Bolívia na encruzilhada December 17, 2005
Postado por tordesilhas em : Geral , 1 comentário até agoraNeste domingo a história da Bolívia pode mudar. Pela primeira vez um candidato de origem indígena poderá ser o mais votado para a presidência do país, com grandes chances de ser empossado no início de janeiro pelo Congresso também recém eleito. Evo Morales, o líder cocaleiro de origem quéchua, pesadelo dos americanos, das empresas petroleiras e dos grandes empresários nacionais, deverá ter uma votação que o deixará com algo em torno de 7% a 10% de vantagem em número de votos com relação ao oponente mais próximo Jorge “Tuto” Quiroga.
A qualificação de “líder cocaleiro” virou um lugar comum usado pela imprensa e pelos seus detratores em todo o mundo, o que acaba dificultando uma compreensão mais isenta do fenômeno Evo Morales. É verdade que a sua base de apoio e seu berço político está na região de Chapare, no leste da Bolívia, tipicamente produtora de folhas de coca, originalmente para uso medicinal e religioso. Mas em comparação com suas origens de radical contestador do establishment branco, Evo Morales atualmente está assumindo uma posição que lhe permite estabelecer uma ponte de diálogo com setores da classe média e até do empresariado. Por isso mesmo, agrupamentos sociais mais à esquerda já nutrem por ele uma profunda desconfiança.
Mas qual é o contexto em que surge Evo Morales? Vários analistas são unânimes em apontar o fracasso absoluto do modelo econômico neo-liberal como uma das principais razões da instabilidade política que sacode a Bolívia principalmente nos últimos cinco anos. É verdade que o país tem uma história secular de golpes de Estado. Foram 83 presidentes em 180 anos de independência da Espanha (média de um presidente a cada 2,3 anos). Mas desde 1982 o país passa por uma relativa estabilidade democrática, apesar da renúncia forçada de dois presidentes.
A divisão entre a “Bolívia atrasada”, representada dos indígenas e camponeses andinos da zona ocidental do país, e a “Bolívia Moderna”, liderada pelos empresários do departamento de Santa Cruz, na zona ocidental do país, fronteira com o Brasil, está caminhando para um enfrentamento que no limite pode chegar à divisão do país.
No domingo a forças políticas que estão se enfrentando neste xadrez complicado terão sua hora da verdade. O grupo político que dá sustento a Evo Morales, o MAS (Movimiento Al Socialismo) é um partido tradicional, com uma história parlamentar. Jorge Quiroga, por sua vez, é apoiado pelo movimento PODEMOS, em cuja base política estão muitos dos políticos tradicionais execrados pela população mais pobre.
Ganha e leva, mas governa?
Para tentar aproximar-se mais da classe média urbana e universitária, Evo Morales convidou o intelectual e ex-guerrilheiro Alvaro Garcia Linera para compor a chapa como candidato a Vice-Presidência. A estratégia parece ter tido resultado e Evo subiu nas pesquisas a ponto de as mais recentes prognosticarem uma diferença a seu favor de ate 13% com relação a Quiroga.
O sistema de eleição na Bolívia é sui generis. Se nenhum candidato obtiver mais de 50% dos votos nas urnas os dois primeiros colocados, neste caso Evo Morales e Jorge Quiroga, se submeterão a duas votações do Congresso recém empossado. Se nenhum dos dois for eleito nestas duas votações indiretas, o primeiro colocado na votação popular será automaticamente empossado. Fácil ver que este sistema no passado abriu espaço para todo tipo de conchavos e acordos espúrios que resultavam em tudo, menos no respeito à vontade popular registrada nas urnas.
A maioria dos analistas coincide em que se Evo Morales realmente ganhar no voto popular, ainda mais com uma diferença superior a 5% com relação ao segundo lugar, dificilmente o Congresso deixará de ratificá-lo como presidente, sob risco de uma guerra civil. Seus problemas na verdade começarão no momento exato em que tomar posse. Principalmente porque o MAS dificilmente conseguirá eleger os governadores dos principais departamentos e corre o risco ainda de não ter maioria no Congresso. Ou seja, Evo Morales pode até levar a presidência, mas vai encontrar um ambiente político dominado pelos opositores.
