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É mentira, Terta? March 30, 2006

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Uma nota distribuída pela EFE dá conta de que um ex-prisioneiro polonês estaria processando o Estado e pedindo uma indenização porque durante o tempo em que esteve preso teve um excesso de orgasmos que lhe deixou estéril. A bizarrice é a seguinte: aparentemente o “pobre-coitado” teve de trabalhar construindo lajes durante sua pena e para isso usava uma máquina que vibrava demais. Para controlá-la tinha de aproximá-la do ventre, o que acabava causando-lhe ejaculações - e os respectivos orgasmos - a cada 30 ou 40 minutos. Os diretores da prisão estão tratando a reclamação com seriedade e vão investigar o caso…

Sei não, mas acho que o cara ganhava mais se patenteasse o método… Garanto que ia ter muita gente - homens e mulheres - querendo experimentá-lo na prática.

A (bem humorada) nota completa está aqui, publicada pelo excelente El Pais.

Matando a cobra… March 29, 2006

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“…a atual ISTOÉ conseguiu, no espaço de poucas semanas, conquistar a merecida pole position no grid da mediocridade nacional.”

Este é um pequeno trecho da impressionante carta que Luiz Cláudio Cunha, editor de política da IstoÉ, enviou a Carlos José Marquesa, Diretor-Editorial da revista. Está publicada no Observatório da Imprensa e pode ser lido aqui. Poucas vezes de expôs de maneira tão cristalina e bem escrita as entranhas da política editorial de uma revista de peso como é (ou era) a IstoÉ. Leitura didática e imperdível.
Via weblog do Pedro Doria.

Homofobia em eleições peruanas March 29, 2006

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Há 12 dias das eleições no Peru, as mais recentes pesquisas mostram uma consolidação do candidato ultra-nacionalista Ollanta Humala em primeiro lugar, com cerca de 32% das intenções de voto contra a conservadora Lourdes Flores, com 28% e o ex-presidente Alan Garcia, com 22%. Um eventual segundo turno entre Humala e Flores ainda aponta para uma vitória da segunda, mas tem muita gente falando no “voto envergonhado” que no final poderia ir para Ollanta, dando-lhe a vitória.

E dá-lhe análises nos principais jornais e notícias tentando entender o que está passando e, principalmente, detonando de todos os ângulos possíveis a candidatura de Ollanta Humala. Os cenários que estão sendo pintados se ele ganhar são os mais apocalípticos possíveis: fuga em massa de investimentos, instabilidade política gerada pela falta de base de sustentação no congresso, tomada por parte do novo governo de medidas autoritárias extremas, incluindo a expropriação do controle dos meios de comunicação, etc. e tal.

De certa forma, a incerteza quanto ao futuro do país sob um governo de Humala se justifica, porque a base política na qual ele foi gerado, o movimento “etnocacerista”, é extremamente autoritário, conservador e sectário. Já comentei em um post anterior aqui. Ollanta Humala tem adotado um discurso mais equilibrado, tentando distanciar-se das idéias defendidas pela sua família, mas está difícil.

Os episódios mais recentes da diarréia verbal de seus progenitores e seguidores incluem uma defesa feita por seu pai - e ideólogo do “etnocacerismo” -, Isaac Humala, do perdão aos líderes da sangrenta guerrilha do Sendero Luminoso, que aterrorizou o país por quase 20 anos. Elena Tasso, a mãe do candidato, por sua vez, não deixou por menos e deu uma entrevista dizendo textualmente que “com dois homossexuais que fossem fuzilados, já não se veria pelas ruas tanta imoralidade”. As posições homofóbicas do clã humala já são famosas e o principal jornal do grupamento político – coincidentemente chamado “Ollanta” - defende abertamente a agressão aos que apresentem comportamento homossexual em público.

Essas declarações da Elena Humala causaram alarme e líderes da comunidade gay pediram ao candidato que apresentasse publicamente sua posição sobre o tema. Fiel ao seu novo perfil “paz e amor”, ele disse que não avaliza as declarações da mãe e que até teria homossexuais declarados em seu ministério. O fato é que até hoje ele não aceitou dar uma entrevista ao jornalista e escritor Jaime Bayly, uma celebridade no Peru e bissexual assumido, que conduz um programa na televisão dedicado exclusivamente à cobertura das eleições.

