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Eleições no Peru: ” Se correr o bicho pega. Se ficar o bicho come…” February 25, 2006

Postado por tordesilhas em : Geral , 1 comentário até agora

UPDATE - 27/02: Neste fim-de-semana foram divulgadas novas pesquisas que apontam para o aumento das intenções de votos para o ex-presidente Alan Garcia deixando-o virtualmente empatado em segundo lugar com Ollanta Humala. Em todas as projeções para o segundo turno (contra Humala ou Alan Garcia) Lourdes Flores sai vitoriosa, com a média de 60% contra 30% dos votos válidos para algum dos dois candidatos. De qualquer maneira a subida rápida de Alan Garcia (que até duas semanas estava há 10% de diferença do segundo colocado) e a aparente estagnação de Ollanta Humala criam uma dinâmica nova na campanha peruana. Um segundo turno entre Lourdes Flores, da conservadora União Democrática, e Alan Garcia, do APRA (um partido originalmente de esquerda que virou uma espécie de PMDB peruano) promete ser uma guerra. Apesar do seu carisma, Alan Garcia tem os maiores índices de rejeição, depois de ter deixado o país quebrado após uma desastrosa administração. Em seus discursos ele diz que agora está mais maduro, que não cometeria os mesmos erros etc. e tal… Vamos ver se cola. Ele é bom de lábia e perto do “picolé de chuchu”, que é a Lourdes Flores, seu carisma fica ainda mais evidente. Faltam 40 dias para as eleições e muita coisa ainda pode acontecer, mas se pode antever que o jogo vai ficar ainda mais duro aqui no Peru (com o perdão do não intencionado trocadilho)…

O eleitorado mais progressista no Peru está num mato sem cachorro. Se forem confirmados os prognósticos, os eleitores levarão para o segundo turno das eleições presidenciais peruanas a candidata conservadora Lourdes Flores e o ultranacionalista Ollanta Humala.

Lourdes Flores representa o partido União Nacional, fortemente ligado aos setores empresariais e à ala mais conservadora da Igreja Católica. Sua eleição representará claramente um retrocesso por exemplo no campo da saúde pública e no diálogo com a sociedade civil por meio de ONGs e movimentos sociais.

Ollanta Humala, por sua vez, é uma verdadeira incógnita. Sua gênese é o movimento etnocacerista, de tendência ultranacionalista e com rasgos nazistas. Para sua campanha, ele tem procurado distanciar-se do movimento fundado pelo seu pai e tentado criar uma imagem mais parecida com a de Evo Morales. Não sem razão, ele tem ensaiado uma aproximação com Hugo Chavez, de quem já recebeu elogios públicos. O problema é que não existe correlação entre a trajetória de vida e política entre Ollanta e Evo e por isso mesmo os movimentos sociais e a esquerda mais tradicional não querem qualquer tipo de aproximação com Humala.

Diversas pessoas com quem tenho conversado, inclusive jornalistas que conhecem bem os bastidores da vida política do país, estão bastante desanimados com a perspectiva de ter de optar entre um e outro no segundo turno. E o pior é a consciência de que o fato de o país vir a ser governado por uma mulher pela primeira vez pode na verdade representar um retrocesso do ponto de vista político e social. Um caso típico em que a aparente mudança de paradigma – a eleição de uma mulher para a presidência de um país intrinsecamente machista – na verdade representa um fortalecimento das posições mais conservadoras.