Evo é o novo presidente da Bolívia December 18, 2005
Postado por tordesilhas em : Geral , 5comentáriosComo já se esperava, Morales lidera os votos nas eleições da Bolívia. Duas pesquisas de boca de urna confirmam o que eu havia dito no post anterior, ou seja, que a diferença entre Morales e Jorge Quiroga poderia chegar a 13%. As pesquisas divulgadas agora de noite indicam uma diferença de pelo menos 45% a 35% entre os dois. Com a confirmação destes números, será quase impossível ao Congresso recém eleito usar da prática tradicional dos conchavos e acordos espúrios para dar a presidência ao segundo colocado, desrespeitando, como já foi feito tantas vezes antes, a vontade popular. Ou seja, Evo Morales pode se considerar o novo presidente da Bolívia.
Como falo no meu post anterior, o desafio para Morales começa de verdade no momento em que tomar posse. Segundo as projeções, o Movimiento al Socialismo (MAS), seu partido político, vai ter a minoria no Senado, que será controlado pelo movimento político “Podemos”, que apóia Quiroga. Este mesmo grupo político, ainda de acordo com as projeções, elegerá seis dos novos governadores (chamados “prefectos”). No total se estima que MAS e Podemos vão eleger em torno de 60 legisladores do Congresso bicameral.
A implicação imediata disso é que Morales terá o enorme desafio de, por um lado, ter de negociar com a oposição de direita e, ao mesmo tempo, dar uma resposta em curto prazo aos movimentos sociais e à população indígena, camponesa e pobre que lhe deu seus votos. É fácil prever que o futuro da Bolívia pós-eleições é mais incerto do que nunca. O que sim é certo é a mudança extraordinária representada pela eleição de um líder de origem indígena e camponesa, como Morales, em um país em que a elite branca e européia, claramente uma minoria de 20% da população, acostumou-se a dar as cartas e a pilhar sistematicamente os recursos naturais em 400 anos de história.
Mas ao contrário do que tenta vender seus opositores e grande parte da imprensa local e internacional, Evo Morales é o único que neste momento pode construir uma ponte entre estas duas bolívias, a ocidental (indígena, camponesa e pobre) e a oriental (branca, rica e dinâmica). Sem o risco do exagero, sua eleição é um momento paradigmático porque pode representar uma esperança de refundação da Bolívia, em bases um pouco mais eqüitativas e inclusivas, ou o fracionamento definitivo do país, com guerra civil incluída.
