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Bons de retórica May 17, 2006

Postado por tordesilhas em : Brasil , trackback

UPDATE: E para dar uma resposta ao “clamor popular” a PM paulista já revelou que 93 “suspeitos” foram mortos até agora em supostos ocnfrontos com a polícia. Um verdadeiro massacre que não faria feio ao faroeste que domina o Iraque atualmente. Ninguém sabe ainda oficialmente a identidade destes suspeitos e a natureza de suas mortes, mas desconfio, pelo backgroud da PM de Sao Paulo, muito bem documentado pelo jornalista Caco Barcelos em seu livro “Rota 66″, que uma boa parte se trata de assassinatos, pura e simplesmente, tanto de bandidos, como de gente inocente. E obviamente ninguém vai falar nada. A classe média e alta paulistanas certamente não estão nem aí, como sempre, porque afinal os mortos são anônimos da periferia. A imprensa está caladinha, só registrando os números, mas sem botar as autoridades contra a perede como fizeram no auge da rebelião. 93 mortos em “ações de repressão” desde sábado! Isso deveria ser também um escândalo nacional, mas na verdade ninguém está nem aí. O caldo de cultura da violência é engrossado por esta leniência da opinião pública em geral com um modus operandi policial que troca a inteligência pela truculência pura e simples. E, é claro, são sempre os pobres da periferia que pagam o pato. Porque os verdadeiros bandidões seguem muito bem protegidos dentro e fora das prisões por uma poderosa cadeia de corrupção que envolve agentes do Estado, inclusive policiais, e advogados, entre outros.
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“No dia 11, apesar de há muito reinar a paz no sistema carcerário, governantes e autoridades ligadas ao sistema realizaram na calada da madrugada a remoção de aproximadamente 800 presos de todas as unidades do Estado para a unidade de Presidente Venceslau 2. Problema algum haveria em realizar as remoções se não tivessem sido feitas sem o conhecimento sequer das direções e de presos, com benefícios montados e que problema algum de disciplina vinham causando nas unidades em que se encontravam. E pior, na véspera do Dia das Mães. Ressaltamos que impedir o sentenciado de conquistar um benefício, sonhar com a liberdade e de receber o amor de seus familiares é o mesmo que arrancar-lhes as pernas e braços”.

policial que troca a inteligência pela truculência pura e simples. E, é claro, são sempre os pobres da periferia que pagam o pato. Porque os verdadeiros bandidões seguem muito bem protegidos dentro e fora das prisões por uma poderosa cadeia de corrupção que envolve agentes do Estado, inclusive policiais, e advogados, entre outros.***************************************Este é o trecho de um manifesto divulgado hoje pelos presos que lideraram a rebelião deste fim de semana. Já tem gente dizendo que estamos vivendo em uma situação de pré-organização mafiosa. Pela maneira como se organizaram e pelo teor deste manifesto, dá para acreditar que esta análise tem muito de verdadeira.

Outro trecho do manifesto:

“Nada justifica o que aconteceu, muito menos o pavor que moradores e vizinhos das unidades prisionais e demais cidadãos sentiram. Porém é importante salientar que nós sentenciados somos seres humanos com anseios, sentimentos e esperanças. Não queremos nos eximir de nossas culpas e atos. Porém desejamos que não nos seja tirado o direito de sonhar, ter esperança de uma vida melhor. E sermos tratados com dignidade e respeito”.

Sinceramente, sem comentários….

Comments»

1. Marcus - 17 May, 2006

Se as rebeliões não tivessem sido metodicamente organizadas no contexto de uma onda de ataques terroristas, eu até daria alguma razão a eles.

Depois de tudo o que aconteceu, é impossível.

2. Marcus - 17 May, 2006

Eu até pensei que a polícia iria esconder os números do massacre, revelado na manchete principal de O Globo de hoje. Mas parece que eles se vangloriam do que estão fazendo…

3. elenara iabel - 17 May, 2006

Salve, Renato!
ai, sei lá, tenho até medo de dizer o que penso sobre… talvez já saibas que tenho três crias, dois filhos e uma filha, e eles tem sido, ultimamente, meus olhos, meus ouvidos, meu sentido de vida. estava à pouco lendo o jornal com a Inaê, que tem 10 anos, e algumas reportagens a deixaram inquieta, indignada, com dúvidas e, conseqüentemente, sobrou prá mãezona aqui, hehehe. Reportagens sobre: a máfia das ambulâncias e a contabilidade da propina; senador declarando que sua assinatura foi falsificada por assessor do seu gabinete; dependentes químicos enfrentam filas no SUS; sobre aula à luz de vela; alunos sem água em escola de fazem xixi e cocô no matinho; apenas algumas das tantas que a fizeram me perguntar onde está mesmo o terror? quem é mesmo o PCC?
Nosso sistema carcerário é absolutamente medieval, ainda, qualquer autoridade sanitária proibiria o curral que nós temos de cadeia, para seres humanos(querendo ou não são seres humanos), sem esquecer que nós temos um problema muito sério que é o nosso sistema de impunidade, onde as várias engrenagens que estão aí combinadas no sistema de justiça criminal estão bastante deterioradas. temos uma legislação penal que está merecendo, há muito tempo, os devidos reparos, principlamente o código de processo penal. temos uma justiça que opera com extrema dificuldade.
Qdo eu tinha metade da idade da Inaê meu pai foi preso. No domingo, dia das mães, enqto assisitíamos as reportagens sobre são paulo, ele fez um comentário dizendo ser tudo muito parecido com 64, que a gente considerasse mais a fundo, pois a governabilidade de são paulo está nas mãos daqueles que se aproveitam de situações como esta, promovendo ainda mais o caos para respaldo `perante à sociedade… terminou seu comentário dizendo que nos dias de hoje não existe condições para um “golpe militar”, mas para um golpe baixo.

4. Cláudio Costa - 18 May, 2006

Tá tudo mesmo de cabeça pro ar. O “estado de direito” está indo pras cucúias. A polícia matar “suspeitos” ( mais de 100) e ninguém reclamar, botar a boca no trombone… sei lá! O Brasil fez um escarcéu - justificado, claro - quando nosso Jean foi assassinado pela polícia britânica. Agora são > 100 brasileiros…