Ruanda é aqui… March 17, 2006
Postado por tordesilhas em : Política, Cultura , trackback
A conquista do Oscar de melhor filme por Crash foi merecida, na minha opinião. A única coisa que me deixa um pouco incomodado é que o filme apresenta o tema do conflito racial de uma maneira muito estilizada, “videoclipizada” (se é que existe este termo). De repente é o formato apropriado para apresentar o tema a uma geração de jovens acostumada ao formato padrão da MTV. Acho que um filme como Hotel Ruanda apresenta o tema dos conflitos raciais de uma maneira muito mais profunda, e é uma pena que a Academia não tenha reconhecido suas qualidades na premiação de 2005. Talvez porque Ruanda ainda seja uma mácula na consciência da comunidade (branca) internacional, que fechou os olhos para um genocídio inacreditável que levou a vida de mais de um milhão de pessoas em poucos meses das formas mais brutais possíveis.
A gênese do massacre não está, como muita gente gosta de afirmar, em lutas tribais ancestrais mas sim na intervenção colonialista de Europeus, neste caso belgas, que, seguindo a risca a política de “dividir para conquistar”, criaram uma divisão artificial entre “tutsis” e “hutus”. Depois, quando a bomba de tempo estourou, a comunidade (branca) internacional fingiu que não era com ela.
O filme relata a história real do europeizado gerente do Hotel Milles Collines Paul Rusesabagina (de origem hutu), que se uniu a sua família e funcionários do hotel para salvar a vida de centenas de pessoas (a maioria tutsis) da morte certa. Curiosamente o mesmo Don Cheadle, que faz o papel principal em Crash, incorpora magistralmente a Paul Rusesabagina. Seu eterno olhar de perplexidade e, ao mesmo tempo de resolução, ilustram de maneira cabal a transformação que vai sofrendo ao longo do filme, na medida em que vai compreendendo a extensão do massacre que está acontecendo logo depois dos muros do hotel.
Hotel Ruanda é um filme imperdível e melhor do que Crash. Sua trilha sonora também é excelente. Uma música particularmente me deixa emocionado. Trata-se de “A million voices” interpretado pelo sensacional Wyclef Jean e um coro de crianças africanas. A letra (transcrita abaixo) fala por si mesmo. E para acompanhar, um vídeo com a música pode ser viso abaixo.
Wyclef Jean - Million Voices
African Chorus throughout song:
———————————–
Ni dyar’izuba, Rizagaruka, Hejuru yacu,
Ni nduzaricyeza ricyeza.
[When will the sun return above us?]
[Who will reveal it once again to us?]
———————————–
Rwanda, Rwanda,
Yeah Rwanda, Rwanda.
They said: “Many are called and few are chosen,”
But I wish some wasn’t chosen
for the blood spilling of Rwanda.
They said: “Meshach Eshach and Abednego,
Thrown in the fire but you never get burned,”
but I wish that I didn’t get burned in Rwanda.
They said: “The man is judged according to his works,”
so tell me Africa, what’s your worth?
There’s no money, no diamonds, no fortunes
on this planet that can replace Rwanda…
Rwanda Rwanda
Yeah, Rwanda Rwanda
These are the cry of the children
Rwanda Rwanda
Anybody hear my cry?
If America, is the United States of America,
Then why can’t Africa, be the United States of Africa?
And if England, is the United Kingdom,
Then why can’t Africa unite all the kingdoms
and become United Kingdom of Africa?
Rwanda Rwanda, Rwanda Rwanda
Yeah, yeah.
These are the cries of the children, yeah.
Can anybody out there hear our cries?
Yeah, heavens cry … Jesus cry.
Lord, did you hear us calling you?
Yeah, Rwanda Rwanda,
Lord, did you hear us calling?
Can you do something in Rwanda?
Rwanda Rwanda, Rwanda Rwanda
I’m talkin’ ’bout Jesus; talkin’ ’bout
Rwanda Rwanda Rwanda
Talkin’ ’bout … talk’n ’bout …
Talkin’ ’bout … talk’n ’bout …
I wanna play my guitar for Rwanda…

Comments»
Renato, que legal ficou essa música como pano de fundo para o post… Confesso que não tive coragem de assistir a Hotel Ruanda, embora meu marido tenha visto o DVD. Eu estou numa fase que não agüento filmes tristes demais. Mas o meu marido falou que valeu a pena e o final é bonito.
Pois é, Leila, há quem critique o filme por supostamente ser simplista e nao mostrar de maneira mais clara as atrocidades. Mas acho que sua forca é exatamente nao mostrar de maneira tao explicita a carniceria que dominou Ruanda. O que mostra já é mais do que suficiente para se ter uma idéia do que passou. Além do mais foi um processo coletivo tao complexo, que foi importante centrar-se na história de um grupo de pessoas. De outra maneira ficaria muito dificil acompanhar a dimensao da tragedia que se abateu sobre aquele povo. Enfim, vale a pena. E como falei, o CD com a trilha sonora é muito bom.
