Fala sério… March 14, 2006
Postado por tordesilhas em : Geral , trackbackRosinés é uma das mulheres mais poderosas da Venezuela. Com apenas 8 anos de idade fez com que o escudo nacional fosse modificado ao notar que uma das imagens ali representada, a de um cavalo em disparada, olhava para o que, segundo sua opinião, seria a direção errada. Ela chamou a atenção de sei pai, Hugo Chavez, para o fato e ele enviou uma lei para o Congresso para modificar o tal escudo. A lei foi aprovada de imediato.
O episódio é apenas mais um dos sinais que mostram a deterioração da vida política na Venezuela, sob o regime de Chavez. Poderia ser apenas um sinal idiossincrático comum às pessoas em posição de poder quase absoluto se não tivesse sido acompanhada de uma enxurrada de ações intimidatórias contra a imprensa. O caso é o seguinte: o humorista Laureano Márquez publicou em um jornal local uma carta endereçada a Rosinés pedindo-lhe que a exemplo da história do cavalo, pedisse a seu pai, como se fosse coisa sua, que não se pusesse tão bravo com aqueles que não pensam como ele, “assim a longa convivência que nos espera com seu papai será mais fácil de levar”.
Hugo Chavez ficou fulo com a gracinha envolvendo sua filha e está usando todas as armas de que o governo dispõe para puni-lo. O conselho municipal proibiu o jornal e o humorista de fazer novas referencias ao nome da menina, sob pena de prisão de três a seis anos. E ambos, jornal e humorista, estão sendo processados no Poder Judicial com pedidos de multa altíssimos.
Esta história e outras que ilustram o clima de caça às bruxas que está tomando conta da Venezuela estão contada em uma reportagem muito interessante de página inteira publicada pelo jornal limenho El Comercio e pode ser lida aqui.
O que ainda me surpreende é que até amigos meus, inteligentes e críticos, estejam ainda meio basbaques por Hugo Chavez. O fato de que uma parte importante do movimento social da região o considerar uma espécie de Antonio Conselheiro dos pobres latino-americanos mostra o grau de miopia que ainda acomete muita gente boa na esquerda do continente (sem mencionar a esquerda festiva de sempre da Europa e Estados Unidos). Ainda bem que existem lideres sérios como Evo Moralez, Michelle Bachellet e Tabaré Vasquez (do Uruguai) para mostrar que nem tudo está perdido.

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