Uma batalha atrás da outra
A pressão americana sobre um futuro governo de Evo Morales tem três pontos principais: todo o tema da legalização do cultivo de coca, o risco de formação de um “eixo do mal” unindo Hugo Chavez, Fidel Castro e o próprio Evo Morales, e os interesses econômicos representados pelos altos investimentos nas indústrias extrativas, principalmente em grandes projetos mineiros.
A verdade é que apesar de representar uma parcela importante dos movimentos sociais, Evo Morales não é uma unanimidade entre eles. Vários dos movimentos sociais mais radicais o condenam por não radicalizar ainda mais seu discurso em favor da nacionalização dos hidrocarbonetos.
A frágil aliança com os movimentos sociais é uma das fraquezas do MAS, um partido que internamente também tem muitas debilidades. Há pelo menos quatros tendências bem marcadas. Por um lado está Evo Morales e núcleo de cocaleros que ele lidera. Há também o núcleo parlamentar, cujos representantes são muito questionados por uma boa parte dos movimentos sociais. Outro elemento é o núcleo de intelectuais e gente da inteligentzia boliviana representados por Álvaro Garcia Linera. Finalmente existem as organizações rurais de produtores de pequena escala com interesses muito definidos e contrapostos aos dos grandes projetos agropecuários.
Ou seja, chegar ao poder será apenas a primeira batalha que Evo Morales terá de enfrentar para consolidar-se como presidente da Bolívia. Sua posse, já garantida pelas forças armadas, poderá significar o início de um novo período de instabilidade. Principalmente se ele levar adiante o processo de mudar o eixo político e de poder no país, abrindo espaço para uma parcela da população que, embora amplamente majoritária, nunca pôde decidir sobre seu futuro e usufruir as imensas riquezas deste país.
Seja como for, uma lição que a Bolívia tem dado a todos os analistas, comentaristas e observadores é a capacidade que o país tem de chegar na beira do abismo e, por meio de soluções institucionais, retomar o caminho da democracia. Com a vitória de Evo Morales esta capacidade será desafiada ao extremo e o desenlace terá impacto não apenas no país mas em toda a região, cada vez mais dependente das reservas de gás natural boliviano.
Começando bem a semana! December 13, 2005
Postado por tordesilhas em : Geral , 3comentáriosNessa segunda tive duas boas surpresas no trabalho. A primeira foi saber que Mateus e Vanessa vinham almoçar comigo. O jardim da Oxfam tem umas mesas onde o pessoal almoça nos dias de sol. E o dia estava lindo mesmo. Chegam os dois e a Vanessa vinha trazendo uma caixa de sedex que estava acabando de chegar quando ela estava saindo de casa para vir para o meu escritório.
Era o presente de amigo oculto dela, que estava chegando fresquinho. Ela evidentemente estava ansiosa para abrira a caixa (e o Mateus mais ainda). Primeiro ela ficou feliz em saber que quem a tirou foi a Bia, filha da Denise Arcoverde, do Síndrome de Estocolmo. Sinal certo de que vinha presente legal aí. Quando ela abriu, realmente tinha um monte de coisas legais.
E eis que de repente surge a segunda surpresa: até eu tinha ganhado um presente de lambuja. Era um CD do Otto, o mais recente dele, chamado “Sem gravidade”. E a surpresa ficou maior ainda quando escutei o CD. Confesso que nunca fui muito fã do Otto. Sempre o achei boa-praça, meio maluquete, falando de maneira incoerente, mas definitivamente gente fina, ainda mais depois que se engajou em diversas campanhas do Greenpeace. Mas nunca tinha gostado muito da música dele. Até que ouvi este CD.
É muito bom. Aliás é bom pra c… Quase todas as letras e músicas são dele e já na primeira música, “Lavanda”, um afoxé turbinado com reggae e maracatu já dá pra ter uma idéia do que vinha por aí. E o CD mantém a qualidade. Eu me amarrei na versão dele de “Pra ser só minha mulher”, sucesso brega-romântico do Ronnie Von imortalizado na voz do Roberto Carlos: “Abre os braços pra me guardar / Que eu todo vou me entregar / Começo, meio e fim / E a minha cuca ruim…”
Não falta referencia aos Mutantes com “Tento entender”: “Tento entender / Um pouco mais a alma / Alma que me faz dançar nesta festa /Venho atender / Ao teu pedido d´água…” Escutando dá pra viajar no tempo e ver os mutantes no seus melhores momentos.