Um abraco,
Renato
Eu cpmprei esse DVD, tá aqui, me esperando pra ver num dia inspirado, tem horas que também sofro muito com filmes. Dia desses, comprei Z de Costa Gravas, lembra? ai, mas acho que tô ficando mais emocional, porque é tudo tão doloroso, imagine Hotel Rwanda… tenho a teoria que depois que a gente tem filhos fica mais sensível… mas depois de ler esse post me deu vontade de ver o filme , logo…
pra comecar.nao tinha conhecimento desse marivolhoso filme e nem sm do genocidio em rwanda.
precisei assistir para realizar um trabalho,prposto pela cruz vermelha e simplesmente achei emocionante,apesar de triste….
qnto a trilha ,o filme esta de parabens,principalmente pela musica¨A MILLION VOICES¨…
SE ALGUEM POR FAVOR,POSSUIR A TRADUCAO,MANDE PRO MEU E-MAIL
BJUHS!
ATE MAIS
Muito bom o filme. Aliás, mais do que uma produção cinematográfica, é um registro para a história. O curioso é que um acontecimento tão absurdo para a história da humanidade não tenha repecussão proporcional. Gostaria muito, mas muito mesmo que os mulhões de seres humanos que foram eliminados no genocídio fossem tão lembrados como os inocentes vitimados com os ataque de 11 de setembro que eu nem preciso dizer do que se trata porque, de tão divulgado, como de fato deveria ser, todos sabem a que fato eu me refiro.
Se alguém puder me informar com consigo o CD com a maravilhosa trilha sonora do ‘HOTEL RUANDA” eu agradeceria muito.
Sérgio Pinto
Ah! ia me esquecendo. Sugiro assistir o filme “ABRIL SANGRENTO” que aborda também as atrocidades em RUANDA, com uma outra abordagem. Se eu não me engano trata - se de uma produção da HBO.
Um abraço
SÉRGIO PINTO
Também não achei a tradução da letra, queria muito! Vou tentar fazer eu mesma!
E o filme eu quero muito (além de precisar, por conta do vestibular da Casper Líbero) assistir, mas não encontro em nenhuma locadora.
Crash foi uma porta, ao menos, pra que isso seja visto, já que as produções que fogem dos “filminhos americanos” não consegue ser premiada. Já que tem que ser ao modo deles, pelo menos o filme mostra uma realidade nua e crua, que nos faz perceber que todos somos um pouco desse jeito, mesmo não querendo. No filme Crash, ninguém sai ileso, todos mostram-se preconceituosos e sofrem com isso. É mútuo. O filme é lindo e mereceu.
Precisamos de mais filmes como Hotel Rwanda e Crash para que aos poucos a consciencia seja coletiva e algo seja mudado em relaão à isso.
Humanidade, infeliz humanidade!
Acho q essa é a tradução da letra.
Wyclef Jean - Milhão de Vozes
Coro Africano em todas as partes de canção:
-——————————–
Ni dyar’izuba, Rizagaruka, Hejuru yacu,
Ni nduzaricyeza ricyeza.
[Quando o sol voltará acima de nós?]
[Quem no-lo revelará mais uma vez?]
-——————————–
A Ruanda, a Ruanda,
Sim a Ruanda, a Ruanda.
Eles disseram: “muitos são chamados e poucos são escolhidos,”
Mas lamento que alguns fossem escolhidos
para o derramamento de sangue da Ruanda.
Eles disseram: “Meshach Eshach e Abednego,
Lançado no fogo mas você nunca é queimado,”
mas lamento que eu adquirisse queimado na Ruanda.
Eles disseram: “o homem é julgado segundo os seus trabalhos,”
portanto diga-me a África, qual é o seu valor?
Não há nenhum dinheiro, nenhum diamante, nenhuma fortuna
neste planeta que pode substituir a Ruanda …
A Ruanda a Ruanda
Sim, a Ruanda a Ruanda
Esses são o grito das crianças
A Ruanda a Ruanda
Alguém ouve o meu grito?
Se América, é os Estados Unidos de América,
Então por que não pode a África, ser os Estados Unidos da África?
E se Inglaterra, é o Reino Unido,
Então por que não pode a África unir todo o rei
A Ruanda a Ruanda, a Ruanda a Ruanda
Sim, sim.
Esses são os gritos das crianças, sim.
Alguém pode ouvir lá fora os nossos gritos?
Sim, grito de céus … grito de Jesus.
