plantio de soja. As cenas mostram a polícia apontando suas pistolas para ativistas desarmados e funcionários da transnacional Cargill atacando outros ativistas que protestavam no porto da empresa em Santarem. As imagens documentam o ponto em que chegou o faroeste caboclo na Amazônia em geral e no estado do Pará, em particular, protagonizado por transnacionais, agroexportadores e autoridades públicas.
 
Uma parte essencial da estratégia usada por esta curriola mancomunada para destruir a floresta em nome do “desenvolvimento” da região amazônica é tentar manipular a opinião pública contra os ativistas do Greenpeace e de outras organizações locais e internacionais. Para isso, são mobilizados sindicatos rurais, estudantes universitários, funcionários públicos, líderes de opinião, militares, associações comunitárias e por aí vai em uma tentativa de mostrar que existe uma unidade da população em favor do “desenvolvimento” e contra as organizações “estrangeiras” que estariam tentando, na verdade, manter a Amazônia em uma situação de pobreza.
 
Tudo isso movido a muito, muito dinheiro. A expansão da fronteira agrícola para o plantio de soja é, sem dúvidas, um negócio muito lucrativo. O problema é que seus benefícios não chegam a quem mais necessita, justamente as populações locais. Mas elas no fim são as que sofrem as conseqüências da desflorestacao e da concentração de terras.
 
Para saber mais vale a pena visitar o blog do Greenpeace sobre a Amazônia aqui.
 
Neste link dá pra ver a sequencia filmada do policial apontando uma pistola para o ativista do Greenpeace.

Comments»

1. Marcus - 12 June, 2006

Você está coberto de razão. Já houve aqui em Belém uma “passeata” de trabalhadores de empresas madeireiras (obviamente tangidos pelos patrões) contra o Greepeace.

Já houve outdoors onde havia um mapa do Brasil e a parte da Amazônia era pintada com as cores do arco-íris e com o nome Greepeace. Os dizeres eram mais ou menos assim: “deixaremos que a Amazônia seja internacionalizada”?

Duplipensar total.

2. ezequiel vieira - 12 June, 2006

Essa região do norte realmente é muito difícil. É onde, principalmente, o interessse político nao tem muito pudor para fazer valer sua vontade

pena q o restante do pais só saiba disso em casos extremos e q para a impresa o noticiário político só seja as politicagens do eixo rio-sp-brasilia

sem ficar no choro, q bom q finalmente esse caso saiu na vitrine nacional e tomara q casos parecidos tb venham à tona

3. ezequiel vieira - 12 June, 2006

claro… parabens!

excelente blog

4. Renato Guimaraes - 12 June, 2006

Marcus e Ezequiel,
Obrigado pela visita e comentários.
Eu trabalhei tres anos no Greenpeace e apesar de nunca ter sofrido um ataque direto como este que receberam os ativistas, pude acompanhar a escalada de violencia na regiao. Do ponto de vista ambiental é literalmente uma terra de ninguem, onde a bandidagem em alto nível anda de maos dadas com interesses políticos e econômicos para lá de inconfessáveis. Tudo em nome do tal desenvolvimento da regiao. A pergunta, como sempre, é “desenvolvimento” para quem, cara pálida? Para as populacoes locais é que nao é.

5. Mauricio Santoro - 12 June, 2006

Renato,

minha família paterna é de políticos paraenses. O partido varia conforme quem está no poder em Brasília, mas a lógica é a mesma: manter um modelo econômico que beneficie as elites do agronegócio (com suas ramificações urbanas em serviços, imóveis etc).

Na quarta-feira vou dar uma palestra sobre desenvolvimento e direitos humanos na PUC-Rio e meu mote será justamente o quanto setores da elite brasileira (incluindo vários ministérios do governo Lula) manipulam o conceito de desenvolvimento para defender medidas que dão lucros a uma minoria, degradam o meio ambiente e as condições da vida da população local. O dinheiro, nem precisa dizer, com freqüência vai para fora: capitais estaduais, Rio, São Paulo, Brasília, ou para o exterior.

Abs