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Ciclone facilita o trabalho da ditadura assassina - UPDATE 1 May 7, 2008

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A dimensão da tragédia na Birmânia segue ficando mais clara na medida em que se obtém mais informações sobre os estragos causados pelo ciclone que atingiu cinco das regiões mais pobres do país. Os números indicam que a quantidade de mortos pode chegar fácil aos 100 mil (40%, pelo menos, são crianças, segundo a Save the Children), com cerca de um milhão de pessoas deslocadas, ou seja, sem ter mais onde viver e o que comer. A solidariedade internacional aumenta, apesar dos entraves burocráticos da junta militar que manda no país. A Oxfam, por exemplo, aumentou os recursos disponíveis para cerca de um milhão de dólares. O governo já permitiu que pelo menos os aviões da ONU e da Cruz Vermelha entrem no país. E em mais uma prova da irresponsabilidade homicida da junta militar birmanesa, as autoridades da Índia revelaram que haviam alertado com 48 horas de antecipação sobre a chegada do ciclone e sua capacidade potencial de destruição. Aparentemente nada foi feito e a população foi deixada por sua conta. Um caso para as Cortes Internacionais de Justiça que julgam casos de genocídio.

Ciclone facilita o trabalho da ditadura assassina May 6, 2008

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20003.jpgO ciclone que atingiu a Birmânia (rebatizada de Mianmar) mostrou a face mais cruel da ditadura que domina o país. As informações são de que a junta militar que controla o destino dos birmaneses simplesmente resolveu não alertar a população sobre o desastre iminente. Deixou deliberadamente que pelo menos 24 milhões de pessoas – a grande maioria extremamente pobres – ficassem à mercê do ciclone. O resultado: até agora pelo menos 23 mil pessoas mortas e umas 40 mil desaparecidas.

E estos dados são otimistas. As agências de ajuda humanitária temem que a situação seja muito pior. Não existem dados concretos sobre a área mais afetada. As imagens que as TVs mostram basicamente refletem a situação na capital do país e arredores. O governo não tem a menor capacidade de prestar ajuda adequada à população afetada. Isto, é claro, se resolver abrir mais a cortina cerrada que impede a chegada de estrangeiros ao país.

A Oxfam já separou cerca de 500 mil dólares do seu orçamento de emergências para levar ajuda à Birmânia. Também está com uma equipe humanitária de prontidão. Mas a previsão é de que o trabalho, se é que poderá ser feito, será duríssimo. As informações indicam que vilas inteiras foram riscadas do mapa. Corpos bóiam nos arrozais. As estradas foram arrasadas. Os sistemas de comunicação e de eletricidade colapsaram completamente.

E o governo ainda dificulta a entrada de ajuda externa. Mas ainda que permita, os funcionários estatais têm pouca ou nenhuma experiencia em em lidar com operações humanitárias complexas como esta.

Enfim, o maior desastre da Birmânia é a ditadura assassina que condena a população do país à morte lenta todos os dias. O ciclone só veio apressar o serviço.

Onde nasce o Amazonas May 5, 2008

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amazonia.jpgA origem do rio Amazonas sempre foi objeto de controvérsia. De certo mesmo, só o fato de que ele nasce em algum ponto dos Andes peruanos, entre as montanhas do departamento de Arequipa. Várias expedições já tentaram determinar o ponto exato de sua nascente, mas parece que finalmente se chegará a um consenso.

Nesta terça, 6 de maio, o jornalista e pesquisador ítalo-polonês Jacek Palkiewicz vai apresentar à Sociedade Geográfica de Lima os resultados da mais recente expedição que capitaneou e que, segundo ele, determinou a localização exata da nascente do Amazonas. Está em um “bofedal” (área pantanosa normalmente com menos de um hectare, existente na puna andina) localizada a cerca de 5.170 metros de altura, na quebrada Apacheca, que por sua vez nasce no nevado Quehuisha, na província de Cayllomano, em Arequipa.

Do pequeno bofedal, que pode ser visto na foto publicada pelo jornal El Comercio, sai uma pequena fonte de água, que se converte em um riacho, que vira um afluente daí um rio, ate que finalmente recebe o nome de Amazonas, uns mil quilômetros adiante.

A descoberta também servirá para dirimir outra polemica, ao garantir que o Amazonas é efetivamente o rio mais longo do mundo, ganhando a histórica disputa com o Nilo. Será interessante ver como a comunidade científica internacional vai reagir a esta descoberta, embora supostamente a expedição de Palkievicz tenha o respaldo científico necessário.