E a Alessandra Negrini está com tudo. Uma coisa clara, para mim, é que este é um CD profundamente romântico… Romântico no estilo Otto, é claro. Alessandra Negrini certamente é a musa inspiradora de grande parte das músicas e dá uma canja em “Avisa Gil”, em homenagem ao Cantor-Ministro, e “História de Fogo”: “Esse amor me derreteu / Ajoelha-se esquece / Me chupa e agradece / A quem te machuca / Agradece, meu Deus / Dói demais…” É o amor…
Denise, valeu pelo presente!
Mais informações sobre o CD, no site da Trama, aqui.
Para escutar “História de Fogo”, tecle aqui.
Update 2: Chile com segundo turno December 12, 2005
Postado por tordesilhas em : Geral , 1 comentário até agoraE deu o esperado: Bachelet 45,87 %, Piñera 25,48%, Lavín 23,25% e Hirsch 5,37%. O segundo turno no Chile será no dia 15 de janeiro, entre Bachelet e Piñera. Vai ser uma briga pesada.
Já se espera alguma mudança na estratégia de Bachelet. O dado mais significativo foi que a Concertación (grupo de centro esquerda que está no poder há 15 anos) conseguiu maioria de votos nas duas casas do Congresso. Mas isso não foi transferido para Bachelet, que teve quase 6% menos de votos do que o grupo político que representa. Razões? Os analistas apresentam várias: o fato de ser mulher, uma má estratégia de campanha, o fato de se apresentar sem família…
Claro que agora para o segundo turno os votos que foram para o candidato de esquerda, Tomás Hirsch, podem voltar-se para Bachelet, mas ele já disse que vai votar nulo. Enfim, as cenas dos próximos capítulos no Chile prometem ser emocionantes.
UPDATE 1 - Eleições no Chile December 11, 2005
Postado por tordesilhas em : Geral , deixe teu comentárioA primeira previa com os resultados das eleições no Chile, divulgado faz uns minutos, indicam Bachelet con 44,76% dos votos. Seus dois opositores, Joaquín Lavín e Sebastián Piñera (ambos de direita) estão até o momento com 23,52% e 26,73%, respectivamente. Já o candidato de esquerda Tomás Hirsch está com 4,96%. Isto leva em conta apenas 12,7% dos votos apurados.
Se esta tendência for mantida, serão confirmados os prognósticos de um segundo turno, provavelmente entre Bachelet e Piñera. Somados, os votos dos dois candidatos de direita superam os de Bachelet, mas muitos analistas indicam que não são automaticamente intercambiáveis e que simplesmente somá-los não é um exercício correto. Agora, é claro que já tem político da coalizão de direito correndo para dizer que os votantes querem na verdade tirar os socialistas do poder.
De olho no Chile December 10, 2005
Postado por tordesilhas em : Geral , 2comentáriosO pai de Michelle Bachelet, um general legalista e fiel a Allende foi preso assim que Pinochet tomou o poder e morreu nas masmorras da ditadura depois de uma sessão de tortura. Quando houve o golpe, ela estudava medicina e militava na juventude socialista. Foi presa junto com sua mãe e ambas foram torturadas. Escaparam da morte ao serem expulsas do país. Acabaram parando em Berlim, onde Michelle concluiu seus estudos.
Quando o regime começou a se flexibilizar ela voltou ao Chile. Tentou trabalhar no sistema público de saúde, mas foi rejeitada “por suas vinculações políticas” passadas. Foi trabalhar numa ONG que prestava apoio médico e psicológico às famílias de vítimas da ditadura. Com os socialistas no poder e uma nova geração de militares nos quartéis, Bachelet se candidatou a uma vaga na Academia Nacional de Estudos Estratégicos (a Escola Superior de Guerra local). Surpreendeu sendo a primeira aluna da turma e ganhando uma bolsa de estudos para a Inter-American Defence College, em Washington.
No governo do presidente Ricardo Lagos, que assumiu o poder em 2000, foi convidada a assumir o ministério da saúde, controlando o sistema público de saúde do qual havia sido rejeitada uns anos antes. Sua gestão bem sucedida levou a outra decisão surpreendente de Lagos, que a indicou como Ministra da Defesa. Uma novidade absoluta em um país machista e castrense como o Chile. Ao contrário do que se poderia esperar os militares aceitaram razoavelmente bem a mulher cujo pai havia sido torturado e assassinado dentro de um quartel anos antes.
