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E a justiça? February 12, 2006

Postado por tordesilhas em : Geral , trackback

Não conheci pessoalmente a jornalista Sandra Gomide. Indiretamente, eu tinha amigos que a conheciam e que ficaram chocados pela forma covarde como ela foi assassinada pelo também jornalista e namorado Antonio Pimenta Neves.

O script ia aparentemente bem (apesar da relação doentia, segundo testemunhas, que os ligava), até que a Sandra resolveu romper a relação, mesmo sabendo que este seria certamente o fim de sua carreira no Estadão e possivelmente em outros jornais em São Paulo. Pimenta não se conteve e acabou matando-a de uma maneira brutal e covarde: um tiro nas costas e o da “graça”, na cabeça, que completou o serviço. Ele tentou se matar, mas na hora H amarelou e conseguiu ser salvo depois de ligar para um amigo próximo.

Acostumados a escrever estas histórias nas páginas policiais, de repente os jornalistas viram o “chavão-amoroso” invadir literalmente as redações e não qualquer uma, justamente o do vetusto e tradicional Estadão. Outro diferencial é o tempo que levou para que Pimenta Neves finalmente fosse levado a júri popular: nada mais do de cinco anos. Um exagero até mesmo para os padrões da lenta e plutocrata justiça brasileira na qual quem tem poder, boas conexões e sabe-se lá mais o quê consegue ficar livre mesmo sendo um criminoso confesso.

Pimenta Neves anda dizendo por aí que naquele 20 de agosto de 2000 morreram duas pessoas: ele e Sandra. Uma piada de mau gosto que ele tenta dar um ar de coerência trancando-se em casa e dizendo que sua vida econômica está em “absoluta desordem”. O pai de Sandra Gomide, este sim uma vítima secundária do assassinato com a sua saúde debilitada depois de três infartos e duas pontes de safena, evidentemente não acredita nas histórias contadas por Pimenta. Pede que os médicos o mantenham vivo ao menos para ver o assassino de sua filha sendo condenado.

Se pelo menos dessa vez a justiça funcionar, Pimenta Neves será condenado por crime hediondo, cometido por motivo torpe e sem chance de defesa para a vítima, o que poderá lhe custar uma sentença de 12 a 30 anos de prisão. Isso não vai trazer a Sandra de volta, mas vai pelo menos um motivo ao seu pai para morrer em paz.

Comments»

1. Denise Arcoverde - 13 February, 2006

Nossa Renato, cada vez que eu lembro desse caso, tenho um nó na garganta, não é possível que esse canalha escape… bom, possível é porque nos últimos cinco anos ele tá por aí aproveitando a vida, né? escrevio sobre isso lá no blog dia desses, não entendo nada de leis criminais, mas só sei que a impunidade é um péssimo exemplo.

2. Pat - 17 February, 2006

A condenação não permite reparar o erro. Mas Há de ser pagar pelo crime cometido, por isso se faz justiça, o que é justo e certo. Que a exclusão social sirva para a reflexão e se inibir outros de acharem soluções egoicas para seus problemas, já é um avanço.