Assassinatos políticos no Brasil democrático May 1, 2008

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plantados1.jpg“O assassinato de um militante não representa apenas a morte daquela pessoa. É um pouco o assassinato de sua causa, da luta que abraçou em vida.” Com estas palavras Natália Viana começa o capítulo de conclusão do impressionante “Plantados no chão – Assassinatos políticos no Brasil hoje”, o livro no qual a jornalista tenta recuperar um pouco da história de mais de 180 casos de assassinatos políticos contra líderes populares ocorridos no Brasil entre 2003 e 2007. Todos, portanto, já durante o governo Lula, cuja origem operária e história de perseguição torna ainda mais dolorosa a existência destes crimes e a persistência da sua impunidade.

Para aumentar a sua disseminação e abrir um espaço no cerco fechado criado pela grande mídia para este aspecto obscuro da luta política no Brasil, o livro está à disposição para download no website da sua editora, a Conrad, neste link. A autora também mantém um blog, o “Plantados no chão”, que pode – e deve - ser acessado aqui.

O livro traz seis histórias de líderes populares assassinatos por causa das lutas que encabeçavam e que foram consideradas exemplares para ilustrar a complexidade dos conflitos e interesses envolvidos.

Além disso, traz também uma lista de 80 casos de assassinatos que emergiram durante as pesquisas feitas para o livro e que contém elementos para compreender o que passou. (more…)

O bem que se quis, em italiano… April 27, 2008

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O Tordesilhas anda meio abandonado, reconheço… Tenho andado meio atolado e acabo de regressar de uma interessantíssima viagem a Colômbia. Sobre isso vou escrever mais durante a semana. Enquanto isso, deixo a dica que redescobri fuçando a internet esta semana: o músico italiano Pino Daniele. Ele não é muito conhecido no Brasil, mas tem muita ligação com a musica brasileira. Em meados doas anos 80 ele fundou um grupo do qual fazia parte o Naná Vasconcelos. Mais do isto, foi ele que escreveu a clássica “E pó che fa”… Para quem não liga o nome à pessoa, esta é a versão original de “O bem que se quis”, cuja letra em português foi escrita por Nelson Motta. Na voz da Marisa Monte, a música é o clássico que todo mundo conhece. Mas confesso que eu prefiro a versão original. O Pino Daniele dá uma interpretação mais suingada à música, que a deixa ainda moderna, apesar de ter mais de 25 anos de gravada. A música faz parte do disco “Bella ‘mbriana”, de 1982, que pode ser encontrado para download fuçando pela internet. Recomendo, porque o disco todo é muito bom. Para dar um gostinho, deixo abaixo “E pó che fa”… Espero que curtam.

Sem comentários… April 12, 2008

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Charge publicada no sempre ótimo blog do Gravatá.

Passado que condena April 2, 2008

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Outro dia li uma entrevista com o caricaturista Angeli na qual ele conta como tomou horror à escola na época em que o diretor era um general que obrigava os alunos a fazer aquelas coisas de “Sete de Setembro”, tipo “cantar o hino nacional com a mão no peito” e por aí vai. Isso me lembrou um episódio pouco edificante dos meus tempos de aluno do ginásio, já nos estertores da ditadura militar, ainda antes do Sarney, portanto.

A ditadura estava agonizante, mas não havia acabado. Como eu estudava em escola pública ainda era normal a tradição de enfileirar as turmas de alunos todas as manhãs para assistir o hasteamento da bandeira e cantar o Hino Nacional, o da Independência, o da República e até o do Rio de Janeiro, com seu ritmo de samba e tudo.

Também era motivo de orgulho ser escolhido para fazer parte do “Pelotão da Bandeira”, que tinha a honra de levar a Bandeira Nacional, a do estado, a da cidade e a da escola nas cerimônias públicas. Reconheço que cheguei a fazer parte do pelotão e me senti orgulhoso na cerimônia em que todo o colégio era reunido para assistir a passagem dos “emblemas” do pelotão (braçadeira azul celeste e luvas brancas) dos membros antigos para os novos. Era um evento público, envolvendo todos os alunos e os pais e parentes, na época das festividades do Dia da Bandeira, em outubro. (more…)

Lima segue movida… March 29, 2008

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5d6a17sismoenlima288g.jpgA terra tremeu aqui em Lima de novo. Primeiro nesta madrugada de sábado, com uma intensidade de 4.3 na escala Richter. Depois de novo esta manhã, com uma intensidade maior, de 5.8 Richter. Durou uns 15 segundos e o edifício onde moramos se mexeu todo, como uma geléia. Corremos para o corredor, perto dos elevadores, para esperar passar, porque a sensação foi bem forte, já que o tremor foi a uns 24 kms da costa de Lima. Um susto enorme, mas já passou (por enquanto). Aparentemente não houve maiores conseqüências, a não ser alguns deslizamentos de pedras.