Sua gestão foi elogiada e aplainou o caminho para um passo ainda mais radical e surpreendente, considerando sua trajetória de vida: a presidência do Chile. E o primeiro grande momento será dado neste domingo, 11 de dezembro, quando acontece o primeiro turno das eleições e ela seguramente sairá em primeiro lugar, com pelo menos 40% dos votos, segundo as últimas pesquisas.
Claro que a Direita não está deixando barato. Os dois candidatos opositores - o pouco carismático Joaquín Lavín e o mega-empresário Sebastián Piñera, dono da empresa aérea Lan - estão disputando quase aos tapas a oportunidade de ir para o segundo turno. Aparentemente a vaga será de Piñera que tenta se vender como a “direita civilizada”, em oposição aos partidários de Lavin, todos associados ao pinochetismo. Claro que a campanha da Direita usa dos chavões anti-femininos de sempre e até mesmo a simpatia de Bachelet já foi usada na campanha como argumento contra ela (“ser simpática não é suficiente para ser presidente”).
O segundo turno vai ser feroz. Principalmente se Piñera for o segundo candidato. Ele controla a segunda maior rede de televisão do Chile. Além disso, os católicos de direita têm um problema sério com Bachelet, uma mulher divorciada e que vive com um homem, sem estar casada, com quem tem um filho. Devemos lembrar que o divórcio só foi legalizado no Chile faz pouco mais de um ano.
Existe muita gente que pensa que ela terá pouca autonomia para governar, principalmente porque herdará, se for eleita, uma presidência marcada pelo governo de Ricardo Lagos, que tem um grau enorme de apoio público (cerca de 70% da população). Mas eu aposto na sua personalidade e visão de futuro. Ela não se preparou tanto para chegar à presidência só para ser uma espécie de marionete do Partido Socialista.
Também não acho que fará mudanças revolucionárias. Essa história de uma maneira intrinsecamente feminina de exercer o poder para mim é mito. O que acredito sim é em um uma maneira intrinsecamente respeitosa, honesta e coerente de exercer o poder e por aí acho que Bachelet tem tudo para fazer uma presidência exemplar.
John, 25 anos depois December 8, 2005
Postado por tordesilhas em : Geral , deixe teu comentárioHoje faz 25 anos que um maluquete matou John Lennon. No depoimento de David Chapman à polícia, ele disse que o carro trazendo John e Yoko chegou ao edifício Dakota por volta das 11 da noite de 8 de dezembro de 1980. Primeiro saiu Yoko, seguida de John. Ele chamou: “Mr. Lennon”. John virou-se e deu de cara com um revólver apontando para a sua cara. Fico imaginando o que ele deve ter pensado naqueles segundos, antes que David Chapman desse os cinco disparos, quatro dos quais atingiram o alvo a queima-roupa. Ambos, John Lennon e David Chapman entraram naquela noite definitivamente para a história e John ficou muito maior dos que os Beatles (na minha opinião na verdade já era…).
E claro tem o outro lado. John Lennon não foi uma pessoa fácil, que o digam sua primeira mulher, Cynthia, e o filho deles, o também músico Julian Lennon, que foram quase que apagados da história e muita gente nem sabe que existiram. Cynthia lançou uma biografia recentemente contando seus 10 anos ao lado de John. Barra pesada. E Julian ainda não se reconciliou com a herança de abandono paterna.
Em seu site, Julian Lennon, publica uma pequena nota sobre os 25 anos de morte de John Lennon:
“Papai foi um grande talento, cuja música e ideais são uma inspiração para milhões. Ainda assim, sempre tive sentimentos misturados sobre papai. Ele foi o pai que eu amei e que me abandonou de muitas maneiras. Quem sabe como nossa relação poderia ter se desenvolvido se ele não tivesse sido assassinado… é doloroso pensar que sua morte prematura me roubou a chance de que nós pudéssemos ter nos conhecido melhor.”
O argentino carioca December 7, 2005
Postado por tordesilhas em : Geral , deixe teu comentárioBar no Rio de Janeiro, em Ipanema. Fim de tarde. Sol e etc. De repente entra um homem em um escafandro. Isso mesmo: escafandro. Completo, com direito a pé de pato e capacete (é assim que se chama?) envolvendo a cabeça. Uns 15 segundos de silencio e todos voltam aos seus cafezinhos, seus chopinhos, bolinho de bacalhau e conversas. Ignorando, de maneira cool tipicamente carioca, a cena. Até que alguém finalmente grita: “porra, podem olhar porque alguém de escafandro num bar não é uma coisa normal!”
