QWERT April 1, 2006
Postado por tordesilhas em : Geral , trackbackO Mateus trata o computador como se fosse mais um brinquedo. A coisa mais normal do mundo. Com pouco mais de 4 anos de idade, ele sabe exatamente como usar o computador e acessar os dois sites de jogos online de que mais gosta: Cartoon Network e Iguinho. Usa o mouse e as teclas tão bem como maneja os lápis de cor de suas tarefas escolares. Ou seja, a coisa mais normal do mundo. Pior que para ele é mesmo. Vai crescer num mundo onde sempre existiu computador, internet, dvd etc.
Eu ainda cheguei a conhecer e usar a máquina de escrever. Quando era moleque até estudei datilografia (mas nunca superei o ódio mortal pelo QWERT repetido ad nauseum). Mas quando era adolescente já me fascinava pelos computadores, que naquela época eram menos potentes do que uma boa calculadora científica atual. Lembro-me que quando tinha uns 15 anos fui a uma feira de informática no Riocentro. A grande novidade em termos de computador pessoal era o TK-85. Alguém ainda se lembra disso? Era uma caixa cinza que se ligava na televisão e tinha um processador com a incrível memória de 16kb. Mas eu ficava sonhando quando eu teria um só para mim.
Quando comecei a estagiar nos meus tempos de faculdade, lá pelos idos de 1990, a ONG onde fazia o meu estágio já tinha uns computadores doados por uma organização americana. Usavam DOS e eu tinha de escrever meus textos num Wordperfect 5.0 para DOS, com direito a tela de fósforo verde. Imagina o que era desenhar e escrever um boletim usando DOS. Pois é, naquela época HD ainda era chamado de winchester e a grande revolução para mim foi quando recebemos uns computadores 386 que rodavam windows 3.x.
Outra descoberta foi quando fui fazer uma pós nos Estados Unidos pelos idos de 1995 e assim que entrei na universidade recebi uma senha para acessar a internet. Cada aluno tinha esse direito, que não passava de uma miragem no Brasil daquela época. A gente tinha acesso a todo o acervo da universidade online. Era demais pra minha cabeça.
Depois tudo vai ficando parte da rotina, de tal maneira que eu mal consigo lembrar do tempo em que usava máquina de escrever. Do tempo em que não podia consultar o Google enquanto escrevia um texto para tirar alguma dúvida na hora. Hoje em dia o computador já é até peca de museu, como os exemplares dos primeiros Macintosh expostos no MET, em Nova York.
Até já me imagino falando pro Mateus que eu cheguei a escrever textos em máquina de datilografar. Ele vai olhar pra mim e achar que eu é que sou peça de museu…
Update: Para não me deixar mentir, uma foto tirada neste domingo do Mateus jogando no indefectível Cartoon Network.


Comments»
Renato, uma vez Bia encontrou uma máquina de escrever laranja lá na casa da minha mãe e perguntou: “O que é isso?” hehehe…
Lembro de TUDO isso, e ainda tive um MSX, lembra? foi uma revolução impressionante nesses 10 anos. Meu primeiro contato com Internet acho que foi em 94, através da Alternex nessa telinha de fósfoto verde, pequena, mas que tinha um mundo de informações das universidades e listas de discussão.
Dia desses tava pensando em escrever sobre as provas de que sou de outro século, que ainda pego uma laminha do anterior, por ter vivido, na infância, no interior de Pernambuco. Sabe que eu ainda vi, em Triunfo, minha mãe buscar roupa que foi lavada e passada na casa de uma velha negra senhora e ela usava ferro de engomar de carvão!!! incrível, né? era de ferro e ela colocava carvão pegando fogo dentro…
Se bem que ainda deve ter muitos lugares pelo mundo afora onde ainda usam tecnologias do século XIX, né?
Abração!
E eu perguntando ao Renato o que é QWERT. Quem ve, até pensa…
Renato, acho que vivenciamos uma grande revolucao no final do seculo. Nunca mais seremos os mesmos!
Qdo eu estudava jornalismo, tinha um Solution 16 que usava aqueles floppy disks gigantescos, e onde eu escrevia meus trabalhos. Uma das minhas professoras mandava eu refazer tudo na maquina de escrever, pois ela achava que era assim que se treinava jornalista. Queria saber o que essa mulher esta fazendo da vida hoje!
abracos,
O Solution 16 eu não conheci, mas o MSX sim. Também sou do tempo pré-internet. Nunca cheguei a ter ou participar de um BBS, mas quando estagiava no Projeto Roda Viva, no Rio, convenci a diretoria a entrar para a rede alternex. Era eu que lutava para conectar à rede usando um modem de mesa de 9600 bauds… Dá para imaginar? E o computador era DOS mesmo, da telinha verde fosforescente. Enfim… apesar de denunciar a idade, dá um certo orgulho de haver participado destes tempos pré-históricos, mas que na época eram o máximo da modernidade…
Que foto fofíssima!!!! hehehehe…
Eu e Bia éramos viciadas em “Prince of Persia” e “Sim City”, tudo em 2d, claro
Agora, nenhuma das duas consegue jogar os jogos de última geração, porque o 3d deixa a gente super enjoada.
Explicar o que é máquina de datilografar não é tão difícil assim, quero ver você explicar para ele o que era um mimeógrafo. (risos)
A jurássica aqui ouviu discos 78 rotações na casa da avó, usou máquinas de telex para enviar e receber mensagens no escritório, e no primeiro curso de computação que fez teve que aprender a furar cartões para o computador ler.
Linda a foto do Mateus. Meu filho de dois anos já sabe ligar TV e DVD com controle remoto, mas o computador ele ainda não tem condições, só quer esmurrar o teclado, he he he. No entanto, assim que tiver coordenação suficiente estará navegando na Net, não tenho dúvidas. Só me preocupa a possibilidade de crianças estarem sofrendo de tendinite nas mãos devido ao excesso de games e outras coisas com mouse.
Olha.. tenho apenas 19 anos, mas já passei umas dessas com meu irmão e minha prima mais nova… Na verdade, o que eles nunca tinham visto era um disco de vinil… uma vitrola e coisas do gênero… E lá em casa,tinha uma bem bonita e que a gente usava sempre… hehehe !!!
até mais…