Jogando gasolina no fogo islâmico March 28, 2008

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UPDATE: O website LiveLeak tirou do ar o vídeo Fitna alegando sérias ameaças ao staff. No seu lugar, deixou uma declaração pública explicando as razões da retirada e dizendo que este é um “triste dia para a liberdade de opinião”. O filme ainda está no YouTube, aqui.

fitna.jpgOntem foi lançado na Holanda o documentário “Fitna”, uma inacreditável peça de propaganda anti-islâmica que promete causar tanta ou mais polêmica e protestos do que as famosas caricaturas do profeta Maomé. O diretor do comentário se chama Geert Wilders e é um membro ultra-conservador do parlamento holandês. Há semanas ele havia anunciado que o seu trabalho pretendia expor a “natureza fascistóide do Islã” e em uma entrevista ele chamou o Corão de “Mein Kampf islâmico”.

Como tudo isso, se pode ter uma idéia do conteúdo do documentário de 15 minutos, cujo titulo “Fitna” é a palavra em árabe de difícil tradução que, segundo a wikipedia,  pode ao mesmo tempo significar cisma, secessão, convulsão e anarquia. É realmente uma peça anti-islâmica que demoniza todo uma cultura e sistema de valores pelo uso selecionado de imagens e declarações de líderes radicais. A idéia é mostrar que o islamismo é intrinsecamente anti-democrático, violento e incompatível com os valores ocidentais.

Para provar sua tese, Wilders seleciona imagens fortíssimas de ações terroristas do radicais islâmicos, como os ataques às Torres Gêmeas e às estações de trem em Madri, gays sendo enforcados, discursos bombásticos de líderes islâmicos, o assassinato do cineasta holandês Theo Van Gogh por um radical islâmico, vítimas de terroristas iraquianos tendo suas cabeças cortadas e por aí vai. Tudo isto entremeado pela leitura de suras selecionadas do Corão que aparentemente justificam o sangue derramado dos “infiéis”.

A mensagem final do vídeo não deixa margem a dúvidas. Diz claramente: “Em 1945, o Nazimo foi derrotado na Europa. Em 1989, o Comunismo foi derrotado na Europa. Agora é a vez de o islamismo ser derrotado”.

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A Vogue e o King Kong March 24, 2008

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Uma polêmica das boas está chacoalhando o mundo da alta-moda nos Estados Unidos: a edição americana da revista Vogue está sendo acusada de reforçar velhos estereótipos raciais na capa deste mês, que trás o astro afro-americano de basquetebol LeBron James com o braço ao redor da cintura de Giselle Bünchen. Esta é a terceira vez na história da Vogue americana que um homem sai na sua capa (segundo a Time, nas vezes anteriores estiveram Richard Gere e George Clooney). Mas, como registra o Guardian, o que seria motivo de “comemoração” para a comunidade afro-americana está gerando protestos, já que a foto, tirada por Annie Leibovitz, lembra muito o cartaz clássico do filme King-Kong, de 1933.

Na capa da Vogue o astro do Cleveland Cavalliers aparece com uma pose agressiva, ao parecer entoando um grito de guerra, enquanto a super-modelo meio que flutua para fora de seus braços. Apesar do sorriso, como lembra o Guardian, a cara de Gisele Bunchen é a de alguém que “poderia estar em outro lugar”.

A “semelhança”  entre a foto e o cartaz do filme King Kong vem provocando cada vez mais indignação na comunidade afro-americana. Um blogueiro citado pelo Guardian toca direto no ponto: “LeBron está justo ali perpetuando o estereótipo que ajudou a escravizar, linchar e matar a milhares dos nossos homens negros durante séculos…”  A revista obviamente nega qualquer intenção racista em sua capa. Um porta-voz até lembrou que atualmente não há ningupen mais “fashion” na indústria da moda que LeBron e Bünchen.