Essa é uma das deliciosas histórias, supostamente verídicas, que se pode ouvir em uma conversa com o Ezequiel Furgiuele, que junto com sua esposa a atriz Grapa Paola, administra o Patagônia, na minha opinião o melhor restaurante argentino de Lima. Apesar da origem portenha de seus donos, lá sempre é possível escutar uma excelente música brasileira, comer uma massa ou polenta da melhor qualidade, saborear excelentes vinhos argentinos ou um pisco sour, se tiver disposição, encarar umas aulas de tango.
Ezequiel e Grapa são apaixonados pelo Brasil. Ele viveu muitos anos entre Rio, São Paulo e sei lá mais onde e fala um português quase perfeito. Já fez de tudo nessa vida e conviveu com gente de todo tipo. Suas histórias do tempo em que viveu perambulando pelo Brasil são muito engraçadas e por si só fazem merecer a visita e o bate-papo. Taí a dica: Restaurante Patagônia. Fica na Calle Bolívar 164, em Miraflores.
Cada louco com a sua mania… December 5, 2005
Postado por tordesilhas em : Geral , 3comentáriosA Igreja da Cientologia continua com suas manias esquisitas. Um canal de TV do Novo México transmitiu uns dias atrás uma reportagem mostrando uns estranhos círculos desenhados nas áreias do deserto e que podem ser vistos desde o espaço. Logo se descobriu que os estranhos sinais foram feitos pela Ingreja da Cientologia e aparentemente marcam o local onde estão enterrados, em túneis que podem resistir a um ataque nuclear, os textos e palavras sagrados do fundados da Igreja, o escritor de ficcção científica L. Ron Hubbard.
Os círculos cruzados com um diamante dentro de cada um pintados nas areias do deserto do Novo México aparentemente representam o símbo da “Igreja da Tecnologia Espiritual (Church of Spiritual Technology), um braço corporativo da Cientologia. Aparentemente, segundo reportagem do Washington Post, que contou a história, líderes da Igreja tentaram convencer os donos da emisora a não veicular a reportagem, em troca de uma visita guiada aos túneis subterrâneos.
Antigos membros da Igreja acreditam também que o símbolo foi desenhado para ser visto desde o espaço com o objetivo de atender a uma das crenças do grupo religioso. Eles crêem que vão reencarnar em algum lugar do espaço de onde voltarão para a Terra. Assim, necessitam de um ponto de referência visível desde o espaço para que possam saber rapidamente onde estão os escritos do seu fundador.
Além deste, aparentemente há mais dois locais na Califórnia onde estão guardados os registros originais de L. Ron Hubbard. O complexo do Novo México é mantido à base de energia solar e os escritos estão gravados em placas de aço inoxidável e guardados em caixas de titânio resistentes ao calor. A brincadeira custou 2,5 milhões de dólares.
A reportagem do Washington Post aproveita para dar uma sacaneada (numa tradução livre):
“Outras religiões preservam seus textos sagrados. Nada de estranho. Os líderes da Cientologia aparentemente apenas não querem se perder deles, e talvez esta seja a razão porque alguém pôs os círculos gigantes no meio do nada. Porque não tem nada pior do que chegar do espaço profundo e não saber onde estacionar.”
A reportagem completa do Washington Post está aqui.
Eleição na Venezuela December 4, 2005
Postado por tordesilhas em : Geral , deixe teu comentárioNão sou nem um pouco fã do Hugo Chavez, mas estou seguro de que a outra opção, ou seja, a plutocracia golpista que dominou a Venezuela é pior ainda. Por outro lado gosto, e muito do Élio Gáspari. Hoje ele tem uma pequena nota sobre os movimentos recentes na Venezuela que reflete muito bem o que se está armando por lá. Reproduzo abaixo:
Um golpe anunciado na Venezuela
Élio Gáspari, no Globo
Há um cheiro de golpe vindo da Venezuela. Num cenário pré-eleitoral em que o presidente Hugo Chávez teve 70% das preferências nas pesquisas, os quatro grandes partidos da oposição decidiram boicotar a eleição parlamentar de hoje.