Aliás, segundo notícias publicadas nos jornais de hoje, Bayly teria sido ameaçado por Isaac Humala quando uma pessoa da produção do seu programa tentou marcar uma entrevista com o líder etnocacerista. A resposta: “Díganle a ese maricón que no vamos a ir a seu programa y que cuando seamos gobierno lo vamos a fusilar”. Curto e grosso.

Ollanta continua tentando a todo custo distanciar-se das idéias malucas de sua família. Ele fez um chamado à esquerda tradicional para que lhe dê apoio no segundo turno, que certamente será contra a candidata conservadora Lourdes Flores. Mas o canto da sereia não encontrou eco, até agora, entre os progressistas do país. Isto apesar do apoio explícito que Humala vem recebendo de Hugo Chavez.

O fato é que um segundo turno entre Lourdes Flores e Ollanta Humala será uma espécie de choque entre dois países, entre duas culturas, entre dois “espaços mentais e geográficos”: a centralizadora Lima, com seu pseudo-cosmopolitismo, e as províncias, com suas culturas e economias eternamente relegadas a segundo plano. Aqui se pode ler um artigo muito interessante que trata deste aspecto que está por trás das complicadas eleições peruanas.

Mais trilha sonora de Hotel Rwanda March 23, 2006

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Ainda estou curtindo a (sensacional) trilha sonora de Hotel Rwanda.
Abaixo, mais uma música, dessa vez uma música autenticamente africana cantada por Yvonne Chaka Chaka, chamada “Umqombothi”.

Contas e mais contas March 21, 2006

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Esta história do caseiro que está botando o Palocci contra a parede está esquisitíssima. Convenhamos que o Palocci e a turma de Ribeirão Preto não são santos mesmo. Mas que o caseiro parece estar sendo muito bem “preparado”, lá isso parece. E quanto ao lance do dinheiro que apereceu na conta dele, no blog da Teresa Cruvinel, no Globo, um comentário interessante:

“Tereza, só não entendi uma coisa, lendo a matéria onde a mãe do caseiro explica a tal função com o empresário, suposto pai de Francenildo. Se a mãe tinha 15 anos quando ficou grávida do rapaz, se agora ela tem 42 e ele 24. É só fazer a conta. Ou alguém está mentindo, ou esta gravidez durou 3 anos. E viva a Matemática”.

Ruanda é aqui… March 17, 2006

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A conquista do Oscar de melhor filme por Crash foi merecida, na minha opinião. A única coisa que me deixa um pouco incomodado é que o filme apresenta o tema do conflito racial de uma maneira muito estilizada, “videoclipizada” (se é que existe este termo). De repente é o formato apropriado para apresentar o tema a uma geração de jovens acostumada ao formato padrão da MTV. Acho que um filme como Hotel Ruanda apresenta o tema dos conflitos raciais de uma maneira muito mais profunda, e é uma pena que a Academia não tenha reconhecido suas qualidades na premiação de 2005. Talvez porque Ruanda ainda seja uma mácula na consciência da comunidade (branca) internacional, que fechou os olhos para um genocídio inacreditável que levou a vida de mais de um milhão de pessoas em poucos meses das formas mais brutais possíveis.

A gênese do massacre não está, como muita gente gosta de afirmar, em lutas tribais ancestrais mas sim na intervenção colonialista de Europeus, neste caso belgas, que, seguindo a risca a política de “dividir para conquistar”, criaram uma divisão artificial entre “tutsis” e “hutus”. Depois, quando a bomba de tempo estourou, a comunidade (branca) internacional fingiu que não era com ela.

O filme relata a história real do europeizado gerente do Hotel Milles Collines Paul Rusesabagina (de origem hutu), que se uniu a sua família e funcionários do hotel para salvar a vida de centenas de pessoas (a maioria tutsis) da morte certa. Curiosamente o mesmo Don Cheadle, que faz o papel principal em Crash, incorpora magistralmente a Paul Rusesabagina. Seu eterno olhar de perplexidade e, ao mesmo tempo de resolução, ilustram de maneira cabal a transformação que vai sofrendo ao longo do filme, na medida em que vai compreendendo a extensão do massacre que está acontecendo logo depois dos muros do hotel.

Hotel Ruanda é um filme imperdível e melhor do que Crash. Sua trilha sonora também é excelente. Uma música particularmente me deixa emocionado. Trata-se de “A million voices” interpretado pelo sensacional Wyclef Jean e um coro de crianças africanas. A letra (transcrita abaixo) fala por si mesmo. E para acompanhar, um vídeo com a música pode ser viso abaixo.