Senhor, você ouviu-nos chamando-o?
Sim, a Ruanda a Ruanda,
Senhor, você ouviu-nos chamada?
Você pode fazer algo na Ruanda?
A Ruanda a Ruanda, a Ruanda a Ruanda
Sou talkin’ ’peleja Jesus; talkin’ ’peleja
A Ruanda a Ruanda a Ruanda
Talkin’ ’peleja … talk’n ’peleja …
Talkin’ ’peleja … talk’n ’peleja …
Quero tocar o meu violão da Ruanda …
este filme é nota 1000 a música mais ainda toda vez que ele passa na sky eu assisto valeu HOTEL RUANDA…
Quando a Bélgica ocupou o território do Ruanda dividiu a população segundo características físicas: os mais altos, de pele mais clara e narizes mais finos eram Tutsi, os restantes Hutu (a classe inferior, porque menos ocidentalizada). Os colonizadores incentivaram o confronto entre as duas etnias, e o ódio intensificou-se após a independência no princípio dos anos 60.
Na Primavera de 1994, o assassinato do presidente do Ruanda, o general Hutu Juvenal Habyarimana, desencadeou uma guerra civil sangrenta. Durante 4 meses, os extremistas Hutu mataram mais de um milhão de Tutsi (a quem chamavam ‘baratas’). Especula-se que o próprio assassinato possa ter sido obra de extremistas Hutu para motivar o conflito. Mas a milícia Interahamwe não perdeu tempo, dando início ao extermínio. Este genocídio assumiu proporções ainda mais graves, porque o mundo o ignorou e se recusou a intervir.
No meio desse horror, emergiu uma figura heróica, um homem que fez tudo ao seu alcance para salvar a vida a mais de mil adultos e crianças, na sua maioria Tutsi: Paul Rusesabagina.
Paul (Cheadle) é gerente do elegante Hotel des Mille Collines, propriedade da empresa belga Sabena, em Kigali e é Hutu. A sua mulher, Tatiana (Okonedo) é Tutsi, tal como os restantes familiares. Quando a violência começa, Paul consegue levar a sua família para o hotel, que se encontrava protegido devido à presença de cidadãos estrangeiros. Com o agravar do conflito, Paul vê-se forçado a transformar o seu hotel num campo de refugiados.
Com o mesmo profissionalismo com que gere o hotel, negoceia com amigos e inimigos, sabendo que essa pode ser a diferença entre a vida e a morte de muitos. Acompanhamos a luta, o desespero, a frustração e a raiva de um homem que arriscou a sua vida e a da sua família contra a tirania e a opressão. Cheadle, no seu primeiro grande papel de protagonista, é coragem e compaixão, carisma e instinto.
A acompanhá-lo no elenco, Nolte como um coronel, ao princípio meio deslocado, que, com o agravar do conflito, se vê exasperado pelo seu esforço em conter uma situação da qual a maioria do mundo não quer saber. Por sua vez, Phoenix é o jornalista, em representação de todos os que tentaram chamar a atenção do mundo para esta tragédia. Como diz a sua personagem: “Se as pessoas virem isto dirão ‘Oh, meu Deus, é horrível’, e continuarão a jantar.”.
Apesar da Cruz Vermelha estimar centenas de milhares de baixas, a ONU reduziu o seu contingente de 2500 para 270 soldados. Perante este hediondo espectáculo de guerra, os líderes ocidentais decidiram não fazer nada, recusando autoridade às forças de intervenção da ONU, que apenas se preocuparam em evacuar os cidadãos estrangeiros, deixando o Ruanda à sua sorte. Aparentemente, a promessa de “nunca mais” proferida depois do Holocausto esvazia-se de sentido se o genocídio tiver lugar em África.
O momento em que se ouve na rádio a dissecação, por parte de um oficial da ONU, do significado da palavra ‘genocídio’ e das condições de aplicabilidade da mesma, questionando se o limite já teria sido alcançado no caso do Ruanda, é, no mínimo, de dar voltas ao estômago. Enquanto se discute semântica, as forças de intervenção estão impedidas de agir.
O filme relata a rivalidade do massacre como na cena em que os hutus se rebelam ematam vários tutsis e os corpos ficam espalhados por todo lugar .Me emocionei quando eles se refugiam no hotel del mill coline, os soldados lutam e não conseguem reter a rebelião e abandona eles no hotel e então um homem que ajuda e luta pelos tutsis pede para que eles liguem para seus parentes fora de Ruanda para dizer adeus. além disso os hutus eram preconceituosos com os tutsis chamavam os tutsis de baratas.
Na cena final tutsis e o homem hutu conseguem sair de Ruanda levados pela ONU e vão para um lugar seguro.