Chávez batalha para conseguir dois terços do Congresso, bancada necessária para lhe dar um terceiro mandato de seis anos. A oposição diz que abandonou a disputa porque as urnas eletrônicas podem estar viciadas. Ela demonstrou que a coleta de impressões digitais dos eleitores permitiria a quebra do sigilo do voto, mas o procedimento foi suspenso.
É difícil entender que um presidente queira sujar um resultado que não tem razões para temer. Mais difícil, sabendo-se que a eleição está monitorada pela União Européia e pela Organização dos Estados Americanos.
Chávez é um histrião com votos. Já a plutocracia venezuelana, que em 2002 se associou a fraudes jornalísticas e a um golpe militar liberticida, é mais popular em Miami do que em Caracas. Em agosto passado, Chávez venceu um referendo com 58% dos votos. Seus adversários governam apenas dois dos 23 estados do país. Boa parte do vigor político do resultado de hoje virá do comparecimento dos 14,5 milhões de eleitores venezuelanos.
Quando a oposição abandona a disputa eleitoral, prenuncia a contestação da legitimidade do resultado. Os oposicionistas que abandonaram o pleito considerarão ilegítimo o Congresso que poderá dar a Chávez o direito de buscar (nas urnas) um novo mandato. Mais um passo, acharão legítima a idéia de derrubá-lo com a ajuda de dois generais, dez caixas e alguns mensalões. Aí é que entra o companheiro Bush com prepotência messiânica. Primeiro ouve-se o eco do que disse a doutora Condoleezza Rice em abril passado: “Democracia não é só eleição.” Na quarta-feira o porta-voz do Departamento de Estado disse que nada tem a ver com o absenteísmo venezuelano, mas indicou que os Estados Unidos estão “preocupados” com a possibilidade de que o direito ao voto “esteja em perigo”. Se ele acha que perigo vem da oposição, tudo bem, mas não é esse o caso.
O absenteísmo produz desastres. Há 42 anos, a esquerda venezuelana, inspirada pelo radicalismo cubano, boicotou uma eleição, metralhou eleitores e danou-se. Em 1924, depois do assassinato de um deputado socialista, a oposição italiana abandonou o Congresso e instalou-se o Monte Aventino, onde a plebe romana se rebelara em 494 a.C.. Erro. Benito Mussolini aproveitou o episódio e radicalizou a ditadura ao fim da qual penduraram-no de cabeça para baixo num posto de gasolina de Milão.
Loura gelada peruana December 3, 2005
Postado por tordesilhas em : Geral , 1 comentário até agoraHá uns três anos soubemos oficialmente que a Brahma ia ser produzida e vendida no Peru. Para a brasileirada foi uma notícia legal porque seria uma oportunidade de tomar uma cerveja brasileira, ainda que não do agrado de todos. Também se esperava uma luta boa, como de fato foi, porque o mercado peruano é dominado quase que 100% pela empresa cervejeira Backus, que vende as três marcas principais de Lima: Cristal, a mais vendida, Pilsen Callao e Cusqueña, a que eu mais gosto.
Evidentemente a Backus fez de todo possível para impedir a Brahma de entrar no mercado. Foi o que se chamou de “guerra das cervejas” que teve todo tipo de batalhas, limpas e sujas. O principal foco foi a impossibilidade criada pela Backus para a Brahma usar suas garrafas. Com isso a cervejaria brasileira, que a essa altura já havia sido comprada pelos belgas, teve de atrasar os planos, importando emergencialmente cerveja do Brasil e garrafas do Equador e onde mais houvesse para vender para poder cumprir com os prazos.
O fato é que depois de indas e vindas, finalmente já se pode encontrar a Brahma em quase qualquer lugar, desde mercados a bodegas, como são chamadas as vendas de rua. Claro que nas festas e reuniões da colônia brasileira não pode faltar uma Brahma geladinha. E parece que está caindo no gosto dos peruanos também porque segundo uma pesquisa de mercado recente, já abocanhou 17% do mercado.
O marketing da Brahma tenta vendê-la como uma cerveja global, principalmente depois que foi comprada pelos belgas. A coisa vai tão longe que o rótulo da Brahma aqui no Peru a vende como “Cerveja peruana de calidad internacional”… Ué, peruana? Será que quando for vendida, por exemplo, na Inglaterra vai virar “cerveja inglesa de qualidade internacional”? Então já não preciso ficar com consciência pesada quando saboreio uma cusqueña geladinha. Excelente por sinal. Ao lado, a foto do rótulo que não me deixa mentir.