Wyclef Jean - Million Voices
African Chorus throughout song:
———————————–
Ni dyar’izuba, Rizagaruka, Hejuru yacu,
Ni nduzaricyeza ricyeza.
[When will the sun return above us?]
[Who will reveal it once again to us?]
———————————–

Rwanda, Rwanda,
Yeah Rwanda, Rwanda.

They said: “Many are called and few are chosen,”
But I wish some wasn’t chosen
for the blood spilling of Rwanda.

They said: “Meshach Eshach and Abednego,
Thrown in the fire but you never get burned,”
but I wish that I didn’t get burned in Rwanda.

They said: “The man is judged according to his works,”
so tell me Africa, what’s your worth?

There’s no money, no diamonds, no fortunes
on this planet that can replace Rwanda…

Rwanda Rwanda

Yeah, Rwanda Rwanda

These are the cry of the children

Rwanda Rwanda

Anybody hear my cry?

If America, is the United States of America,
Then why can’t Africa, be the United States of Africa?

And if England, is the United Kingdom,
Then why can’t Africa unite all the kingdoms
and become United Kingdom of Africa?

Rwanda Rwanda, Rwanda Rwanda
Yeah, yeah.

These are the cries of the children, yeah.

Can anybody out there hear our cries?

Yeah, heavens cry … Jesus cry.

Lord, did you hear us calling you?
Yeah, Rwanda Rwanda,

Lord, did you hear us calling?
Can you do something in Rwanda?

Rwanda Rwanda, Rwanda Rwanda

I’m talkin’ ’bout Jesus; talkin’ ’bout
Rwanda Rwanda Rwanda

Talkin’ ’bout … talk’n ’bout …
Talkin’ ’bout … talk’n ’bout …

I wanna play my guitar for Rwanda…

Para curtir… March 16, 2006

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Para curtir, enquanto visita este blog: “Mas, que nada”, o clássico do Jorge Benjor revisitado pela galera sangue bom do Black Eyed Peas para o (excelente) CD mais recente do Sergio Mendes, chamado “Timeless”. Aproveitem!

Para rir… March 15, 2006

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Você se cansou da velha camiseta com a foto do Che? É fã do Diogo Mainardi? Está pensando em votar no Alckmin? É um desses neo-conservadores que infestam as comunidades do Orkut? Então o site Those Shirts é o seu lugar. Ali você poderá encomendar camisetas com uma farta seleção de mensagens conservadoras, anticomunistas, cristãs xenofobicas. O site pode ser encontrado aqui. Abaixo uma seleção de algumas perolas vendidas no site. Divirta-se!

Cansou? Tem mais aqui embaixo…

Finalmente acabou a novela… March 14, 2006

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Com Alckmin é Lula lá… Não tem conversa…

UOL: “PSDB anuncia Geraldo Alckmin como candidato à Presidência”
Notícia completa aqui.

E o pior é que na minha opinião o Alckmin tem enormes chances de ser eleito presidente: não é tão conhecido nacionalmente, o que lhe dá espaço para crescimento; vai bater pesado no governo usando a bandeira da ética e do “gerente eficaz” que ele cultiva com sucesso em São Paulo; vai ter dinheiro para a campanha, principalmente por partes dos grandes empresários paulistas; vai ter apoio de setores mais conservadores ligados as diferentes Igrejas; não tem uma vinculação tão explicita com FHC como tem o Serra, vai catalizar o apoio não explicito (of course) de setores importantes da mídia e de formadores de opinião e por aí vai…

O Serra sabe de tudo isso: Deve estar sendo muito duro para o Serra pensar que vai perder de novo a chance de chegar à Presidência. Só que dessa vez justo para o Alckmin, o “anti-Serra” do PSDB.

Fala sério… March 14, 2006

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Rosinés é uma das mulheres mais poderosas da Venezuela. Com apenas 8 anos de idade fez com que o escudo nacional fosse modificado ao notar que uma das imagens ali representada, a de um cavalo em disparada, olhava para o que, segundo sua opinião, seria a direção errada. Ela chamou a atenção de sei pai, Hugo Chavez, para o fato e ele enviou uma lei para o Congresso para modificar o tal escudo. A lei foi aprovada de imediato.