Mas o fato concreto, como lembra a reportagem do Guardian, é que nas únicas vezes anteriores em que um homem apareceu na capa da Vogue, eles foram retratados de maneira muito deferente de LeBron: Gere e Clooney aparecem respectivamente em 1992 e 2000. Ambos posaram ao lado de super-modelos: o primeiro com Cindy Crowford e o segundo com a mesma Gisele Bünchen. Aí morrem as semelhanças com LeBron, já que em ambos casos os atores foram mostrados em posição “sexy” e “estilosa” ao lado de suas companheiras de foto. 

Pode ser que realmente a equipe da Vogue não tenha tido nenhum intenção racista. Afinal seria natural retratar um esportista em uma posição que lembre o seu trabalho, daí que um grito de guerra na boca de um jogador de basquete não é tão fora do contexto assim. Mas não há dúvida de que deveriam ter tido mais sensibilidade ao preparar a foto.  E eu acho, sim, que mesmo de forma não intencional, a imagem reflete os estereótipos racistas que estão no inconsciente dos editores da revista (e de boa parte de seus/suas leitoras também.

capa_vogue.jpg

Um discurso histórico March 18, 2008

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UPDATE: A Izabella, do blog Inside, deu a dica para a tradução para o português do discurso do Obama. Está aqui.

Barack Obama deu hoje um discurso em Filadélfia que deverá entrar para a história. Em “A more perfect Union”, como o discurso foi batizado, o tema de fundo foram as relações raciais nos Estados Unidos. Pela primeira vez em sua campanha ele tocou no tema com a profundidade devida, e não deixou praticamente nada de fora. Falou sobre o ressentimento histórico entre brancos e negros e enfrentou de frente a controvérsia causada pelo reverendo Jeremiah Wright, pastor da sua congregação e amigo pessoal de longa data, cujas explosivas declarações contra o racismo nos Estados Unidos foram divulgadas esta semana no Youtube. O candidato revisitou sua própria herança pessoal, representada pela multi-culturalidade da sua família, para mostrar que “em nenhum outro país do mundo sua história seria possível”.

Uma peça de oratória tão elaborada, verdadeira e sofisticada, embora de simples compreensão, que por si só posiciona a Barack Obama como um dos maiores oradores americanos de todos os tempos, sem exagero. Se será um bom presidente, caso eleito, é outra história. Mas sem dúvida ele passa um grau de convicção extraordinário. A transcrição do discurso pode ser lida aqui. É interessante lê-la enquanto se assiste o discurso (veja abaixo).

A seguir dois trechos que resumem as idéias gerais do candidato:

For the African-American community, that path means embracing the burdens of our past without becoming victims of our past. It means continuing to insist on a full measure of justice in every aspect of American life. But it also means binding our particular grievances – for better health care, and better schools, and better jobs - to the larger aspirations of all Americans — the white woman struggling to break the glass ceiling, the white man whose been laid off, the immigrant trying to feed his family. And it means taking full responsibility for own lives – by demanding more from our fathers, and spending more time with our children, and reading to them, and teaching them that while they may face challenges and discrimination in their own lives, they must never succumb to despair or cynicism; they must always believe that they can write their own destiny.
In the white community, the path to a more perfect union means acknowledging that what ails the African-American community does not just exist in the minds of black people; that the legacy of discrimination - and current incidents of discrimination, while less overt than in the past - are real and must be addressed. Not just with words, but with deeds – by investing in our schools and our communities; by enforcing our civil rights laws and ensuring fairness in our criminal justice system; by providing this generation with ladders of opportunity that were unavailable for previous generations. It requires all Americans to realize that your dreams do not have to come at the expense of my dreams; that investing in the health, welfare, and education of black and brown and white children will ultimately help all of America prosper.

Gente de Ouricuri March 13, 2008

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Como falei no post anterior, estive na semana passada em Ouricuri, no agreste pernambucano, distante uns 620 quilômetros de Recife, visitando os programas da ONG Caatinga, parceira da Oxfam na região. Em outro post falo mais sobre o trabalho deles. Neste texto queria me concentrar em apresentar alguns personagens que eu conheci nesta visita. Basta clicar na foto para ver uma versão maior.

clarinda1.jpg francisca1.jpg antonio1.jpg eunice1.jpg fumeiro1.jpg luciana1.jpgveneranda1.jpg rejania1.jpg mae_e_filho1.jpg selma_e_lucas1.jpg  kelly1.jpg menino1.jpg boneca1.jpg