O episódio é apenas mais um dos sinais que mostram a deterioração da vida política na Venezuela, sob o regime de Chavez. Poderia ser apenas um sinal idiossincrático comum às pessoas em posição de poder quase absoluto se não tivesse sido acompanhada de uma enxurrada de ações intimidatórias contra a imprensa. O caso é o seguinte: o humorista Laureano Márquez publicou em um jornal local uma carta endereçada a Rosinés pedindo-lhe que a exemplo da história do cavalo, pedisse a seu pai, como se fosse coisa sua, que não se pusesse tão bravo com aqueles que não pensam como ele, “assim a longa convivência que nos espera com seu papai será mais fácil de levar”.

Hugo Chavez ficou fulo com a gracinha envolvendo sua filha e está usando todas as armas de que o governo dispõe para puni-lo. O conselho municipal proibiu o jornal e o humorista de fazer novas referencias ao nome da menina, sob pena de prisão de três a seis anos. E ambos, jornal e humorista, estão sendo processados no Poder Judicial com pedidos de multa altíssimos.

Esta história e outras que ilustram o clima de caça às bruxas que está tomando conta da Venezuela estão contada em uma reportagem muito interessante de página inteira publicada pelo jornal limenho El Comercio e pode ser lida aqui.

O que ainda me surpreende é que até amigos meus, inteligentes e críticos, estejam ainda meio basbaques por Hugo Chavez. O fato de que uma parte importante do movimento social da região o considerar uma espécie de Antonio Conselheiro dos pobres latino-americanos mostra o grau de miopia que ainda acomete muita gente boa na esquerda do continente (sem mencionar a esquerda festiva de sempre da Europa e Estados Unidos). Ainda bem que existem lideres sérios como Evo Moralez, Michelle Bachellet e Tabaré Vasquez (do Uruguai) para mostrar que nem tudo está perdido.

Se bobear…. March 9, 2006

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Parece que as recentes operações da Policia Federal contra os fraudadores virtuais não surtirem muito efeito, ja que os spams que instalam softwares espiões que roubam informação dos computadores não param de chegar. Mas tirando pelo exemplo abaixo a capacidade intelectual dos fraudadores - ao menos se medida pelo conhecimento da lingua portuguesa - esta cada vez menor. Só não sei como alguem recebendo um email como este pode realmente teclar no respectivo link e deixar seu computador vulneravel. No minimo, merece ser roubado.

Sobre o Oscar… March 6, 2006

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Nao vi a cerimonia do Oscar porque aqui na Inglaterra passou ja no meio da madrugada (quase amanhecendo) e porque a Guest House onde estou hospedado nao tem TV a cabo, so os cinco canais tradicinais da Inglaterra (que nao trasmitiram a cerimonia). Mas pelo que vi dos noticiarios esta manha, foi uma premiacao tucana, bem em cima do muro. Acho que a premiacao de Crash como melhor filme foi justa porque é, efetivamente, um filme melhor do que o franco candidato até a vespera (Brokeback Mountain).

Fiquei feliz com a premiação de Rachel Weisz, de “O Jardineiro Fiel”, e decepcionado que o roteiro do filme, adaptado do livro homonimo de John Le Carre, nao tenha sido premiado. Eu li o livro original e comparando com o filme fico uma grande inveja do roteirsta Jeffrey Caine. Ele conseguiu dar vida e imagens a um livro complexo, escrito por um autor consagrado, de uma maneira fantastica. Nao e a toa que John Le Carre disse em diversas entrevistas que ele considera esta a melhor das adaptacoes ja feitas de seus livros para o cinema. O que me deixa pensando na injustica de que Fernando Meirelles nao tenha sido pelo menos indicado ao premio de melhor diretor.

Quanto a Brokeback Mountain, impossivel nao rir com algumas das versoes do filme que andam circulando pela internet. Umas das mais hilarias é “Brokeback to the Future”, que adapta a estetica do trailer de Brokeback Mountain para o filme “De Volta para o Futuro” criando uma visao pouco ortodoxa da relacao de amizade entre Marty McFly e o Dr. Dr. Emmett “Doc” Brown. O video pode ser visto aqui.

E se o Chuck Norris fosse o personagem principal de Brokeback Mountain? Esse é absolutamente impagavel e pode ser visto aqui.

E finalmente, a Broadway nao poderia ficar de fora. O impagavel musical “Brokeback!” pode ser visto aqui.